Aplicações > Aplicativos

WWF lança ferramenta gratuita que mede risco hídrico no Brasil

Ferramenta, que possui adaptações específicas para mais de uma centena de commodities agrícolas, está sendo ampliada com dados de alta resolução para o país

23 de Novembro de 2017 - 19h26

As empresas brasileiras poderão contar a partir de agora com uma ferramenta para avaliar os riscos físicos, regulatórios e reputacionais relacionados à gestão da água, além de obter orientações sobre o que fazer em resposta a esses riscos, de modo a mitigar esses riscos e fazer o uso sustentável da água.

Trata-se da Ferramenta de Risco Hídrico (WRF - Water Risk Filter, em inglês) mapeada com dados em alta resolução para o Brasil. Desenvolvida pela Rede WWF e pela instituição alemã de desenvolvimento financeiro KfW/DEG, a ferramenta é totalmente gratuita e 100% digital, e já foi utilizada por mais de 1,5 mil organizações de 32 setores da indústria que avaliaram suas instalações em mais de 400 das maiores bacias hidrográficas do globo.

A ferramenta, que possui adaptações específicas para alguns setores da indústria e mais de uma centena de commodities agrícolas, está sendo ampliada com dados de alta resolução para cada país e o Brasil está entre os dez primeiros países a lançar seu mapa de Ferramenta de Risco Hídrico.

“A ferramenta em escala global já foi aplicada para avaliar o risco de mais de dois mil locais no Brasil, seja por empresas ou terceiros, evidenciando grande interesse pela mesma”, diz Mariana Napolitana, coordenadora da iniciativa de água da WWF-Brasil. Dentre os setores com maior número de avaliações no Brasil até hoje estão às empresas de bebidas, papel e celulose e agricultura, especialmente no Sul e Sudeste do país, complementa Napolitano.

Dados high-resolution no Brasil

Na fase de regionalização dos dados do mapa, para mais da metade deles foi possível conseguir informações de melhor qualidade para o Brasil, oriundas de universidades e instituições de pesquisa e da Agência Nacional de Águas (ANA) com foco em números relacionados à qualidade, quantidade e uso da água. Além disso, foi realizado um amplo levantamento sobre a governança das principais bacias hidrográficas do Brasil.

Na ferramenta, são considerados mais de 100 indicadores de risco. A partir do cruzamento de todos esses dados, a WRF permite que se tenha uma visão detalhada dos riscos hídricos de cada região com foco no setor em que a organização está inserida. São 12 milhões de km² de dados sobre risco hídrico em alta resolução, incluindo o Brasil.

O risco, no mapa, é identificado em cores que variam do verde ao vermelho e leva em consideração as perspectivas espaciais da operação da organização e da bacia hidrográfica. No diagnóstico, caso a ferramenta identifique "zonas vermelhas" relacionadas à água - locais de alto risco hídrico por causa de um ou vários motivos, a resposta não deve ser abandonar tais locais. Pelo contrário, o que a ferramenta busca é preparar as companhias para enfrentarem esse risco, gerindo os recursos de forma sustentável.

Programa Water Stewardship

Com a intensificação dos problemas de governança, escassez e poluição, o interesse na proteção da água se diversificou. Os números são claros: o setor agrícola consome 90% do abastecimento mundial de água doce e 70% dos resíduos da indústria dos países em desenvolvimento não é tratado e é jogado diretamente nos rios, poluindo a água. Por outro lado, neste ano, empresas se comprometeram a investir mais de US$ 23 bilhões em mais de mil projetos relacionados à água em 91 países diferentes.

Líderes empresariais perceberam que a lucratividade de longo prazo — e mesmo a viabilidade dos negócios — depende da quantidade e qualidade adequada de água disponível, no tempo e lugar certo para atender às necessidades das pessoas, empresas e ecossistemas. Por causa desse interesse, o WWF criou o programa Water Stewardship, liderado por Alexis Morgan, no qual a Ferramenta WRF está inserida.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o planeta enfrentará um déficit de água de 40% em 2030. Além disso, o Fórum Econômico Mundial lista a água como um dos maiores riscos globais nos próximos seis anos.