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Análise: Por que a IBM vendeu sua área de PCs?

A difícil diferenciação entre os fabricantes e a dificuldade de manter lucros de forma consistente estão entre as razões do acordo IBM e Lenovo.

Tradução de IDGNow!

08/12/2004 às 19h47

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Talvez não seja tão surpreendente quanto a Ford vender, de repente, a sua marca de carros esportivos Mustang para a Hyundai. Mas a decisão da IBM de vender sua divisão de PCs para a chinesa Lenovo enfatiza os desafios que os fabricantes enfrentam neste negócio, mesmo para uma companhia que era sinônima do produto.


Em termos de vendas, por vários trimestres a IBM estava em um distante terceiro lugar no mercado global de PCs, atrás de Dell e HP, respectivamente. No entanto, o papel histórico da IBM no desenvolvimento do PC dava um status extra entre certos usuários.


Por que a IBM deixou o mercado de PCs? Simples. É muito difícil para a maioria das empresas gerar resultados positivos de forma consistente, avalia Roger Kay, vice-presidente da consultoria IDC.


Entre os fabricantes, apenas a Dell, acredita Kay, com seu modelo de vendas diretas e gerenciamento de estoque tem conseguido lucros consistentes com a venda de PCs.

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Componentes como memória e monitores têm flutuações altas de preços e os PCs são cada vez mais difíceis de diferenciar, fazendo com que a maioria dos vendedores façam acordos com as empresas de design e manufatura da China e de Taiwan.


Os fabricantes tradicionais de PCs têm gastado a maior parte de seus tempo nos últimos anos em busca de oportunidades para crescer suas receitas fora do mercado de PCs, que é considerado saturado por elas.


A Dell e a HP, por exemplo, desenvolveram divisões de produtos eletrônicos, mas a IBM gastou a maior parte de tempo incentivando a área de software e servidores de grande porte, bem como aumentando a oferta de serviços, com a aquisição da PwC Consulting.


O acordo com a Lenovo dá à IBM quase uma década de ganhos para sua divisão de PCs. E tudo isso em um simples acordo. Ao mesmo tempo, a empresa poderá reter importantes clientes corporativo, fiéis a linha de notebooks ThinkPad, como o computador básico para seus funcionários.


Do lado da Lenovo, o acordo com a IBM abre as portas para a fabricante chinesa para os mercados norte-americanos e europeus. O crescimento do mercado de PCs, é verdade, vem de países emergentes na Ásia, no Leste Europeu e na América do Sul, mas os usuários corporativos são atraentes porque produtos para esse segmento têm margens altas, diz Kay, do IDC.


A Lenovo, explica o analista do IDC, está também adquirindo o segundo maior fabricante de notebooks da China, colocando-a em uma posição dominante em seu mercado nativo.


O passo da IBM é o primeiro round da consolidação do mercado de PCs. Outros vendedores, com esse acordo, vão repensar sua estratégia de mercado. O Gartner recentemente previu que três dos 10 maiores fabricantes de computadores iriam deixar o mercado até 2007.


Com a união de forças da IBM, terceiro lugar no ranking global de PCs, e da Lenovo, número oito, os holofotes agora voltam-se para a HP. Carly Fiorina, principal executiva da empresa, ainda tem dificuldades para convencer os analistas de que a aquisição da Compaq valeu o tempo e o esforço.


Em um encontro com analistas, nesta terça-feira (07/12), em Boston, nos Estados Unidos, a executiva revelou que o conselho da HP chegou a considerar uma divisão no passado. Se o crescimento do mercado de PCs estagnar em 2005, como prevê Gartner e IDC, a HP pode se encontrar fazendo as mesmas considerações que levaram ao acordo IBM e Lenovo.

Tom Krazit - IDG News Service/EUA