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Tecnologia do fundo do mar na palma da mão

Sem cabos submarinos, a internet não existiria e a comunicação intercontinental seria limitada aos satélites, o que viria com custos, limitação na largura de banda

25 de Julho de 2017 - 09h51

O estudo “Visual Networking Index Forecast and Methodology, 2015-2020”, da Cisco, indica que o tráfego global anual de IP atingirá 2,3 zettabytes até 2020, um aumento de quase três vezes em cinco anos. Esta macrotendência indica que a internet está gerando continuamente um verdadeiro tsunami de tráfego, e este é um importante catalisador para a construção de redes de cabos submarinos.

Existem hoje 293 cabos submarinos no mundo, segundo a TeleGeography, que ligam todos os continentes — com exceção da Antártida. Essas enormes estruturas alocadas no fundo do oceano começaram a ser instaladas no final do século XVIII para apoiar a telegrafia. Depois, passaram a ser usadas por empresas de telecomunicações e transmissão de dados. Hoje em dia, cabos de fibra óptica transportam todo tipo de informação, como telefonia, internet e tráfego de dados privados.

O que pouca gente sabe é o quanto dependemos dos cabos submarinos. De acordo com a TeleGeography, 99% de toda a comunicação de dados entre continentes passa por eles, assim como mais de 90% do tráfego da internet. Isso significa que, sem cabos submarinos, a internet não existiria e a comunicação intercontinental seria limitada aos satélites, o que viria com custos, limitação na largura de banda e, em alguns casos, restrições de confiabilidade. Isso acontece porque, por ser uma ligação ponto a ponto, a conexão via cabo é muito mais rápida do que os tão conhecidos satélites, que abrigam, hoje, o 1% restante das comunicações e são usados, principalmente, para levar sinal de internet, telefone e televisão a regiões remotas ou com estrutura tecnológica escassa.

Na arquitetura do sistema submarino, o cabo geralmente emerge do mar e termina em uma estação de desembarque de cabo distante, que pode ser conectada a um ou mais centros de dados e, em seguida, ter sua capacidade distribuída entre todos os tipos de empresas. Na nova economia digital, grandes fornecedores de nuvem e gigantes de redes sociais emergiram como os novos construtores de sistemas a cabo e estão buscando o apoio de especialistas em data centers para desembarcar os cabos já em centros de dados ricos em interconexão.

Na América Latina, dois países são as principais portas de entrada desses cabos — Brasil, por ser a maior economia do continente, e Colômbia, por conta de sua proximidade com Miami, o principal ponto de interconexão entre os Estados Unidos e as américas Central e do Sul. A Colômbia soma dez cabos conectados. Já em nosso país, existem sete cabos em operação nas cidades de Fortaleza, Santos, Rio de Janeiro e Salvador, e outros nove em andamento.

O mundo conta com mais de 800 mil quilômetros de cabos submarinos, que se concentram, principalmente, nas rotas Américas-Europa, América do Norte-Extremo Oriente e América do Norte-América Latina. A tendência é que esse comprimento aumente, especialmente porque nossos dispositivos precisam, cada vez mais, se conectar, comunicar e trocar dados na internet.

Quanto mais cabos submarinos existirem e se interconectarem, mais rápida e de qualidade será a transmissão de dados. Isso é crítico para todos que dependem da tecnologia em tempo real, o que inclui não apenas as corporações, mas todas as pessoas comuns que desejam navegar por seus smartphones, tablets, notebooks ou qualquer outro equipamento que acesse a internet.

 *Eduardo Carvalho é presidente da Equinix no Brasil.