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Mercado de TI ganha com grau de investimento dado ao Brasil

Elevação da nota de risco de crédito do Brasil deve dobrar volume de investimentos estrangeiros no Brasil e alimentar setor de TI.

Rodrigo Caetano

30/04/2008 às 18h49

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O mercado de Tecnologia da Informação deve ser amplamente beneficiado com a elevação da nota de risco de crédito (rating soberano) do Brasil para grau de investimento, a melhor classificação para trazer investimentos estrangeiros.

Segundo analistas de mercado, o custo para captação de recursos financeiros será menor. Isso significa que será mais fácil para as empresas de TI se capitalizarem, o que deve fazer aumentar os gastos com tecnologia e inovação no País.

“Para o setor de tecnologia a notícia é muito boa. Por serem empresas muito sensíveis às condições da economia, as companhias do segmento se financiam pouco por meio de dívidas. É um setor que depende muito de capital próprio”, explica Alexandre Di Miceli da Silveira, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

A estimativa, segundo o professor, é de dobrar o volume de investimentos estrangeiros no País com a conquista do grau de investimento.

Nicola Tingas, economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) explica que, com a elevação da nota, o valor dos papéis das empresas brasileiras aumenta e o real se fortalece. Por esse motivo, os custos de captação tendem a cair.

Os títulos de dívida, como debêntures, também ficam mais caros. Ou seja, para captar o mesmo montante de recursos, as empresas brasileiras terão de emitir menos papéis.

“Fica mais fácil colocar dinheiro dentro da empresa”, resume Roberto Luis Troster, sócio e economista da consultoria Integral-Trust. Segundo Tingas, com isso as empresas devem aumentar ou acelerar os investimentos para a renovação de seus parques tecnológicos.

Em relação aos IPOs programados, Silveira afirma que, com o grau de investimento, as empresas não terão de se preocupar tanto com 'janelas' (momentos específicos no mercado financeiro em que as condições econômicas são boas).

“O número de IPOs esse ano deve ser menor do que o do ano passado por conta da crise do mercado americano. Mas, com a elevação da nota, as empresas que planejaram abrir capital não precisam se preocupar tanto com as janelas”, explica o professor.

Outro ponto importante, a nota de grau de investimento vai culminar em desvalorização ainda maior do dólar. Para a indústria de TI, isso significa maior facilidade para importar componentes de países como os Estados Unidos.

Hoje (30/04), uma das principais agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s, elevou o rating do Brasil em moeda estrangeira em longo prazo de BB+ para BBB-, o que inclui o País no grupo de países com as menores chances de deixar de honrar suas dívidas.

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