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Salve a era do e-people!

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O gerente sênior da KPMG Consulting, Oliver Cunningham, ressalta que as oportunidades no mundo do e-business são reais e muito atraentes, mas sem pessoas capazes de alavancar a tecnologia Web bruta em uma iniciativa de comércio eletrônico, o que se verá é uma continuidade da mediocridade e dos erros que já provocaram uma altíssima taxa de mortalidade para as organizações pontocom.

admin

08/01/2001 às 17h12

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Noventa e cinco por cento é a taxa de mortalidade para organizações pontocom. Até recentemente, esta taxa girava em torno de 90%. Apesar da estatística referir-se somente às empresas pontocom, a experiência demonstra que ela se aplica também a projetos de empresas em geral.

Um índice desta natureza, ainda que focado em pontocom, exige uma avaliação das causas da tamanha falência no desenvolvimento de projetos de e-business, que teoricamente, deveriam promover a revolução nos mercados pelo mundo.

Seria superficial dizer que existe uma única causa para este fracasso. Projetos de e-business oferecem um mar de oportunidades e, muitos, estão convencidos disso.

Porém, o aproveitamento da oportunidade exige disciplina, conhecimento técnico e um real entendimento do que as tecnologias web representam em termos de impacto nas atividades do negócio. Isto posto, é importante salientar quem é capaz de transformar tudo isso: as pessoas!

Projetos e iniciativas bem sucedidas são, ou pelo menos deveriam ser, cercadas de determinadas características que garantam a mínima coerência do modelo de execução. Características estas fundamentalmente dependentes de pessoas.

Primeiramente, a coerência do modelo é uma função do desenhista e arquiteto que solidificam em um modelo de negócios, que, por conseguinte, deve ser extremamente competitivo, quando externo, ou fonte direta de vantagem competitiva, quando interno.

Finda a fase de conceituação, a parte mais difícil deste tipo de projeto começa. Existe pouco entendimento do grau de disciplina associada à implementação de um projeto de e-business. A disciplina está diretamente relacionada ao quanto os executores a entendem como fator importante para o sucesso.

Conclui-se então, que o domínio das características e das propriedades das tecnologias web é vital para que os criadores consigam produzir um modelo de negócios que realmente contenha valor, e que seja executado, dentro dos níveis de investimento e prazos que garantam viabilidade ao empreendimento.

Entretanto, o que assistimos hoje é uma taxa de falência astronômica destas empreitadas e uma contínua negligência de treinamento direcionado a fornecer à força de trabalho das organizações um entendimento mínimo da atividade de e-business.

A experiência tem detectado que se há um maior grau de compreensão das variáveis envolvidas, automaticamente, os projetos apresentavam uma maior qualidade conceitual e uma execução eficaz.

A prática de e-learning tem sido um meio de treinamento, efetuado através de várias mídias, mas com ênfase na web, altamente interativo e que tem atendido esta enorme deficiência na área. De fato, uma vez que as ferramentas estejam presentes, pode-se alavancar uma plataforma de e-learning para efetuar distribuição de conhecimento em vários níveis e temas.

Se considerarmos que os 5% bem-sucedidos dos empreendimentos pontocom, na sua transformação e incorporação de tecnologias web demonstram que parte da receita do sucesso é difundir uma cultura bottom-up (de baixo para cima), fica mais evidente que as pessoas que executam as tarefas críticas dentro de suas empresas necessariamente devem possuir um bom domínio das tecnologias que podem alterar sua forma de atuação. Indo mais além, elas podem transformar este conhecimento em idéias de valor para a organização.

Não observaremos uma melhora na taxa de sucesso de projetos enquanto os assuntos pessoas e conhecimento forem relegados a um segundo plano, depois das considerações sobre negócios e sobre tecnologia. As oportunidades são reais e muito atraentes, mas sem pessoas capazes de alavancar a tecnologia web bruta em uma iniciativa de e-business, o que veremos é uma continuidade na mediocridade e no erro.


* Oliver Cunningham é gerente sênior da KPMG Consulting