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Conversores com interatividade ainda devem demorar

São Paulo - Especificações do Java DTV estão publicadas desde dezembro, mas Ginga J ainda não virou norma.

Fabiana Monte

05/03/2009 às 12h41

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Ainda não há um horizonte próximo em relação à produção e à chegada ao mercado dos primeiros conversores para TV digital com aplicações de interatividade. Isso porque, embora as especificações do JavaDTV (com APIs sem custos de royalties) tenham sido concluídas e publicadas no site da Sun em dezembro, elas ainda estão sendo aplicadas ao middleware Ginga J (que utiliza o Java como linguagem de programação).

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Luiz Maluf, diretor da Sun, contabiliza até agora mais de 475 downloads das especificações no site da Sunar e argumenta que, na indústria de microeletrônica, existem padrões de fato. No entanto, enquanto as especificações não passarem pelo processo de consulta pública da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e tampouco forem publicadas, não serão, oficialmente, um padrão a ser seguido pela indústria.

"Quanto tempo levará para que os conversores com interatividade cheguem ao mercado é a pergunta", diz Mário Fried, gerente de projetos do Centro de Estudos Avançados do Recife (CESAR). "Para que qualquer fabricante se sinta confiante o suficiente para colocar um produto no mercado sem o risco de passar por um recall, é preciso haver uma implementação de referência e uma suíte de testes", completa.

Carlos Eduardo Batista, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que participou do desenvolvimento das APIs para o middleware brasileiro, acredita que ainda em março o documento entrará em consulta pública. "O JavaDTV tem que ir para o Ginga J e esse é um processo de reengenharia, de incorporação", explica.

Enquanto o Ginga J não vira norma, surgem as primeiras ofertas comerciais no mercado com o Ginga NCL, ou Ginga 1.0 (que utiliza as linguagens de programação Lua e NCL) concluído há mais de um ano. Nesta quarta-feira (04/03), a empresa RCA Soft Informática anunciou o lançamento do primeiro middleware com suporte a Lua e NCL no mercado nacional.

"Acho uma temeridade termos o Ginga 1.0, porque ninguém troca um firmware do dia para a noite", critica Fried, referindo-se à possibilidade de atualização desse middleware com as especificações do Ginga J quando houver o processo de normatização.

O gerente de engenharia da TV Globo, Carlos Fini, é objetivo. "Ginga 1.0 não é uma norma", argumenta, ressaltando que a emissora tem todo o interesse em promover e utilizar-se do recurso de interatividade assim que houver ferramentas para isso.