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Usuários não querem esperar até 2020 para ter 5G, diz CEO da Nokia

Em entrevista no Mobile World Congress (MWC), Rajeev Suri afirmou que novo padrão deverá chegar bem antes de 2020 e os usuários sabem o que querem

21 de Fevereiro de 2016 - 18h51

A nova geração de redes de banda larga móvel, 5G, deverá chegar bem antes de 2020, contrariando as previsões dos analistas de mercado.  A afirmação é do CEO da Nokia, Rajeev Suri, que falou com os jornalistas presentes no Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, durante evento para a mídia na manhã deste domingo, 21/02.

Segundo Suri, o padrão 5G está vindo mais rápido que muitas pessoas pensam e a próxima geração de redes móveis de alta velocidade vai começar a ser definida "em termos reais" no final deste ano. Analistas e pesquisadores afirmam que o padrão 5G apenas ficará completo em 2020, mas o CEO da Nokia acredita que a demanda é muito grande para esperar tanto e que os usuários hoje sabem muito bem o que precisam, melhor do que sabiam quando o padrão 3G evoluiu para o 4G.

"Em 2020 nós provavelmente veremos um volume global de redes sendo ativadas, mas é provável que o processo aconteça de forma evolucionária e gradual bem antes disso- 2017,  2018, 2019", afirmou Suri. Para o executivo, as necessidades mais importantes que pressionam o mercado incluem alta velocidade para vídeo e realidade virtual, baixa latência para comunicação entre veículos e a habilidade de conectar milhares de dispositivos a uma só célula.

Para Suri, uma parte desses recursos serão implementados antes da finalização formal do 5G mas o padrão em si está numa via de velocidade mais rápida do que a esperada. Elementos como redes definidas por software e baseadas em nuvem vão ajudar a acelerar a marcha do novo padrão. 

Durante o evento, Suri anunciou a nova tecnologia da Nokia para estação-base, chamada AirScale Radio Access, e disse que ela será "5G-ready", principalmente porque boa parte do sistema vai operar em software. 

A AirScale Radio Access será demonstrada pela primeira vez no MWC. Ela inclui mecanismos para uso de espectro não licenciado, como o LTE Wi-Fi Aggregation, que dá aos usuários a capacidade combinada dos dois tipos de redes.  A rede também terá poder computacional embutido que terceiros poderão utilizar para rodar aplicações que tiram vantagem de conexões de baixa latência.

Suri deu um voto de confiança para a compra da Alcatel-Lucent, por US$16,5 bilhões, feita pela Nokia em Janeiro. Ela combina duas das maiores empresas de redes cabeadas e sem fio num momento em que a indústria vive um cenário de consolidações. 

A empresa agora soma mais de 40 mil pesquisadores e cientistas. Ela ainda pretende vender divisões que pertencem a mercados em que não lidera, disse Suri, mas um dos negócios que pretende manter é a Nuage Networks, a unidade de redes definidas por software criada pela Alcatel. A companhia continua agregando novas empresas. No domingo, a Nokia anunciou a compra da empresa canadense Nakina Systems, fabricante de software de segurança para áreas como gestão de identidades e isolamento de vulnerabilidades. O valor da transação não foi revelado e o negócio deverá se completar até o final do próximo mês.