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A era de ouro da Microsoft acabou?

A Microsoft enfrenta um cenário hostil com a internet e competidores como Google, além de perder o seu fundador Bill Gates.

Computerworld

24/06/2008 às 7h00

Foto:

A Microsoft está em uma das maiores encruzilhadas de sua
história, com o seu co-fundador Bill Gates se preparando para deixar o seu
trabalho no dia-a-dia da empresa na próxima segunda (Leia a cobertura completa
da "Despedida de Bill Gates" na página especial).

Mesmo com Gates anunciado com antecedência a sua saída da
Microsoft - ele entregou a posição de CEO para Steve Ballmer em janeiro de 2000
e seus planos de aposentadoria foram anunciados há dois anos – abundam questões
sobre a empresa, se a era de ouro da Microsoft já acabou.

Por exemplo, o CEO da Forrester Research George Colony escreveu
no dia 16 de junho em seu blog que o “monopólio construtivo” Gates criou uma
série de padrões de facto de TI – para
beneficio da dos usuários, assim como da própria Microsoft.

Colony escreveu que Gates nunca foi um inovador tecnológico,
mas ele "possuía a motivação competitiva para forçar as suas tecnologias
em posição de monopólio no mercado”. Essa motivação, acrescentou Colony, fez
falta para a Microsoft nos últimos anos, com Gates se focando menos na
companhia e mais em suas atividades filantrópicas, permitindo que os rivais Google
e Apple roubassem a cena da TI.

Mais sobre Bill Gates:
> Como será o futuro da Microsoft sem o fundador?
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A Microsoft está se aproximando da meia-idade corporativa - a
empresa foi fundada há 33 anos - está enfrentando mais ameaças do que nunca à
sua posição de líder da matilha.

Para citar alguns exemplos, a padronização da TI -
controlada pela Microsoft – passou a ser desafiada por defensores de formatos
abertos de documentos, ao mesmo tempo em que o software de código aberto, tecnológicas
Web 2.0 e ofertas de software como serviço (SaaS) estão reduzindo o espaço das
lucrativas famílias Windows e Office da Microsoft.

Mas a maior ameaça é o Google. “Quando a Microsoft olha para
o Google, vê uma versão de si mesma mais jovem, musculosa e bronzeada. E diz:
uau!," disse Rob Horwitz, CEO da consultoria Directions.

O Google Docs, o rival online do Office, é uma adaga mirada
ao coração de um dos maiores geradores de lucro da Microsoft. E, todas juntas,
as tecnologias de cloud computing do Google está desenhada para esmagar a
dominação da Microsoft no desktop.

Ao contrário da Microsoft, o Google “não tem que lidar com
processos legais. Este é o motivo pelo qual eles podem atuar como elefantes em
lojas de cristais e experimentar," disse Tim Bajarin, analista da Creative
Strategies.

Alimentado pelo seu negócio gigantesco de publicidade online,
o Google também pode se dar ao luxo de apostar. A maioria dos seus produtos
“matadores-de-Microsoft” ainda estão tecnicamente em beta e são grátis para os
usuários.

O Google está "tentando bloquear a receita para a Microsoft
ao estimular as empresas a não renovar os contratos empresariais com a Microsoft.
Mesmo se [o Google] não ganhar dinheiro, a Microsoft está impossibilitada de
ganhar", apontou Rob Enderle, analista do Enderle Group.

Marcos Pontes

Desafios para o
futuro

Hoje, a Microsoft aparenta um estado de saúde perfeito. A
companhia espera divulgar lucros de 16,4 bilhões de dólares e faturamento de 58
bilhões de dólares  para o seu ano fiscal
de 2008, que termina no dia 30 de junho. Se confirmado, esses números
representam crescimento em dígitos duplos perante o ano anterior.

Além disso, em participação de mercado, o Windows e o Office
continuam com mais de 90% de dominação. Já o negócio de servidores e
ferramentas empresariais é avaliado em mais de 10 bilhões de dólares - que
inclui o Windows Server, SQL Server, Visual Studio e System Center - continua a
crescer e não tem nenhuma oferta rival do Google.

Mas a demonstração de força está trazendo algo de miragem,
de acordo com Enderle. A Microsoft está se focando “demais em receita, pouco na
lealdade do cliente. É bom no curto prazo, mas prejudica demais no futuro”,
disse o analista.

Horwitz destaca que a Microsoft não conseguiu mais
apresentar um produto de grande sucesso “em quase uma década”, mesmo investindo
7 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento. A tecnologia de buscas é um
grande exemplo, e a frustração da Microsoft nesse setor é clara ao ver o
esforço sem sucesso para comprar o Yahoo.

Além disso, os esforços da Microsoft de contra-atacar o Google,
a Salesforce e outros rivais online são minimizados pelo próprio sucesso do Windows
e do Office. Em vez de apostar em estratégia pura de SaaS, a Microsoft adotou
uma estratégia chamada "Software+Serviços" que foi desenhada para
proteger os seus produtos existentes.

O contorcionismo da companhia para preservar seus jogadores
titulares mostrou como uma grande base instalada de clientes pode ser “uma
prisão,” disse Horwitz. O analista prevê que, em menos de dez anos, a Microsoft
vai ser forçada a desmontar completamente o Windows e o Office para análise
mais cuidadosa - o que potencialmente abre espaço para que os clientes troquem
as soluções por rivais.

Problemas internos
Há também problemas internos - como a burocracia e a
complacência que uma companhia deste tamanho pode gerar. Enderle, um antigo
funcionário da IBM, desenha um paralelo entre as duas companhias. “Os problemas
atuais da Microsoft são semelhantes aos da IBM no início dos anos 1990."

Mas isso não significa que a Microsoft está destinada a uma
queda livre. No passado, mostrou a habilidade de enfrentar ameaças como o WordPerfect,
Lotus, IBM, Novell, Netscape - e até o Departamento de Justiça dos Estados
Unidos.

“Não acredito que a Microsoft vai fechar em 2015. Mesmo a
lenta adoção do Windows Vista tem um lado positivo”, disse Enderle. Ele
completou: “Você tem um time de desenvolvimento que tomou um cascudo. Esse time
está motivado para fazer algo dramaticamente melhor."

Horwitz ressaltou que o Google já está passando pelas mesmas
preocupações de monopólio e ciúmes da indústria que a Microsoft enfrentou.

Como outros fornecedores de TI - como a HP e IBM, assim como
a NCR e Xerox - a Microsoft precisa fazer algumas grandes mudanças internas
para continuar sobrevivendo no futuro.

Enderle aponta a HP e a EMC como modelos para a Microsoft. A
EMC tem uma unidade de qualidade de produto e lealdade dos clientes que se
reporta diretamente ao CEO Joe Tucci, enquanto a HP está indo muito bem
financeiramente por conta do seu CEO, Mark Hurd, ter "se focado
agressivamente em operações”, apontou Enderle. Em contraste, ele afirma que Ballmer
é um "super vendedor" que se mostrou relutante de demitir executivos
que estavam tendo desempenho abaixo do esperado.

Nuvem na terceira plataforma

Eric Lai – Computerworld, EUA

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