Tecnologia > Empregos

Remuneração de profissionais de TI é a menos afetada pela crise, revela pesquisa

Estudo da Page Personnel mostra que os investimentos em tecnologia para melhorias de processos são prioridade para as empresas

30 de Agosto de 2017 - 19h12

Uma parcela dos profissionais de suporte à gestão viu seus salários permanecerem estáveis enquanto outra parte foi contemplada com aumento real. É o que revela recente levantamento realizado pela Page Personnel, empresa especializada no recrutamento de profissionais técnicos e de suporte à gestão.

De acordo com o estudo “Remuneração 2017” da companhia, 46% desses profissionais tiveram aumento real no salário em relação a 2015, enquanto 52% dos cargos tiveram apenas reajuste pela inflação. Outros 2% tiveram rendimentos menores em relação à pesquisa anterior. Dos 510 cargos analisados pela companhia, 266 apresentaram remuneração semelhante à verificada em 2015. Foi observado também que 235 dos cargos avaliados registraram rendimentos superiores ao verificado no estudo anterior e apenas nove mostraram salários inferiores ao levantamento de 2015.

“Apesar da crise, alguns setores já mostraram que precisam reforçar sua operação para uma eventual retomada da economia. Há algumas áreas onde já é possível notar esse esforço, como marketing, vendas e varejo. Muitas posições foram sacrificadas e eliminadas num passado recente para equalizar as operações e, agora, há um movimento para buscar mais profissionais em busca do novo ciclo de crescimento. E essa onda faz com que as empresas busquem ao menos oferecer salários mais atraentes tanto na hora da retenção como da atração”, explica Ricardo Basaglia, diretor executivo da Page Personnel.

Para elaborar o estudo, a Page Personnel consultou as informações salariais de 62 mil candidatos de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Curitiba. A partir dessa consulta, a empresa conseguiu traçar a remuneração mensal fixa de 510 cargos em dez setores, listados em faixas salariais mensais fixas que variam de acordo com a experiência do profissional (júnior, pleno, sênior ou coordenador/gerente) e porte da empresa (pequeno, médio ou grande). A empresa também procurou entender como os profissionais enxergam sua carreira, a posição do empregador no seu desenvolvimento profissional e outros fatores que completam a remuneração.

O estudo distribui os cargos nas seguintes áreas de atuação: engenharia, finanças, vendas, bancos e serviços financeiros, marketing, tecnologia da informação, varejo, recursos humanos, propriedade e construção, operações e supply chain e secretariado e business suport.

Tecnologia da informação

O setor de tecnologia da informação não sofreu tanto impacto quanto as outras áreas no período de crise. Mesmo em uma conjuntura de instabilidade, os investimentos em tecnologia para melhorias de processos e eficiência ainda estão nos planos das empresas e os profissionais capazes de entregar as melhores soluções ainda são extremamente bem cotados no mercado.

A área de TI tem uma particularidade diferente: é extremamente mutante. Do ano passado para este, novas tecnologias foram criadas e as antigas caíram em desuso. Por isso, o profissional que está melhor cotado para TI precisa estar sempre atualizado com o mercado e conhecendo ferramentas novas.

“Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia, principalmente as startups, tiveram apoio financeiro de multinacionais e incubadoras. A partir disso, as empresas de TI conseguiram investir em profissionais qualificados. Percebemos que a área de tecnologia teve grandes mudanças e as companhias não utilizam mais projetos de entrega a longo prazo e, sim, um método escalonado e mais rápido. Por isso, agilidade e assertividade nas atuações e decisões são fundamentais para o sucesso do profissional de TI”, detalha o diretor executivo da Page Personnel.

O salário de um analista de suporte pleno, em São Paulo, foi o que obteve maior ganho. Saltou de R$ 3,6 mil no ano passado para até R$ 5,3 mil neste ano.

Finanças

No setor de finanças, foram verificados aumentos salariais em áreas de grande demanda — contábil, financeira e fiscal. Nas outras foram um pequeno aumento ou até mesmo queda na remuneração. Paralelamente, a concorrência entre as empresas por profissionais com bons perfis é intensa, não só pelo bom preparo, mas também pelas ferramentas e conhecimentos práticos que podem ser oferecidos, como experiência em cenários complexos e a habilidade de troca de informações e ações com outras áreas.

Os cargos que mais tiveram alterações nas faixas salariais foram os de analistas fiscal e contábil. O salário mensal médio de um analista contábil sênior em empresa de pequeno porte, em São Paulo, saltou de R$ 4,5 mil em 2016 para até R$ 6,7 mil neste ano. No caso dos rendimentos de um analista fiscal júnior, passou de R$ 2 mil no ano passado para até R$ 3,25 mil neste ano.

Daqueles que mais sofreram perdas nesse setor, o destaque negativo ficou por conta do analista de controladoria pleno. A remuneração desse profissional recuou de R$ 4 mil no ano passado para R$ 3,3 mil.

Vendas e marketing

O setor de vendas tem papel determinante em uma empresa. Nesse sentido, quem acabou obtendo destaque na remuneração foi o vendedor júnior de grandes contas (bens de consumo). Em São Paulo, o salário desse trabalhador foi de R$ 1,95 mil para até R$ 3 mil. Outra alta foi do analista de trade marketing no setor de bens de consumo. Os rendimentos desse profissional saltaram de R$ 3,25 mil em 2016 para até R$ 4,25 mil neste ano.

Já a área de marketing registrou um alto número de contratação de profissionais com foco em marketing digital. Já as agências começaram a buscar um colaborador mais analítico, gerenciando toda a prestação de serviço, como tempo de entrega, índice de satisfação, entre outras funções.

Dois cargos na área de comunicação obtiveram mais destaque no período. No ano passado, os rendimentos de um coordenador de comunicação sênior, na capital, chegavam a R$ 5 mil e neste ano passaram para até R$ 9 mil. Os ganhos para o analista de comunicação sênior passaram de R$ 4,15 mil em 2016 para até R$ 7 mil em 2017.  

Varejo

No segmento de varejo não foi notada grande expansão nesse último período. Um dos principais motivos para esse fato é a diminuição do consumo no Brasil, puxado pelo alto nível de desemprego no País. Mesmo assim, há empresas que ainda puderam expandir nesses últimos meses.

Nessa área, os profissionais que apresentaram melhores remunerações foram os profissionais da área de Operações. O salário de um analista sênior pulou de R$ 5,3 mil no ano passado para até R$ 6,9 mil neste ano. 

Engenharia e manufatura

O piso salarial para engenheiros e técnicos demonstrou estabilidade, se comparado ao ano passado. Ainda assim, dada a versatilidade dos engenheiros no Brasil e a escassez de bons perfis entre eles, ainda há aquecimento para contratações no setor.

Os profissionais com nível pleno foram os que registraram maiores altas salariais. O técnico químico em São Paulo teve seus rendimentos avaliados em R$ 3,7 mil no ano passado. Neste ano passou para até R$ 4,75 mil. Já um técnico eletrônico/ eletricista viu seu salário subir de R$ 3,55 mil em 2016 para até R$ 4,25 mil em 2017. 

Imobiliário e construção

As investigações e escândalos de corrupção fizeram com que grandes empresas — incorporadoras, construtoras e empresas de infraestrutura — parassem de investir em profissionais e empreitadas para dar foco na consolidação das obras existentes. As empresas de pequeno e médio porte aproveitaram a oportunidade para investir um pouco mais em novos projetos, já que viram na ausência das grandes empresas a chance de conquistar mercado.

Um arquiteto de projeto júnior em São Paulo recebia em torno de R$ 2,85 mil no ano passado e passou a ter ganhos de até R$ 4 mil neste ano.

Operações e supply chain

As áreas ligadas a operações e logística tiveram uma tensão especial nesses últimos 12 meses. As empresas estão buscando redução de custo, melhor performance e ajuste de produção na área. No entanto, o cenário em 2017 é bem semelhante ao último ano, contemplando pequenas mudanças salariais.

O analista de PCP júnior foi o profissional desse segmento que apresentou melhores ganhos. Em 2016 sua remuneração era de R$ 3,25 mil e foi para até R$ 4 mil neste ano. 

Recursos humanos

A área de RH foi bastante desafiada em 2016 e começo de 2017. Isso forçou o setor a desenvolver novas facetas na frente do negócio. As empresas passaram por mudanças e redefiniram prioridades neste último ano para acompanhar o cenário da economia brasileira. Apesar da crise econômica e da remodelagem das empresas, o segmento conseguiu se movimentar com pouquíssimas quedas salariais.

Um analista de treinamento e desenvolvimento tinha salário de R$ 4,25 mil em 2016 e saltou para até R$ 6,5 mil em 2017. No caso de um analista pleno de desenvolvimento humano e organizacional, os ganhos saltaram de R$ 3,75 mil em 2016 para até R$ 5,5 mil neste ano.

Secretariado e business suport

Para a área de secretariado o ano foi bem difícil, e o segmento ainda é muito dependente do histórico e da relação entre o profissional e a gestão da companhia. Ao contratar um profissional para essas funções, o contratante não prioriza apenas as habilidades mais buscadas de seus candidatos.