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Sete barreiras que limitam a inovação em uma empresa

Aspectos culturais, falta de tempo, burocracia. Veja os obstáculos que impedem as companhias de serem inovadoras

27 de Outubro de 2015 - 09h00

Inovar é a pedra fundamental de um negócio de sucesso. Se é assim, então por que é tão difícil para muitas empresas intensificarem seus esforços nessa frente? A consultoria Imaginatik realizou um estudo para identificar os maiores obstáculos dos processos de inovação. O estudo focou, especialmente, em grandes empresas.

Há poucas dúvidas de que os líderes empresariais veem o valor da inovação. O relatório aponta que 95% dos respondentes acreditam que esse se trata de uma postura tão importante, que deveria figurar entre as principais prioridades dos principais executivos de uma organização.

No entanto, apesar de quase todos os profissionais concordarem que inovar é fundamental, quase metade (44%) relatou que as companhias onde trabalham investiu menos de 2% dos seus orçamentos anuais em iniciativas inovadoras. Além disso, 63% confirmou que sua organização não tem uma estrutura formal de gestão de inovação.

Com base nos resultados, Chris Townsend, diretor de marketing da Imaginatik, conclui que as empresas tendem a ver a inovação como uma possibilidade de "consertar" um problema existente, quando, na realidade, trata-se de algo mais focado em reimaginar processos a partir do zero para superar processos.

O que então está impedindo de empresas de criarem um ambiente que estimule a inovação? O estudo de consultoria revela sete ameaças que as empresas necessitam superar para vencer.

1. A cultura errada

O termo "cultura corporativa" é um clichê. Mas o que, de fato, ele significa? Criar uma cultura corporativa pode significar desde oferecer refrigerantes e salgadinhos aos funcionários até criar um programa de voluntariado ou exercícios físicos. Tudo isso para fazer com que os empregados tenham mais satisfação no escritório.

Da mesma forma que pode ser uma alavanca para a inovação, a tal da cultura corporativa pode representar um obstáculo. Por exemplo, se na sua empresa, ela se focar mais em aspectos de política e burocracia, provavelmente vai sufocar a inovação.

Mais da metade dos respondentes (55%) citou problemas com a cultura organizacional e de mentalidade como o fator número 1 para a inovação falhar. O estudo de Imaginatik afirma que "os entrevistados lamentam a forma como as forças invisíveis do conservadorismo e complacência conspiram para frustrar os esforços bem intencionados para fazer avançar a causa da inovação."

Não adianta muito se um funcionário ou equipe vir com uma ideia inovadora, se não encontrarem lugar para executar isso nas estruturas corporativas. A cultura da empresa pode dizer muito sobre o potencial de inovação.

A Imaginatik reconhece que pode ser difícil incutir um programa de inovação eficaz em uma organização com a cultura errada. Mas, com insistência e muito esforço, é possível fazer essa transformação na cultura corporativa.

2. Falta de continuidade à ideia

Ter ideias inovadoras é a parte fácil do processo. Contudo, uma das maiores ameaças para a inovação dentro de uma empresa é a falta de esforço para fazer com que essas ideias saiam do papel. É preciso criar um ambiente que permita essa execução. Na pesquisa, 34% dos entrevistados relataram que esse é um dos maiores problemas que se deparam em suas empresas quando o assunto é inovação.

Muitos depoimentos apontaram que as iniciativas inovadoras começam a ser aplicadas e, logo, são abandonadas pela organização. Segundo o estudo, isso ocorre porque os envolvidos na ideia não conseguem criar sinergias e práticas para avançar com o projeto dentro do ciclo de evolução. Além disso, os funcionários sentem que suas empresas até tiver boas ideias, mas, na hora de executá-las, fizeram isso de “maneira inconsistente ou indisciplinada”.

Não é fácil adequar os times a novos processos. Aliás, muitas vezes, é bastante complicado fazer pessoas abraçarem ideias inovadoras. Assim, sem um cultura de continuidade, parece mais simples/lógico que o projeto simplesmente fracasse antes de ter qualquer tipo de tração.

Empresas bem sucedidos em promover a inovação muitas vezes tem uma equipe ou uma pessoa dedicada à essa tarefa. Towsend recomenda que esse professional atue “com incentivos e abordagens distintas às das linhas de negócio tradicionais da organização.

3. Financiamento e recursos limitados

A inovação não acontece apenas porque as pessoas querem. Sua empresa precisa aplicar fundos e recursos para ser efetiva. Dos profissionais entrevistados, apenas 16% relataram "investimentos agressivos" orientados à um time dedicado à inovação e 13% afirmaram que recebem recursos para aplicarem em ferramentas e tecnologias inovadoras.

“Investimentos são necessários para se conseguir tanto as melhores tecnologias quanto as melhores pessoas. É aí que muitas iniciativas são trancadas. Os negócios querem continuar com uma abordagem de experimentação, mas não quer pagar para fazer isso”, comentou um executivo de um conglomerado multibilionário de logística e serviços financeiros que respondeu o estudo. 

Infelizmente, a falta de recursos suficientes é um tópico central na agenda de quem lidera iniciativas de inovação, aponta o estudo. O relatório aponta que, atualmente, os processos inovadores, em muitos casos, vêm sendo subfinanciados pela maior parte das empresas.

4. Falta de tempo

Não importa a indústria. As empresas estabeleceram alguns métodos que colocam seus colaboradores sob intensa pressão para que produzam mais em menos tempo. Logo, resta a dúvida: como acomodar a inovação no tempo que resta do dia dos trabalhadores? A adição esforços de inovação tende a sobrecarregar ainda mais as pessoas.

De acordo com a pesquisa, 27% dos entrevistados listaram a “falta de tempo” para concentrar-se em uma ideia como um importante obstáculo à inovação. E, infelizmente, instigando as demandas necessárias para realizar grandes mudanças, dois elementos básicos se sobressaem: tempo e foco.

O agravante é que, muitas vezes, as empresas não existe uma visibilidade clara sobre como as empresas farão dinheiro com cada um dos projetos de inovação. Por outro lado, os líderes de negócio parecem ter consciência desse desafio.

5. Baixa taxa de adoção

O estudo da Imaginatik revelou outra barreira comum: baixas taxas de adoção de iniciativas inovadoras. As pessoas vêm com novas ideias, a companhia implementa em suas rotinas, mas, a dificuldade de acomodar mudanças necessárias nas rotinas dos profissionais, passa a desacreditar naquela abordagem, o que leva o projeto a fracasso.

O estudo aponta para um clima de “ceticismo” nas estruturas corporativas, que ganha força a partir de sucessivas falhas e abandonos na implementação de projetos. Outras empresas relataram que processos inovadores, muitas vezes, ficam restritos a departamentos. Esta falta de uma abordagem ampla pode criar um ambiente adverso.

"Vários entrevistados ressaltaram que, devido ao fato de que os métodos de inovação são muitas vezes aplicados em contextos localizados, eles não conseguem criar sinergias e práticas escaláveis em todo o ciclo de vida da inovação", relata o estudo.

6. Processos burocráticos

Para as grandes empresas, orientadas por processos, pode ser difícil manter um ritmo acelerado de inovação. Essas organizações de maior porte, normalmente, são mais avessas a risco e tem o desafio de fazer um esforço intenso na gestão da mudança.

"Companhias maiores e já estabelecidas têm grandes lotes de legado tecnológicos, um processo de avaliação de risco elevado, muitos acionistas, uma grande base de cliente, uma cultura mais rígida, hierarquia engessada”, lista Townsend. “Tudo isso que, pode ser encarado com um ativo, assume a figura de passivo quando o assunto é inovação.

Fala-se muito na adoção de um modelo que imprima nas grandes corporações o processo de inovação visto em uma startup. Para isso, o consultor afirma que é fundamental uma grande reformulação de departamentos.

7. Muito centrada no retorno sobre o investimento

Talvez a maneira mais fácil de implementar uma ideia é mostrando o quanto aquilo trará de retorno sobre o investimento. Porém, quando se trata de inovação, o ROI pode não ser a métrica mais adequada.

Inovar pressupõe assumir riscos e, muitas vezes, a pessoa por trás da ideia não terá como a empresa conseguirá lucrar com aquele projeto. O estudo relata que 7% dos entrevistados sentem essa incapacidade para justificar o retorno como o maior desafio para a inovação.

“Mesmo executivos de alto escalão não tinham formas para explicitar quanto os investimentos em inovação estavam trazendo, de fato, de retorno. Eles não tem essa contabilidade. Então, o que muitos fazem, é tentar acomodar isso na contabilidade corporativa formal”, comenta Townsend, afirmando que isso nem sempre pode dar certo.

Diversas empresas acreditam que não há razão para embarcar em uma ideia sem que ela prove que trará retorno. Mas, como saber que, mesmo com o ROI delineado, na prática e ao final da execução do projeto, aquilo vai se comprovar?