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Usinas elétricas digitais podem reduzir custos em 27%, afirma estudo

Investimentos que serão responsáveis pela transformação de uma em cada cinco usinas em "plantas digitais" até 2025, contribuirão também para uma redução de 4,7% nas emissões globais de carbono

29 de Setembro de 2017 - 22h36

O novo relatório do Instituto de Transformação Digital da Capgemini aponta que o aumento dos investimentos digitais realizados pelas usinas elétricas em todo o mundo resultou em ganhos significativos de eficiência em geração de energia, diminuição dos custos operacionais e emissões de gás carbônico

As usinas de geração de energia estão investindo em significativas melhorias digitais para gerar eletricidade a partir do uso de carvão e gás, aumentando a eficiência da produção e reduzindo custos de produção, de acordo com relatório da Capgemini, fornecedora de serviços de consultoria, tecnologia e terceirização. 

Nos últimos cinco anos, essas empresas investiram uma média de US$ 330 milhões na digitalização de suas usinas. Investimentos contínuos que serão responsáveis pela transformação de uma em cada cinco usinas (19%) em "plantas digitais" até 2025, operando com custos aproximadamente 27% menores e, juntas, contribuirão para uma redução de 4,7% nas emissões globais de carbono derivadas do processo de geração de energia.

Reduzindo os custos da geração de energia

O relatório analisou o comportamento digital dos líderes do segmento de geração de energia na Alemanha, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Reino Unido e Suécia, e aponta que o aumento da eficiência de produção obtido a partir da digitalização permitirá a redução dos custos do processo. O estudo descobriu, ainda, que as usinas que já fazem uso da tecnologia digital terão custos de produção 27% menores, com centrais individuais que economizarão, em média, US$ 21 milhões ao ano. E, mesmo com o preço das energias renováveis em queda, tais economias permitirão que as usinas com plantas baseadas na geração de energia a gás e a carvão permaneçam competitivas.

Com o consumo de eletricidade aumentando ano a ano em todo o mundo e a definição de ambiciosas metas globais para a redução das emissões de carbono, esses investimentos digitais garantirão que as usinas tradicionais sejam capazes de continuar a contribuir para o desenvolvimento de um ecossistema de energia que, cada vez mais, seguirá em direção a fontes de energia renováveis.

Produção de energia mais amigável ao meio ambiente

A pesquisa também fornece uma visão otimista em relação aos benefícios ambientais da digitalização das usinas. O segmento de utilities acredita que os investimentos digitais permitam o aumento da capacidade de produção a partir de combustíveis fósseis com uma consequente diminuição das emissões de carbono. Em 2025, as plantas digitalizadas produzirão anualmente menos 625 milhões de toneladas métricas de emissões de carbono, o que equivale à diminuição de 4,7% nas emissões globais de usinas, algo como 28,6 bilhões de árvores a mais no planeta ou menos 133 milhões veículos de passageiros.

Ganhos maiores possibilitados pelo digital

Apesar do enorme potencial de ganhos decorrentes da implantação de usinas digitais, atualmente apenas 8% das produtoras de energia estão digitalmente maduras e apenas 19% de suas usinas de energia devem ser digitais até 2022.

Caso mais empresas do setor priorizem os investimentos digitais, os benefícios para a indústria e para o clima poderiam ser muito maiores. No entanto, o relatório destaca a importância de alcançar a maturidade digital necessária para planejar e gerenciar projetos de usinas de energia elétrica digitais. Uma organização com perfil de “iniciante em tecnologias digitais” geralmente alcança ganhos de produtividade 33% menores do que uma empresa “digitalmente madura”.

“Está claro que as tecnologias digitais já estão transformando o modelo de geração de energia, permitindo que o segmento de utilities se mantenha competitivo e reduza significativamente as emissões globais de carbono. No entanto, a indústria pode ir mais longe. Com muitos produtores ainda por digitalizar suas usinas de energia é possível acreditar em reduções mais significativas das emissões de carbono, se essas empresas investissem em habilidades e tecnologias digitais. Aquelas que optarem por embarcar agora no futuro digital da produção de energia ganharão uma vantagem competitiva maior, reduzirão os custos de produção e certamente melhorarão a reputação de sua marca”, diz Perry Stoneman, líder global de Energy & Utilities da Capgemini

Metodologia de pesquisa

O estudo, elaborado e conduzido pelo Instituto de Transformação Digital da Capgemini, reúne informações sobre o impacto do investimento em usinas de energia digitais realizado por fornecedores de serviços públicos. Abrange os pontos de vista de 200 executivos em posições de diretor ou superiores, representantes de empresas de serviços públicos com receita superior a US$ 1 bilhão reportada para o ano de 2015. A pesquisa foi realizada entre fevereiro e março de 2017 e cobriu oito países - Alemanha, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Reino Unido e Suécia.