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B2C cresce, mas ainda não aparece no Brasil

Parcerias com grandes portais, aumento de opções de pagamento virtual, marketing direcionado, descontos agressivos, investimentos em logística e segurança por parte dos sites de e-commerce foram armas eficazes, mas ainda não consolidaram o processo de compra online no mercado brasileiro.

Daniela Braun

08/01/2001 às 13h35

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Operações de e-commerce como os sites ShopFácil, Submarino e Americanas.com comemoraram, na primeira semana deste mês, os resultados de suas vendas durante o ano 2000 e, especialmente, neste final de ano.

Para João Bustamante, analista de Internet da IDC (International Data Corp), o aumento das vendas via Internet no Brasil, de US$ 78 milhões, em 1999, para US$ 125 milhões no ano passado, atesta que os sites de e-commerce procuraram ser "bons meninos" e, por isso, receberam seus carrinhos virtuais cheios de cifras como resultado do bom comportamento nos negócios durante o ano passado.

O Natal do Submarino (www.submarino.com.br), segundo balanço encaminhado pela empresa, foi dez vezes mais gordo em 2000 do que em 1999.

No período de 15 de novembro a 24 de dezembro, a empresa movimentou quase R$ 10 milhões, originados por mais de 150 mil pedidos de todo o País. Dados do final de dezembro, indicam que 99,7% dos 300 mil itens entregues neste período chegaram sem atrasos.

A Americanas.com (www.americanas.com.br), por exemplo, declarou ter realizado todas as entregas de compras de final de ano dentro do prazo previsto, com um índice de 99% de acerto.

Como resultado, a operação online das Lojas Americanas, informa ter recebido uma média de 70 mil acessos por dia a seu site, o que representa um aumento de 40% e o dobro de faturamento em relação ao mês de novembro de 2000.

"As parcerias que estes sites estão fazendo com os portais que têm uma visitação muito grande são uma ferramenta muito importante para o incremento nas vendas", destaca Bustamente, afirmando também ter recebido e-mails direcionados neste final de ano, sinalizando outra estratégia muito utilizada pelas operações de vendas online.

Investimentos em segurança e maior variedade de opções de pagamento, além dos cartões de crédito, como boletos bancários, transferências eletrônicas e os cartões virtuais "e-cards" também ampliaram o público consumidor e ajudaram a reduzir o número de carrinhos virtuais largados antes da confirmação de compra na Internet, segundo o analista da IDC.

Odécio Gregio, diretor da Scopus.com, empresa do grupo Bradespar, que lançou o portal de e-commerce ShopFácil (www.shopfacil.com.br) no dia 12 de novembro, destaca que as parcerias com o portal MSN, anunciada em dezembro, e com o Internet Banking do Bradesco, além de uma intensa campanha publicitária, alavancaram a marca de 200 mil pageviews às 431 lojas cadastradas no portal até 31 de dezembro. <p.

"Não recebemos nenhuma reclamação", ressalta Gregio, a respeito das entregas neste período. O executivo afirma aguardar o balanço final mais detalhado da operação mas estima que o volume de vendas com a utilização da carteira eletrônica tenha aumentado 2,53 vezes.

Comparados a outros países como os Estados Unidos, por exemplo, os carrinhos virtuais brasileiros ainda tem muito o que rodar. "Hoje, apenas 10% dos 6 milhões de internautas brasileiros — em sua maioria das classes A e B — compram na Internet, sendo que 50% dos usuários norte-americanos já freqüentam os shoppings online", compara Bustamente.

O aspecto cultural é um dos principais fatores para o baixo consumo dos brasileiros via Web. "A aquisição à distância, mesmo através do telemarketing ainda não é um costume nosso. Além disso temos o receito quando à falta de segurança", observa o analista da IDC.

Apesar do baixo índice de erros nas entregas reportados por estes portais, Bustamante destaca que a logística ainda tem muito o que crescer como peça-chave para as vendas online.

"A logística está melhor do que no ano passado. Hoje, existem empresas especializadas em logística só para comércio eletrônico, mas não vemos como um processo ideal para o B2C", declara.