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Troca da telefonia fixa pela nuvem começa a ganhar impulso

Comunicação unificada na nuvem responderá por 25% das remessas de linhas neste ano, de acordo com a MZA

21 de Fevereiro de 2017 - 16h12

O sistema de telefonia PBX está se tornando uma relíquia para as empresas: caro para manter e difícil de atualizar e escalar de acordo com as necessidades. Um número crescente de empresas tem de substituir o equipamento órfão inesperadamente e essas companhias estão sob pressão para permanecerem dinâmicas em um cenário cada vez mais competitivo. 

De acordo com a Gartner, as soluções de comunicação unificada (unified communication) em nuvem "se tornaram a escolha preferida devido à economia, flexibilidade, confiabilidade, segurança e escalabilidade superiores". Além disso, as funcionalidades avançadas comunicação unificada disponíveis na nuvem são difíceis e caras para serem oferecidas no modelo on-premises (instalações fixas no ambiente do cliente). 

A comunicação unificada na nuvem responderá por 25% das remessas de linhas neste ano, de acordo com a MZA, firma de análise de TI e telecomunicações. Globalmente, estima-se que a nuvem irá superar as instalações fixas dentro de quatro a cinco anos. Dado esses prazos, os riscos e oportunidades em jogo, os decisores de TI nas empresas devem saber que 2017 pode muito bem ser o ano para agir. 

Experiência nativa de telefonia móvel

A mobilidade está bem estabelecida como uma prioridade fundamental para as empresas. Isso levou a uma proliferação de dispositivos móveis, e o telefone móvel tornou-se talvez a ferramenta de negócios mais indispensável. Mas a experiência do usuário de comunicações unificadas em tempo real em dispositivos móveis não tem acompanhado o ritmo suficientemente. 

Hoje, muitos aplicativos de comunicação unificada são chamados "over the top" (OTT) — aplicativos para download que usam qualquer conexão de dados disponível. Isso é adequado para mensagens e compartilhamento de arquivos, mas muitas vezes fica aquém de funções críticas em tempo real, como voz e vídeo. Dados móveis de baixa qualidade ou conexões Wi-Fi levam a conexões irregulares que não são apropriadas para uso comercial. 

No entanto, neste ano, devemos assistir um progresso dramático, liderado por operadores móveis e fabricantes de dispositivos que estão implementando soluções que oferecem conexões móveis nativas de alta qualidade e recursos integrados de negócios em dispositivos móveis. Serviços como o One Net da Vodafone, na Alemanha, e o Verizon One Talk, nos EUA, permitem associar um único número a vários dispositivos em conexões móveis com um padrão de alta qualidade. Além disso, os fabricantes de dispositivos estão expandindo o discador nativo com recursos empresariais e fornecendo ferramentas para a integração perfeita de aplicativos de negócios. Exemplos notáveis são os dispositivos com suporte de discagem nativa para o Verizon One Talk e as ferramentas de integração do Kit de chamadas recentemente lançadas pela Apple. 

À medida que essas capacidades forem lançadas, elas permitirão que os operadores móveis finalmente entreguem serviços de negócios claramente diferenciados de seus concorrentes OTT. 

AI e análise preditiva 

A inteligência artificial (IA) e a análise preditiva não se restringem há muito tempo à pesquisa e às aplicações altamente especializadas. Recentemente, elas têm encontrado uso generalizado em aplicações de consumo, como o assistente virtual Siri da Apple. Agora elas estão sendo comercializadas rapidamente para uma variedade de aplicativos comerciais padrão. 

Neste ano, as comunicações unificadas e os aplicativos de colaboração em equipe também começarão a se beneficiar significativamente. A IA abordará muitos pontos de produtividade que os colaboradores enfrentam hoje — especialmente as 2,5 horas por dia que um profissional gasta apenas procurando informações, de acordo com a IDC. A IA integrada será capaz de pesquisar através de todos os aplicativos de nuvem de um colaborador para encontrar documentos, mensagens, perfis sociais e qualquer conteúdo relevante para a conversa ou reunião que ele estiver tendo. Isso permitirá que os funcionários colaborem efetivamente dentro de um aplicativo de comunicação unificada enquanto têm o conteúdo relevante na ponta dos dedos, reduzindo assim as distrações e a perda de produtividade que podem resultar de tentativas fracassadas de multitarefa. 

Os call centers são outro domínio de aplicação chave para a IA. Agora, todo o histórico de interação dos clientes pode ser combinado com diversas fontes de informação externas e internas para fornecer uma rica orientação para roteamento e manipulação de cada chamada. Acreditamos que 2017 será o ano em que essas tecnologias se tornem mainstream, e que se conectem ao nosso primeiro tema: elas serão introduzidas principalmente via serviços em nuvem, devido à facilidade de implantação. 

Redução de PSTN 

A Rede Telefônica Pública Comutada (PSTN), o principal suporte das comunicações há mais de 100 anos, está sendo eliminada. Trata-se de uma rede antiquada de uso único com altos custos de manutenção, enorme consumo de energia e cada vez menos peças de reposição. 

Os avanços nas redes IP terrestre e móvel se tornaram de longe o meio preferido para todas as comunicações, incluindo a banda larga de voz e vídeo em tempo real. Esta transição tecnológica é também impulsionada por poderosas mudanças de comportamento dos usuários finais: substituição da telefonia fixa pela móvel e a demanda por serviços multimídia high definition. 

Reguladores e prestadores de serviços já têm agido: a Deutsche Telekom parou de vender ISDN na Alemanha, migrou completamente a Macedônia, a Eslováquia e a Croácia para IP, e a migração total está prevista para 2018. Nos EUA, vários estudos de transição estão em andamento e as principais operadoras, como a AT & T, estão prevendo o ano de 2020 para uma transição completa. E, especificamente, espera-se que neste ano a Swisscom se torne uma fornecedora de IP. 

Esperamos dois grandes impactos no ano: um deles será uma recuperação significativa em projetos de transformação de redes. O segundo será fornecer mais mecanismos para que as empresas migrem para as soluções UC e UC em nuvem.  Além de mensagens corporativas: colaboração de equipe integrada e comunicação unificada. 

Os aplicativos de troca de mensagens estão se tornando chave para o modo como as forças de trabalho se comunicam e colaboram agora e no futuro. No relatório de tendências da internet de Mary Meeker 2016, da Kleiner Perkins Caufield & Byers (KPCB) observa que "as mensagens estão evoluindo de simples conversas sociais para conversas de negócios". 

Algumas empresas tentaram reduzir o uso intensivo de e-mails por meio da implantação de aplicativos de mensagens independentes, mas a incapacidade destes aplicativos de se integrar com outros serviços de comunicação e colaboração significa que a força de trabalho gasta mais tempo alternando entre aplicativos do que usando-os de forma produtiva. Para não mencionar o volume de mensagens que os trabalhadores de linha devem gerenciar e responder rapidamente que excedeu o número de e-mails. 

Equipes e indivíduos precisam mover-se fluidamente entre mensagens, compartilhamento, chamada e conferência usando vários meios de comunicação. E ao longo dessas interações eles precisam acessar um contexto sólido e compartilhado: e-mails, documentos, contatos e histórico de comunicação do passado. 

Enquanto os players de aplicativos de mensagens de nicho continuarão a desenvolver ou adquirir os componentes de comunicações em falta, as empresas em 2017 irão gravitar para soluções maduras e abrangentes que podem integrar mensagens e colaboração com telefonia, conferência e outros processos principais de negócios. 

Nuvem multi-tenant pública 

Algumas empresas, particularmente as grandes empresas, têm relutado em adotar serviços de nuvem multi-tenant pública. Preocupações sobre segurança, confiabilidade e controle levaram a preferência para implantações de nuvem privada. Isso, por sua vez, significou a ausência de alguns dos benefícios mais fundamentais da revolução na nuvem: redução drástica de custos, facilidades de gerenciamento, e escalabilidade e elasticidade essencialmente ilimitadas. 

Essas barreiras também impactaram a comunicação unificada como serviço (UCaaS): apenas empresas muito grandes poderiam justificar implantações de nuvem privada e os provedores de serviços confiaram em sua própria nuvem privada para a prestação de serviços. 

Agora, o ímpeto da nuvem pública está aumentando com as empresas e os provedores de serviços. Isto é impulsionado principalmente por uma mudança na percepção sobre a segurança. Está tornando-se claro que a nuvem pública é de fato superior: sua escala permite medidas de segurança avançadas e robustas, tanto computacionais como físicas. E as novas tecnologias, como a criptografia de ponta a ponta, tornam a localização de dados irrelevante do ponto de vista da segurança. 

No ano passado, o investimento na nuvem pública foi quase o dobro da nuvem privada, de acordo com o Gartner. Em 2017, esperamos ver alguma migração de nuvem privada para nuvem pública e forte preferência por nuvens públicas em novas implantações. Isso reduzirá os custos e acelerará o tempo de escalonar o mercado.

*Scott Hoffpauir é diretor de tecnologia (CTO) da BroadSoft.