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Entrada da Cisco no setor de servidores não importa para o mercado

O blogueiro da Infoworld Bill Snyder aconselha aos leitores ignorar o hype em torno do lançamento da Cisco e defende que o produto não vai mudar o mercado.

Infoworld

23/01/2009 às 8h00

Foto:

A entrada da Cisco
no mercado de servidores
causa bastante discussão, com jornalistas dizendo
que a Hewlett-Packard e a IBM vão perder o sono por conta disso. Isto é, na verdade,
um “pastel de vento”. Não vai gerar dinheiro para a Cisco, não será uma grande escolha
para o setor de TI e não vai mudar o cenário.

Acabar com o hype - muita discussão sobre um tema vazio - é
um ponto critico.

"A Cisco já tem um forte produto no VFrame [fabric
virtualization] e não consegue comercializá-lo. Se a Cisco não consegue
desenvolver esse, por que acredita que pode tentar o mercado [servidor
otimizado para virtualização]?"
questiona a analista Rachel Chalmers, responsável por virtualização no 451
Group. "Isso não muda o jogo," acrescenta.

Um servidor x86 com pouca diferenciação
Ainda que a gigante de redes não tenha dado detalhes, está claro que o novo
produto será um servidor baseado em x86 com um hypervisor e, talvez, com um
software de virtualização sobre o sistema operacional.

Como o presidente da Cisco John Chalmers afirma, diversos servidores já
possuem hypervisor construído, como o RHEL, Suse Linux e Microsoft Windows Server
2008. Então, o que realmente novo o hypervisor da Cisco (que provavelmente é o
da VMware) acrescenta ao mercado?

Evidentemente a Cisco vai adicionar novas funções de rede
aos servidores. Mas um servidor x86 é um servidor x86. Se produzir muitos
deles, a Cisco pode pressionar o preço dos produtos para baixo, o que é um
benefício de curto prazo para TI.

Mas as margens para os servidores já são estreitas e os
preços seguem caindo. No terceiro trimestre, o mercado mundial de servidores subiu
4,4% ante a comparação ano a ano, enquanto o faturamento no mesmo período caiu 5,4%,
de acordo com o Gartner.

Veremos por quanto tempo esses preços vão se sustentar e,
também, vamos acompanhar mais consolidação como resultado.

Se alguém está com problemas para dormir esse é,
provavelmente, o CEO da Sun Jonathan Schwartz. No último trimestre, o
faturamento da empresa com sevidores caiu em 13,7%, três vezes pior do que o
mercado como um todo. Com a atual situação ruim da Sun', qualquer perda de
margem de negócios é muito preocupante.

O motivo pelo qual a Cisco vê valor em servidores
virtualizados

Uma vantagem da Cisco está na
sua proximidade com a VMware
, "então eles podem ter uma melhor
integração, conhecimento sobre o road map de produtos, etc. Isso vai ajudá-los
a criar um produto melhor," disse Bernard Golden, autor do livro Virtualization
for Dummies
(sem edição brasileira).
Contudo: "há tanto desenvolvimento nas áreas de virtualização e cloud que
é confuso".

"Nós vemos isso não como um novo mercado, mas uma
transição de mercado. Nossa visão é 'Como nós virtualizamos o data center
inteiro?' Não se trata de um produto isolado. Nós teremos uma série de produtos
que vai que vai nos permitir essa transição”, disse Padmasree Warrior, CTO da
Cisco, em entrevista ao the New York Times.

Não é tão surpreendente que a Cisco procura a virtualização
quando o seu negócio principal - rede - fica mais lento.

Ainda que a Cisco seja um fornecedor iniciante no mercado de
servidor, ela já possui relações de longo-prazo com as empresas. A empresa obviamente
percebe que a credibilidade com os clientes vai ajudar na venda dos servidores,
mas não está claro se a confiança em um tipo de produto vai ser automaticamente
transportada para outra.

Se a Cisco está realmente séria sobre transformar a
virtualização em uma parte principal do seu negócio, não é absurdo imaginar a
compra da VMware das mãos da EMC. A Cisco possui bastante dinheiro e a EMC talvez
esteja interessada na venda.

O CEO da Cisco
John Chambers não é bobo, mas a entrada em um negócio de
baixa margens com uma estratégia que vai reduzir ainda mais as margens, não
parece uma grande idéia. Além disso, não acho que entrar no caminho de
importantes aliados - Dell, HP e IBM - seja uma
boa idéia.

A Big Blue já eliminou os switch Gigabit Ethernet da Cisco e
novos produtos da empresa de rede também vão entrar na lista. A Cisco minimiza
o conflito com os aliados: "Em qualquer momento que uma grande transição
está acontecendo, haverá grandes companhias que terão que competir em algumas
áreas," disse novamente Warrior ao NYTimes.

De qualquer maneira, existe muito menos na realidade do que
as notícias dão a entender.

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