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USP aposta em gestão de IoT e garante informações críticas em tempo real

Agora, todas as estações da rede possuem transmissão em tempo real, pois integram um sistema de detecção de terremotos, além de compartilhar os dados com mais de dez instituições de pesquisa espalhadas pelo mundo

11 de Setembro de 2017 - 15h27

Um dos principais polos de pesquisa do Brasil nas áreas de ciências exatas e da Terra, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) coordena a Rede Sismográfica Brasileira. Atualmente, a RSBR monitora e estuda todos os tremores de terra e terremotos que acontecem no Brasil, por meio dos dados enviados em tempo real pelas estações sismográficas para o Centro de Sismologia.

Desde o início, o IAG, como é conhecido o instituto, reconheceu a necessidade de se desenvolver um projeto de Internet das Coisas (IoT) para receber as informações em tempo real e começou a buscar a melhor solução para gerenciar os links de transmissão e garantir que não houvessem falhas ou atrasos nessa comunicação. Porém, não bastou colocar o projeto em prática, logo os problemas por falta de gerenciamento dos dados apareceram.

“Não tínhamos suporte por parte das operadoras, nos deparamos com uma morosidade enorme na aquisição de novas linhas, além da falta de gestão dos contratos e das linhas online, ou seja, não tínhamos acesso a dados fundamentais como endereço de IP, consumo individual das linhas, última conexão, linhas em desuso, entre muitos outros”, afirma o coordenador do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo, Jackson Calhau. 

Ele conta que a transmissão das informações máquina a máquina (M2M), tecnologia que possibilita a transmissão de dados entre sistemas por meio de um dispositivo remoto conectado a uma máquina (neste caso por meio de chips 2G/3G), era a última opção de transmissão das informações em tempo real. A USP priorizava a transmissão das informações via satélite, por meio de um sistema VSAT privado e WISP (Wireless Internet Service Provider), porém os problemas na transmissão e instabilidade dos dados continuavam, já que esses dois sistemas estavam saturados. 

Com problemas surgindo, a busca, por uma solução completa que possibilitasse desde a aquisição dos SIMCards até a gestão dos dados, virou prioridade. Ficou claro para a equipe do IAG que o projeto de IoT precisava urgentemente de mudanças. Eles necessitavam de um serviço diferenciado, que proporcionasse informações detalhadas e que garantisse a continuidade e qualidade das informações, nada menos que a gestão da conectividade. 

“Aderimos ao Porthos, uma plataforma (SaaS) para gerenciamento de linhas e dispositivos, que, na minha opinião, é a solução mais completa do mercado. Uma das mudanças fundamentais para alcançar nosso objetivo foi a troca do IP dinâmico para o IP fixo e o gerenciamento de algumas portas TCP e UDP. Começamos a ter mais dados disponíveis e sem interrupções. Agora, todas as estações da rede possuem transmissão em tempo real, pois integram um sistema de detecção de terremotos, além de compartilhar os dados com mais de 10 instituições de pesquisa espalhadas pelo mundo. Hoje, mais de 50% das estações gerenciadas pela USP possuem SIMCards e gestão da Kore TM Data”, diz Calhau.

Atualmente, já existem muitas empresas tentando construir soluções para Internet das Coisas, mas os sistemas envolvidos em algumas situações são complexos e preciso estudar o projeto de cada cliente. "Cabe a nós fornecedores cooperar e antes de qualquer implementação, mostrar às empresas que a IoT realmente funciona e buscar com o projeto, os resultados que cada organização realmente necessita", enfatiza Sérgio Souza, managing director, da Kore TM Data, fornecedora de serviços gerenciados de rede de comunicações máquina a máquina sem fio, que chegou ao Brasil em 2016.

Disponibilidade das informações 

“Antes de aderirmos ao Porthos, a média de disponibilidade dos nossos links era de aproximadamente 82%, atualmente está em 95%, para nós é um número excelente, já que temos estações em lugares extremos no Brasil. Além disso, os dados recebidos dessas estações passaram de 83% para 98,7%, o que quer dizer que temos praticamente 99% dos dados gerados pelas estações em nosso servidor. Isso só foi possível graças ao IP fixo que nos ajuda muito, pois não desconectamos a cada troca e não precisamos de um DNS Dinâmico para acessar as estações. Agora, conseguimos detectar rapidamente qualquer problema e geramos relatórios personalizados de forma simples e rápida com as funções drag and drop”, enfatiza Calhau.

“Não posso deixar de ressaltar que aumentamos significativamente a porcentagem de dados recebidos nas estações espalhadas pelo Brasil e alcançamos melhor precisão do nosso sistema de detecção em tempo real. Além disso, o Porthos facilitou muito o gerenciamento remoto e gerou economia de recursos financeiros com planos mais justos. Podemos dizer que agora temos total controle do consumo”, diz o coordenador. “Também começamos a gerir todos os planos e contratos das linhas com diferentes operadoras. Todas as facilidades citadas aqui fizeram com que nós, do IAG, economizássemos um tempo valioso, afinal temos um gerenciamento das linhas mais integrado e simples.”

Segundo Calhau, a Kore TM Data tem nos ajudado muito e essa parceria só tende a crescer. “Mudamos até a forma como olhávamos para transmissão via 3G/2G:  antes era nossa última opção, agora se houver alguma operadora de celular disponível com uma certa estabilidade, damos preferência a esse meio de transmissão. Nossa expectativa é de, em breve, expandir ainda mais este projeto”, finaliza o coordenador do IAG.