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E-business de papel

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Com mais de 120 empresas prontas para fazer negócios, o portal virtual InterforB, de produtos e insumos para o setor de papel e celulose, entra na arrancada final, com toda a área de TI hospedada num parceiro de ASP.

admin

05/01/2001 às 16h56

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Cinco anos atrás, quando ainda trabalhava na Riocell, o engenheiro Aldo Sani Jr. procurou empresários da área de papel e celulose no Brasil e no exterior para abrir um negócio na Internet. A idéia era criar uma central de compra e venda de insumos e produtos de papel e celulose à qual fabricantes, clientes e fornecedores estariam conectados via Web. Ninguém demonstrou interesse pelo projeto. Hoje, com os ventos soprando a favor da “nova economia”, esse negócio tem um nome: portal ou marketplace.

“Não existiam esses termos na época, mas a Internet já mostrava sinais de prosperidade e havia tecnologia suficiente para se manter um negócio na Web”, ressalta Sani Jr. Ele lembra que os executivos adoravam a idéia, porém, não confiavam que a Internet pudesse vir a alavancar algum empreendimento. “Eu sabia que o fator segurança pesava, mas o calcanhar-de-aquiles era cultural. Por incrível que pareça, em 1996, algumas pessoas diziam que o projeto estava chegando tarde ao mercado”, conta.

O negócio funcionaria como um grande supermercado virtual, só de produtos comprados e vendidos para a indústria de papel, celulose e madeira. Entretanto, foi somente em meados do ano passado que o engenheiro conseguiu um aliado para tocar seu projeto, o executivo Sérgio Kilpp, diretor comercial da Riocell – empresa da área de papel e celulose.

O modelo de supermercado foi descartado para dar lugar ao de shopping center, onde cada empresa teria a sua própria loja virtual. A diferença é que os compradores e vendedores estariam conectados e realizariam negócios sem a interferência do shopping.

Para viabilizar esse novo modelo, começou-se a prospectar no mercado um sistema integrado de gestão que fosse orientado a objeto. “Precisávamos de um ERP que contivesse modelos de negócios utilizados em compra, venda, estoque e serviços de logística”, ressalta.

Projeto real

Nesse novo ambiente de shopping center, com muitas empresas congregadas, era preciso estar preparado para receber novos associados. Um ERP convencional não poderia suportar esse modelo de negócios. Seria necessário buscar um sistema “modificável”, que permitisse adequações para suportar essa nossa visão.

linguagem de programação C

Depois de pesquisar vários produtos no mercado, optou-se pelo sistema integrado Applications, da IFS. Tratava-se de um sistema com tecnologia 100% orientada a objeto que permitia plugar os complexos componentes do portal aos módulos do ERP.

Ao mesmo tempo que o projeto contratava a IFS como sua parceira de tecnologia, também ganhava um nome: InterforB, sigla de Internet Forestry Business. “Começamos a elaborar um protótipo conceitual do projeto e partimos para uma simulação das funcionalidades básicas do site”, salienta o engenheiro.

Entre dezembro e janeiro deste ano o InterforB passou por uma bateria de testes em clientes de porte, como: Aracruz, VCP, Bahia Sul, Suzano, Ripasa, Klabin, entre outros. Dois meses depois o projeto ganhou força com a entrada de um sócio capitalista, a Inova Investimentos, liderada pelo empresário Ivoncy Iochpe. O que era um protótipo transformou-se num projeto real.

O modelo de negócios utilizado na InterforB é inovador, garante o engenheiro Sani Jr. Ele diz que nos Estados Unidos existem portais B2B na área de papel e celulose, porém, com modelos mais simples. “Utilizam como ferramenta principal o e-procurement, além de leilões e classificados eletrônicos”, explica o diretor de tecnologia dizendo que, na Europa, o B2B ainda está em fase de iniciação.

Já o portal InterforB utiliza um modelo diferente. “Aqui nós atingimos toda a cadeia de negócios que pode ir de uma simples venda por cotação eletrônica até uma venda planejada, na qual fornecedor e comprador realizam um negócio totalmente customizado. E somente eles têm acesso às informações”, resume Sani Jr.

Num futuro breve, o InterforB possibilitará que cada loja customize as condições comerciais e também o conteúdo do negócio. “Vamos permitir que as empresas se diferenciem uma das outras, assim como em um shopping. É como se o site do cliente estivesse hospedado dentro do portal. “Esse é o nosso grande diferencial”, salienta Sani Jr.

Único parceiro

Ao mesmo tempo que entrava o sócio capitalista, a IFS apresentava para a InterforB um novo modelo de negócio: o ASP – Application Service Provider. “Analisamos as diversas alternativas apresentadas e concluímos que esse conceito se encaixava em nosso negócio. O ASP permitia que focássemos o nosso core business e que tivéssemos toda a nossa área de TI gerenciada por um único parceiro”, argumenta o diretor de tecnologia do portal.

O engenheiro admite que caso a InterforB fizesse a opção por um modelo de TI convencional, teria que gerenciar vários fornecedores de tecnologia e suas interfaces. “Imagine uma interrupção do site? Quem se responsabilizaria? E o jogo de empurra?”, questiona.

A IFS é hoje o principal fornecedor e integrador de sistemas. Oferece seis tipos de serviço para a InterforB: desenvolvimento, manutenção e melhorias do sistema, operação do ASP, help desk, treinamento e projetos de conectividade que ligam o site aos sistemas do cliente.

Com essa quantidade de serviços entre as duas partes, a IFS já se tornou para a InterforB mais que um provedor de ASP. “Costumo dizer que eles são um BSP – Business Solution Provider”, define Sani Jr.

Apesar desses serviços ultrapassarem a casa dos 100 mil reais/mês para a InterforB, ele diz que se a empresa virtual abrigasse em seus domínios a área de TI os custos poderiam ser até ligeiramente menores, mas em compensação o investimento seria muito superior. “Esses custos poderiam ultrapassar a casa dos 700 mil reais”, calcula.

Para o diretor de tecnologia da InterforB, a confiabilidade do provedor e a metodologia de coordenação entre os diversos serviços prestados são essenciais para que exista harmonia entre o fornecedor de ASP e o cliente. “O quesito segurança é muito importante. Exigimos da IFS o ´estado da arte` em termos de tecnologia, como pacote de equipamentos de rede Cisco, servers IBM (Intel), conexão a Web via Embratel e certificação Certsign”, observa.

Qualidade de serviços

A monitoração do serviço prestado pelo provedor é indispensável, na opinião do engenheiro. “Não adianta achar que é só pegar o negócio, transferir para um provedor de ASP e esquecer. A empresa precisa conviver com o parceiro, gerenciando e exigindo constantemente qualidade de serviços” aconselha.

O universo de fornecedores que compõem esse mercado é de aproximadamente 5 mil empresas. Esse segmento tem pelo menos 300 indústrias de pequeno, médio e grande porte. Já o mercado comprador desse tipo de produto é incalculável. Para se ter idéia, existem em torno de 6 mil gráficas no país que dependem desse tipo de produto.

Sani Jr. informa que a InterforB já tem 120 empresas inscritas para fazer negócios na Web e pelo menos outras 600 já indicadas por vendedores e compradores.

O portal B2B de papel e celulose já iniciou a fase de treinamento dos usuários. A empresa virtual pretende treinar até dezembro cerca de 600 profissionais que atuam na área de compra e venda de insumos e produtos da cadeia de papel e celulose. O InterforB possibilitará a esses usuários a utilização de vários modelos de negociação, de forma eletrônica, tornando as operações mais rápidas e baratas.

“Acreditamos que pelo menos 80 grandes compradores e vendedores que integrarão o InterforB terão seus sistemas conectados ao nosso site”, prevê o diretor de tecnologia do portal.

Ele salienta que os serviços prestados pelo portal serão remunerados de acordo como o volume transacionado e com as particularidades de cada negócio, como, por exemplo, tipo de conectividade, margem nos produtos, número de transações, entre outros. “Dependendo do tamanho e do tipo de empreendimento, os clientes pagarão de 20 reais a 20 mil reais” salienta o engenheiro Aldo Sani Jr.

Para a IFS Brasil, o portal B2B InterforB não só inaugurou sua divisão de serviços ASP no país – o @IFS – como também abriu as portas para as grandes implementações de comércio eletrônico. O diretor de tecnologia da subsidiária brasileira da IFS, Sérgio Almeida Dias, ressalta que o @IFS está apto a operar o sistema integrado IFS Applications, com soluções de e-business e Internet, e a monitorar e atualizar as informações do cliente. “ Trata-se do primeiro projeto 100% ASP que utiliza um sistema gestão empresarial na sua retaguarda” salienta Dias.