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Quatro exemplos reais de TI verde em grandes empresas brasileiras

Empresas como Banco Real, Unilever, Cemig e Fleury já contam com iniciativas para tornar a gestão de tecnologia mais ecológica.

Flávia Yuri

16/04/2008 às 8h30

Foto:

O caso Cemig
A Cemig, uma das maiores geradoras e distribuidoras de
energia elétrica do país, tornou-se a primeira companhia brasileira a alcançar
o topo do índice da bolsa em seu setor, que reúne 11 prestadoras de serviços
públicos, como energia elétrica e saneamento. Uma das dezenas de iniciativas da
companhia na área ambiental é a distribuição de placas de energia solar.

Em 2006,
a empresa instalou 1.280 placas que convertem energia
solar em eletricidade na zona rural de Minas Gerais e, dessa forma, conseguiu
levar energia elétrica para os vilarejos mais distantes sem custo para o
consumidor.

Para tentar aplicar e gerir as iniciativas de sustentabilidade em
todas as pontas de suas operações, a orientação da Cemig é de que cada diretor
e gerente seja responsável por identificar as iniciativas verdes dentro de suas
áreas. “Essa responsabilidade consta na descrição de funções de cada executivo
aqui dentro”, diz Ricardo Prata, gerente da área de responsabilidade ambiental
e social da Cemig.

Na esteira da política de racionalização de energia de toda
a empresa, a área de TI substituiu a iluminação de mercúrio por lâmpadas de
sódio, que é mais eficiente. A empresa não tem a medição da economia alcançada no
data center, mas na iluminação pública, 58 mil pontos substituídos por sódio
contabilizaram a economia de 18 mil MW/h em um ano.

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“Essa quantidade de energia
é suficiente para suprir 14 mil residências”, diz Prata. A decisão de
substituir o monitor convencional pelo de LCD também visa economizar energia
elétrica. Por enquanto, a empresa trocou 25% do parque. Até o fim do ano, todos
os monitores dos escritórios serão LCD.

TI Verde: Banco Real e Unilever
O caso da Cemig exemplifica bem o que vem acontecendo com a
tecnologia das empresas mais ecologicamente engajadas do país. A área de TI
adota medidas sustentáveis como reflexo da política corporativa.

“É cedo para
falar em se ter um plano de governança em TI verde. As empresas ainda estão
investigando o que pode ser feito nessa área”, diz Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca,
diretor de tecnologia da Febraban e executivo do Banco Real.

“Estamos com um programa global de levantamento de
informações sobre a operação, os procedimentos e o consumo da área de TI pra
montar uma política consistente de TI Verde. O Brasil está em sintonia com o
que acontece no mundo, nesse aspecto. Este é o período de levantamento de dados
em todas as operações dos 150 países em que estamos presentes”, diz Gonzalo
Esposto, vice-presidente de TI Global Services para as Américas da Unilever.

Mas se TI Verde ainda é um braço da política de
sustentabilidade das empresas, isso não quer dizer que as iniciativas que já
existem não tenham reflexos importantes.

No Banco Real, o projeto batizado de
Blade PC, de substituição de computadores, gerou economia de 62% de consumo de
energia elétrica e de 75% de ar condicionado.

“A economia financeira projetada
para o período de quatro anos, apenas para as operações de mesa e tesouraria do
banco, é de 335,7 mil dólares”, diz Sérgio Constantini, CIO do Banco Real.

Na própria Unilever, empresa que investe em sustentabilidade
há mais de dez anos, o programa de consolidação do parque de impressoras
reduziu o número de equipamentos em 60% “Não temos os números fechados ainda,
mas posso afirmar que o volume de impressão caiu drasticamente”, diz Esposto.

O fator impressão
Política de impressão é uma das iniciativas que costumam
gerar resultados rapidamente nas empresas.

Na Cemig, esse programa está em
vigor desde 2006 e inclui governança e boas práticas, impressão frente e verso
e recarregamento de toner. “Somente nos quatro primeiros meses de implantação
dessas medidas, a empresa contabiliza 34% de economia de papel”, diz Sérgio
Andreotti Tasca, superintendente de TI e Telecom da Cemig.

No Banco Real, a preocupação em diminuir a circulação de
papel fez com que a empresa investisse em sistemas de workflow com assinatura
eletrônica. A medida possibilitou a eliminação de 400 mil folhas de papel por
ano.

O Fleury Medicina e Saúde é outra companhia que colhe bons frutos do
programa de impressão. Em 2006,
a redução de consumo foi de 6,1% e em 2007, 5,6%.
Além disso, desde 2007, a
empresa adotou algumas normas que a área de TI deve seguir antes de contratar
fornecedores.

“Criamos um questionário sobre questões relacionadas ao meio
ambiente. O fabricante ou prestador de serviço recebe uma pontuação baseada
nesse documento. Essa foi uma orientação que veio do presidente da empresa”,
diz Teresa Sacchetta, CIO do Fleury Medicina e Saúde.

Dar prioridade a fornecedores que invistam em programas de
reciclagem é uma forma encontrada pelas companhias para incentivar a prática.
Na Cemig o departamento de suprimentos é responsável pelas especificações de todas
as compras. Dentro de cada especificação há exigências sobre medidas
sustentáveis. Na área de TI, no entanto, não é possível manter essas
exigências, já que os fornecedores não estão preparados para atendê-las. A
saída encontrada pela Cemig foi criar alternativas de reciclagem e
reaproveitamento.

A empresa participa do programa do governo mineiro, Servas – Serviço de Voluntariado e Assistência Social, recondicionando e doando equipamentos, como PCs e impressoras. O Fleury foi outra empresa que tomou para si a responsabilidade sobre a destinação dos equipamentos. “Os fornecedores que têm um programa de retorno de materiais ainda são raros, por isso pagamos uma companhia para realizar a reciclagem de equipamentos de TI”, diz Teresa Sacchetta.

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