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Venda pay-per-view chega aos servidores

Fabricantes importam modelo das operadoras de TV a cabo, dando maior flexibilidade para o usuário habilitar processadores de acordo com o crescimento do negócio.

admin

04/01/2001 às 14h09

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A criatividade dos fabricantes de servidores desta vez foi longe e está jogando por terra qualquer previsão de que estavam esgotadas as possibilidades de negociação dos equipamentos. As máquinas, agora, podem ser compradas com configurações topo de linha, mas utilizadas temporariamente como pequenos servidores duoprocessados. O marketing dos fornecedores foi se inspirar nas operadoras de TV a cabo, que permitem aos telespectadores adquirir apenas os filmes e jogos de futebol que lhes interessar.

Válido inicialmente para máquinas Risc, o programa conhecido como CPU Sob Demanda, visa facilitar a vida de novos empresários, cuja capacidade de investimento ainda é limitada como as pontocom, mas que têm expectativa de crescimento rápido. O X da questão é a dificuldade de planejar esta expansão.

Sendo assim, os fabricantes enviam aos usuários equipamentos com até 32 processadores que podem ser habilitados gradualmente, de acordo com a necessidade de cada um. A proposta aumenta o custo do equipamento – 15%, no caso da IBM, e 6% nos servidores HP – mas, em compensação, dá maior flexibilidade ao usuário que se vê incapaz de dimensionar as suas ampliações operacionais.

Como no pay-per-view, as corporações ganham também agilidade. As propostas da maioria dos fabricantes é habilitar processadores remotamente, ou seja, a partir do momento em que o usuário colocar em funcionamento um ou mais processadores, o sistema operacional envia uma mensagem para o fabricante avisando a necessidade de emitir uma nova fatura de venda.

Os fabricantes que já definiram as suas políticas
de CPU sob demanda
cobram adicionais:
HP 6%
IBM15%
Sun indefinido

O modelo já vem sendo praticado no mercado norte-americano há algum tempo, mas no Brasil esbarrava nas dificuldades fiscais. Como registrar a saída de um equipamento de grande porte com um preço equivalente ao de um servidor mais simples? Quem arcaria com os impostos? A Hewlett-Packard respondeu a estas questões com o programa ICOD (Instant Capacity On Demand) com o qual faz uma espécie de “empréstimo” ao usuário.

“Quando enviamos um processador ICOD, ele é mantido sob propriedade da HP e fica com o cliente no modelo de demonstração. Assim que ele for habilitado, os impostos são cobrados”, explica o gerente de Marketing para Servidores Risc da companhia, Jaison Patrocínio.

linguagem de programação C

Impasses

O programa também foi anunciado pela IBM à época do lançamento dos servidores e-Servers, a partir do qual todos os equipamentos da big blue foram requalificados para o mundo Internet. Mas é válido apenas para alguns equipamentos topo de linha – famílias S/390, Risc 6000 (modelos S80 e PSeries 680) e AS-400 (modelo 840) e ainda não está sendo praticado no país.

“A estratégia foi anunciada, mas não está sendo praticada”, explica Antonio Barros da Silva, gerente de Marketing Web Server da IBM. Segundo ele, o obstáculo é a cobrança de impostos. “Estamos definindo se a cobrança será no momento em que a máquina é enviada ou se quando os processadores forem habilitados”, diz. O executivo estima que em janeiro a big blue consiga operacionalizar a política de comercialização.

A HP só pôde desenvolver e lançar o ICOD no país, há aproximadamente um ano, porque desde então vem se preparando para a montagem dos servidores de médio e grande portes no Brasil – L2000 (com 4 CPUs) e Superdome – promovendo uma estocagem local de partes e peças. “Temos clientes nas áreas de telecomunicações, seguros e manufatura utilizando o programa”, comemora Patrocínio, ao apontar a Porto Seguro como uma das 20 corporações que já aderiram ao ICOD no país.

Outros fabricantes, no entanto, ainda negociam com as suas matrizes um orçamento extra para garantir o pagamento dos servidores em médio e longo prazo. Um dos exemplos é a Sun Microsystems. A companhia já oferece a opção aos usuários nos Estados Unidos, mas a sua subsidiária reconhece que o grande impasse é o pagamento das taxas públicas. “A parte técnica do projeto já foi concluída”, afirma o gerente de Produtos, Boris Kuszka, ao revelar que a cobrança de impostos está nas mãos de advogados da companhia que ainda não chegaram a um consenso.

Em observação

Alheias à movimentação dos concorrentes, mas observando o comportamento do mercado, estão Compaq e Unisys. Os representantes das duas companhias alegam que o modelo não é maduro o suficiente para ser implementado não só no Brasil como em outros países.

“No mundo a Unisys não tem esta política, mas está investigando, principalmente para o segmento de ASPs (Application Service Providers)”, declara o diretor de Tecnologia para Servidores Enterprise, André Vilela. Segundo ele, só no ano passado a companhia lançou o servidor de grande porte baseado em tecnologia Intel, o ES 7000, que suporta até 32 processadores.

Carlos Salgado, diretor da Unidade de Negócios Corporativos da Compaq, declara que a empresa ainda não possui um modelo estruturado para a venda de CPU sob demanda, mas lança mão de algumas artimanhas para atender a corporações com dificuldades de dimensionar não apenas o crescimento contínuo como o pontual. “Analisamos caso a caso e acompanhamos o comportamento do negócio do cliente. Se for necessário, ofertamos empréstimos momentâneos”, declara o executivo.

|Computerworld - Edição 334 - 18/12/2000|