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Startups em serviços urbanos colocam Brasil no mapa das Smart Cities

Como tecnologias como big data, inteligência artificial e internet das coisas podem transformar cidades

25 de Abril de 2018 - 07h23
 A mobilidade urbana, a segurança pública e toda a rede de serviços no dia a dia da população constituem as engrenagens para o funcionamento de metrópoles ao redor do mundo. Em cidades que apresentam altíssimos índices de crescimento econômico e social, como Nova Iorque, Chicago, Londres e até capitais brasileiras, como São Paulo e Recife, o desafio de gerenciar tudo isso se torna cada vez maior para os governos.
 
Essas cidades também são pólos de tecnologia e inovação, que oferecem oportunidades de crescimento rápido para startups e empreendedores, nascidos na nuvem e utilizando big data, inteligência artificial e internet das coisas (IoT). Adotando as soluções inteligentes dessas empresas, as cidades se tornam Smart Cities, com serviços públicos interligados pela nuvem, que utilizam o aprendizado de máquina e criam soluções em tempo real. Juntas, essas tecnologias resolvem as dificuldades cotidianas de quem vive nas grandes metrópoles.
 
Para o desenvolvimento das Smart Cities, as startups oferecem a flexibilidade e a agilidade necessárias para levar à frente projetos como esses, que exigem times dinâmicos de desenvolvedores e processos desburocratizados para se adaptarem às novas velocidades de transformação tecnológica da terceira plataforma. De internet das coisas à inteligência artificial, os serviços baseados na computação em nuvem são recriados diariamente, reunindo novas capabilidades de processamento, armazenamento, analytics e machine learning, além de facilitar e agilizar a criação de novos produtos de acordo com necessidades específicas.
 
No Brasil, a maior parte dessas startups já começou a explorar esse mercado, criando empregos e promovendo o crescimento local. O estudo Liga Insights Emerging Technologies, desenvolvido pela Liga Ventures, revela que 25% das startups nacionais investem em internet das coisas e 20% em big data e analytics.
 
E a tendência é que a adoção continue crescendo: no Brasil, o mercado de IoT atingiu uma receita de US$ 1,35 bilhão em 2016, segundo a Frost & Sullivan e, em meados do ano passado, o Plano Nacional de IoT definiu como prioritárias as iniciativas e políticas públicas para o desenvolvimento de cidades inteligentes. Com isso, o país deve ter um impacto econômico anual mundial de US$ 50 a 200 bilhões em 2025, segundo um levantamento da McKinsey e, junto com outros países emergentes, ser responsável por até 40% do potencial de IoT no mundo.
Essa inovação impulsiona a criação de empregos no Brasil e o interesse dos estudantes em ciência, tecnologia, engenharia e desenvolvimento de habilidades matemáticas em busca do futuro empoderamento neste mercado em expansão.
 
Atualmente, são mais de 500 cidades brasileiras com serviços conectados e que participaram do ranking Connected Smart Cities de 2017, desenvolvido pela Urban Systems. São Paulo, considerada pelo ranking a cidade mais "inteligente" do país, tem algumas startups no portfolio de Smart City. Uma delas é a Camerite, que foi a escolhida para o projeto City Câmeras, inaugurado em julho de 2017.
 
Baseada em Joinville, a Camerite oferece uma plataforma online na qual qualquer câmera DVR ou IP pode se tornar um ponto de monitoramento inteligente e, assim, ajudar na segurança na cidade. Por ser uma plataforma colaborativa e totalmente baseada na nuvem, ganha escala, agilidade, rapidez e facilidade no gerenciamento, permitindo o aumento do número de câmeras sem a necessidade de que o município invista em datacenters. Em apenas 60 dias, o total de câmeras de monitoramento passou de 70 para mais de 500, e espera-se que, em até quatro anos, o número passe os 10 mil.
 
Um dos recursos mais importantes oferecido pela Camerite é a inteligência artificial e a criação de redes neurais, que são utilizadas para identificar ocorrências por meio de padrões de movimento, cores, rostos e placas de carros. As imagens captadas pelas câmeras são integradas ao Comando da Guarda Civil Metropolitana e ao Detecta, que cria a conexão com as Polícias Militar e Civil. Políticas rigorosas e regulamentos de privacidade são respeitados pelo programa para garantir a proteção dos cidadãos, ao mesmo tempo em que tornam os bairros mais seguros. O sucesso da parceria com a cidade de São Paulo já fez com que mais de 100 cidades em todo o país procurassem a Camerite.
 
Recife, 10ª no ranking da Urban Systems, é outra cidade brasileira que se beneficia da inovação trazida por uma startup, a RasSystem, especializada em soluções inteligentes ligadas a logística, rastreamento e monitoramento de frotas. Com o sistema RasCol, o município tem um reforço na limpeza das vias públicas e no monitoramento de varrição de vias e recolhimento de lixo, com caminhões de lixo embarcados com GPS e carrinhos com câmeras que fotografam a rua, entre outras tarefas. Toda a plataforma da RasCol é hospedada na nuvem, permitindo que o acompanhamento seja feito em tempo real, contribuindo para facilitar e agilizar o gerenciamento da cidade.
 
A expectativa é que o impulso das Smart Cities no país continue sendo liderado por startups como a Camerite e a RasSystem, que trazem DNA de inovação e foco nas oportunidades criadas pela nuvem. Por isso, trazem novas ideias e visões para os governos municipais e mais agilidade na implementação das soluções para os cidadãos. Com cada vez mais acesso a dados e dispositivos, essas empresas poderão se especializar em desenvolver e disponibilizar serviços personalizados para melhorar a qualidade de vida da população e deixar o gerenciamento das cidades cada vez mais inteligente.
*Jeffrey Kratz é Gerente Geral da Amazon Web Services para Setor Público na América Latina, Canadá e Caribe