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Siemens atualiza Solid Edge e avança colaboração em nuvem

Solid Edge ST10 traz recursos de design generativo, engenharia reversa, além de facilitar criação e otimização de peças para impressão 3D

15 de Maio de 2017 - 18h45

Durante o Siemens PLM Connections 2017, ocorrido na semana passada em Indianápolis (EUA), John Miller, vice-presidente sênior e gerente geral da Siemens PLM Software, fez um paralelo entre o mercado de tecnologias emergentes e o impacto das mesmas na manufatura. “Elas estão mudando fundamentalmente a forma como as coisas são construídas, e até mesmo como futuros engenheiros estão aprendendo”, destacou em conversa com a imprensa.

Como exemplo, Miller citou o recente e cada vez mais povoado setor de digitalização 3D. “É um mercado que não existia há dez anos e agora cresce 10% ao ano e continuará crescendo para se tornar uma indústria de US$ 6 bilhões. Então a pergunta que fica é estamos mantendo nossa forma de pensar o design e nossas ferramentas atualizadas com essas mudanças?” Uma das respostas da Siemens para a questão tem sido o seu CAD de entrada de linha, o Solid Edge que chega a sua décima versão.

O software de gerenciamento de ciclo de vida do produto (PLM) reúne ferramentas para projeto 3D, simulação, manufatura, gerenciamento de dados, entre outros. Ao usar a chamada tecnologia síncrona, o programa permite modelagem direta com flexibilidade e controle do design paramétrico.

O Solid Edge ST10 incorporou várias melhorias em relação a versão anterior, incluindo avanços para colaboração em nuvem, otimização da topologia e engenharia reversa, além de facilitar a criação e otimização de peças para manufatura aditiva.

Um dos destaques da atualização está no design generativo. Agora, o software consegue utilizar algoritmos para entregar, de forma automatizada, as melhores opções para o design de uma peça. O resultado é um design com linhas mais orgânicas, uma particularidade que visa melhorar a relação entre resistência e peso de cada peça.

Além do design generativo, o Solid Edge ST10 otimiza a topologia e engenharia reversa, usando a nova tecnologia Convergent Modeling, que ao mesmo tempo em que melhora a eficiência do design do produto, avança a capacidade de trabalhar com geometria importada. Novos recursos de simulação, como a análise de fluxo de fluidos integrados, eliminam a necessidade de transferir dados entre diferentes aplicativos, fornecendo aos designers a possibilidade de obter um fluxo de fluidos preciso e rápido e análise de transferência de calor diretamente no Solid Edge.

Ricardo Espinosa, gerente de engenharia de P&D da Kimball International, é um dos clientes da Siemens PLM que tem testado as novas habilidades do ST10. “Nós importamos muitos modelos 3D para componentes como lâmpadas e amortecedores em um formato facetado. A nova tecnologia Convergent Modeling nos permitirá trabalhar com esses dados de forma mais rápida e flexível.”

Segundo a Siemens PLM, a atualização da suíte de ferramentas visa também habilitar clientes de manufatura de pequeno e médio porte a desenvolver produtos que colaborem para a economia digital.

Neste contexto, um dos grandes focos da Siemens diz respeito a manufatura aditiva e impressão 3D, um mercado que deve crescer de forma acelerada nos próximos três anos. Consultorias preveem que o segmento irá triplicar até 2020, passando de um faturamento anual da ordem de US$ 7,3 bilhões para US$ 21 bilhões.

De acordo com um estudo divulgado pela Consumer Technology Association (CTA) e pela United Parcel Service (UPS) em 2016, dois terços das manufaturas já utilizam esses recursos de alguma forma. O principal uso é para rotinas de prototipagem (25%), seguido por desenvolvimento de produto (16%) e inovação (11%). E a Siemens quer protagonizar esse crescente mercado, e com o Solid Edge ST10 reforça sua vocação para a manufatura aditiva, com ferramentas que permitem a impressão de peças em 3D em casa ou o acesso a uma rede de serviços de manufatura aditiva, para otimizar a seleção e a entrega de materiais.

“A digitalização está mudando o campo de batalha, fornecendo oportunidades ilimitadas para que empresas de pequeno e médio porte transformem a indústria”, pontua John Miller.

Colaboração

A nova versão do Solid Edge aprimora também suas ferramentas de publicação, que permitem a criação de documentos técnicos interativos e a capacidade de compartilhar designs na nuvem, algo que ajuda na comunicação do processo de manufatura e dos procedimentos de manutenção dos produtos.

A atualização da suíte traz melhorias no gerenciamento de dados e integração com o software Teamcenter da Siemens, assim como classificação de componentes e trabalho offline que usa da integração com o sistema.

A Siemens também anunciou que o portal Solid Edge oferecerá uma solução na nuvem para colaboração com outros usuários, fornecedores e clientes. A ideia aqui é simplificar a comunicação em ciclos de desenvolvimento de produto. Oferecendo uma nova maneira de trabalho cooperativo, o portal permite que os usuários façam upload e gerenciem arquivos em pastas na nuvem, com visualização via navegador de múltiplas plataformas, incluindo o Solid Edge e de muitos outros populares aplicativos CAD. O Solid Edge ST10 deve ser lançado no segundo semestre de 2017.

*A jornalista viajou a Indianápolis a convite da Siemens.