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Mercado movimenta US$ 35 bi em 2000

IDC Brasil conclui que corporações estão mais dispostas a investir. A Internet é a propulsora do mercado e consumirá, em 2001, 37% dos gastos.

admin

05/01/2001 às 18h04

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Acompanhando o frenesi do mercado de tecnologia da informação (TI), que há alguns anos movimentava-se pelos software ERP e hoje está nas garras da Internet, a International Data Corp. (IDC) Brasil acaba de concluir, após levantamento feito junto a 438 corporações, que o Brasil está gastando mais em TI, ficando atrás apenas do México na América Latina. Os investimentos locais superam, inclusive, os feitos nos Estados Unidos, onde as taxas variam em torno de 8% ao ano, enquanto por aqui chegam aos 12%.

A pesquisa denominada IT e Telecom Investments Trends inclui dados de telecomunicações e Internet. Hoje, o mercado movimenta US$ 35,9 bilhões, sendo 37% em TI e 63% em telecomunicações. A previsão brasileira para 2004 chega aos US$ 54,9 bilhões.

“Nas várias análises feitas, procuramos entender as prioridades das empresas ao adquirirem soluções variadas”, explica Gerd Sousa, gerente de Programa de Pesquisa e Comunicações da IDC Brasil. As frentes de TI e Telecom foram abertas junto a 438 corporações médias e grandes de todo o Brasil, que forneceram dados de diferentes áreas, estando manufatura como a mais pesquisada.

A expansão da Internet, advinda do aumento no consumo de desktops, é mais um fator decisivo aos novos gastos em TI, acompanhado pela inflação sob controle, privatizações e globalização da economia.

Para se ter idéia do crescimento da economia brasileira após a abertura de mercado em geral, de 1995 a 1998 o total trazido ao Brasil foi de US$ 5,1 bilhões. Já do ano passado até agora, o investimento estrangeiro atingiu US$ 62,9 bilhões, impulsionado principalmente pelas novas operadoras de telecom e pelo setor de utilities.

Sem fronteira

Especificamente em TI, em 2000, 38% ficaram com IT services; 13% com software (pirataria não incluída); 8% corresponderam por servidores, assim como o mesmo volume ficou com comunicação de dados. Já os PCs e workstations consomem 22% do mercado e os periféricos somam 10%. Dos investimentos em telecomunicações, 7% são consumidos por comunicação de dados. As ligações de longa distância ficam com 27%; telefonia local responde por 31%; e telefonia móvel consome 35% do total. Os dois primeiros itens são os que mais crescem atualmente.

linguagem de programação C

Daniel Long, analista de mercado da IDC, responsável pela pesquisa IT e Telecom Investments Trends, anuncia quais são as prioridades dos negócios atualmente. “Reduzir custos, entender melhor o cliente, melhorar a infra-estrutura de TI, implantar produtos e serviços mais rapidamente e ampliar a integração com fornecedores”, relaciona.

Entrando ainda mais fundo em software, os mais cotados pelas companhias são, nesta ordem, aplicativos corporativos, aplicativos para uso em escritório, infra-estrutura de sistemas, ferramentas de desenvolvimento e de gerenciamento de dados.

Quando o assunto é serviço, a pesquisa mostra que o trio suporte, manutenção e treinamento está no topo da lista de investimentos. Integração de sistemas e desenvolvimento de software vêm como segundas intenções, seguidos por consultoria em tecnologia, a dupla processos de negócios e outsourcing e, por fim, ASP (Application Service Provider).

Nas área de telecomunicações, qualidade e eficiência são as preocupações principais do setor. Competência tecnológica e capacidade de atualização do parque ocupam os segundo e terceiro lugares da lista. A solução planejada para 2001 que mais atrai as empresas é a convergência de voz e dados. O índice de 7% atuais vai subir para quase 40% no ano que vem.

De forma geral, 51% das empresas pesquisadas pretendem aumentar os gastos em TI em 2001, com incrementos que podem superar em 40% o que é investido hoje. Em 39% das empresas, os gastos permanecem iguais; 5% delas declararam que vão pisar no freio no próximo ano; e 2% ainda não sabem quanto vão despender em 2001.

e-Business lidera investimentos

As pequenas e médias empresas internacionais também compõem o grupo que deve entrar no comércio eletrônico em 2001, impulsionadas por suas matrizes. Apesar disso, este grupo está atrasado em relação às grandes corporações pela falta de orçamento específico para a Web. Gerd Sousa, gerente de Pesquisa e Comunicações da IDC Brasil, explica que as polêmicas com segurança estão atrapalhando o crescimento de alguns fornecedores, “porque as pessoas ainda temem pelo que às vezes nem pode acontecer”.

De qualquer forma, o orçamento reservado para Internet vem crescendo. Em 2001, o volume deve chegar a 19,5% do total gasto em TI. A Web receberá os maiores investimentos do ano que vem (37,6%), a frente de ERM (22,9%) – que contempla ERP e Supply Chain –, CRM (21,4%) e data warehousing (18,1%).

|Computerworld - Edição 334 - 18/12/2000|