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‘Revolução de habilidades’ é necessária para alavancar potencial da Era Digital

Inteligência emocional e habilidades como liderança, pensamento crítico e criatividade ajudarão a reduzir desemprego resultante da automação, segundo relatório da Accenture

17 de Janeiro de 2017 - 19h28

Um novo relatório da Accenture Strategy, divulgado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, adverte que, em um cenário de rápida transformação digital, os CEOs deverão assumir a tarefa de treinar seus funcionários com novas habilidades, de modo a se manterem relevantes no futuro e prontos para se adaptarem à mudança. De acordo com o estudo, os CEOs deverão estar atentos para moldarem seus subordinados a fim de prepará-los para serem a futura força de trabalho.

As apostas são altas para as empresas, os trabalhadores e a sociedade como um todo. O desenvolvimento das habilidades humanas, tais como liderança, pensamento crítico e habilidades criativas, bem como a inteligência emocional, reduzirão consideravelmente as perdas de postos de trabalho devido à automatização total.

O levantamento realizado com 10.527 trabalhadores em dez países e o modelo da Accenture Strategy mostram que, se a taxa na qual os trabalhadores constroem suas habilidades relevantes for duplicada, a cota de empregos em risco de automação total nos EUA em 2025 seria reduzida de 10% para 4%. O mesmo progresso no Reino Unido e Alemanha resultaria na redução de 9% para 6% e 15% para 10%, respectivamente.

"Paradoxalmente, as habilidades verdadeiramente humanas, de liderança à criatividade, continuarão sendo altamente relevantes e as organizações vencedoras atingirão o equilíbrio exato — alavancando o melhor da tecnologia para elevar, não eliminar seu pessoal," diz Ellyn Shook, diretor de liderança e recursos humanos da Accenture. "Não somente os trabalhadores estão otimistas, mas também entendem que devem aprender novas habilidades. O digital pode acelerar a aprendizagem, incorporando treinamentos perfeitamente ao trabalho diário — assim a aprendizagem torna-se um modo de vida — ajudando os trabalhadores e as organizações a continuarem sendo relevantes."

Dos EUA e da França até o Brasil, a Índia e seis outros grandes países pesquisados, as pessoas estão surpreendentemente positivas quanto ao impacto da tecnologia digital no local de trabalho. Na verdade, 84% dos trabalhadores entrevistados estão otimistas sobre o impacto do digital em seu trabalho. Mais de dois terços pensam que tecnologias tais como robôs, análise de dados e inteligência artificial irão ajudá-los a ser mais eficientes (74%), aprenderem novas habilidades (73%) e melhorarem a qualidade de seu trabalho (66%).

Oitenta e sete por centro desses trabalhadores esperam que partes de seu trabalho tornem-se automatizadas nos próximos cinco anos, variando de 93% dos millennials a 79% dos baby boomers. Daqueles que esperam pela automação, 80% antecipam mais oportunidades do que desafios em como a automação terá impacto sobre suas experiências de trabalho nos próximos cinco anos. Outra pesquisa da Accenture mostra que só a inteligência artificial tem o potencial para dobrar as taxas anuais de crescimento econômico e aumentar a produtividade do trabalho em até 40% até 2035, nos 12 países desenvolvidos analisados.

Além disso, os valores da força de trabalho de hoje exigirão que os líderes respondam com uma diferente gama de recompensas, benefícios e suporte. De acordo com o modelo elaborado pela Accenture Strategy e Gallup, fatores não-financeiros, tais como bem-estar, comprometimento, qualidade de vida e status são considerados iguais, se não de maior importância, para os trabalhadores, em relação aos tradicionais renda e benefícios.

"Criar a futura força de trabalho agora é de responsabilidade de cada CEO. Aqueles líderes que fizerem de seu pessoal uma prioridade estratégica de negócios e compreenderem a urgência deste desafio serão aqueles que farão os maiores ganhos em crescimento e inovação", afirma Mark Knickrehm, líder global da Accenture Strategy.

Brasil é um dos países mais otimistas

No Brasil, 58% dos entrevistados — pouco abaixo da média geral, de 61% — acreditam que os avanços na tecnologia para a próxima geração vão representar mais oportunidades; 40% avaliam que terão mais desafios e somente 2% acreditam que não haverá mudanças significativas.

Ao responder sobre seus sentimentos em relação às mudanças que a tecnologia está trazendo para o mercado de trabalho nos próximos 5 anos, o Brasil foi o terceiro país mais otimista, com 93% dos entrevistados declarando-se animados e apenas 7%, com medo. O país perdeu apenas para Índia e Turquia, onde 95% das pessoas dizem estar animadas com as perspectivas futuras – e apenas 5% admitem ter medo. No quesito otimismo/pessimismo, sobre os impactos do avanço da tecnologia no mundo do trabalho, o Brasil permanece na dianteira: 97% se dizem otimistas e apenas 3% pessimistas – a média global é de 87% e 13%, respectivamente.

Os brasileiros estão também entre os povos pesquisados que mais se consideram bem preparados para o impacto da tecnologia no trabalho (94%), empatando com a Turquia (94%) e perdendo apenas para a Índia (98%).

A automação tampouco assusta os brasileiros. Entre os entrevistados, 82% acreditam que parte de seu trabalho seja automatizada nos próximos 5 anos de forma abrangente e significativa (contra 56% no mundo) e 87% avaliam que a automação trará mais oportunidades que desafios, enquanto a média global é mais baixa: 80%.

Além disso, 87% dos participantes do estudo no Brasil consideram extremamente importante aprender novas habilidades regularmente para continuarem relevantes em sua carreira e 98% dizem que investiriam seu tempo livre nisso, dentro dos próximos 6 meses.

Recomendações do estudo

Para ajudar os líderes a navegar e moldar a futura força de trabalho, a Accenture Strategy tem as seguintes recomendações:

Acelerar o aprendizado de novas habilidades: Investir em técnicas e habilidades genuinamente humanas que envolvam a criatividade e o julgamento, aproveitando o fato de que 85% dos trabalhadores estão prontos para direcionar o seu tempo livre a aprender novas habilidades, nos próximos 6 meses. Faça uma “reabilitação” em escala, utilizando a tecnologia digital. Isso pode incluir wearables, tais como óculos inteligentes que fornecem informações e aconselhamento técnico conforme os trabalhadores realizam suas tarefas. Também pode incluir um software inteligente, para personalizar o treinamento, que oferece recomendações para dar suporte às necessidades de aprendizagem ao longo da vida do indivíduo.

. Redesenhar o trabalho para desbloquear o potencial humano: Cocriar oportunidades de emprego baseadas em funções para satisfazer as demandas dos trabalhadores por um trabalho mais variado e arranjos flexíveis. Desenvolver plataformas por meio das quais uma variedade de recursos e serviços possa ser oferecida aos trabalhadores e autônomos igualmente, a fim de criar uma comunidade atraente que retenha os grandes talentos.

. Fortalecer a condução de talentos a partir de sua fonte: Abordar a escassez de competências de toda a indústria por meio do apoio em longo prazo, soluções coletivas. Estes incluem parcerias público-privadas projetadas para criar uma ampla adoção de treinamento de habilidades. Trabalhar com o sector da educação para a concepção de currículos que desenvolvam habilidades relevantes no início da cadeia de abastecimento de talento.