Opinião

Reinvenção digital no mercado financeiro: moda ou necessidade?

Acelerar a inovação é promover a reinvenção digital, e este é o caminho para garantir os negócios no futuro

12 de Junho de 2018 - 08h41

Muito se fala sobre reinvenção digital, principalmente quando o setor foco é o de finanças, mas pouco se entende sobre a realidade e a aplicação deste termo.

Usando as instituições financeiras como exemplo, ser digital é oferecer produtos e serviços em tempo real. Em um banco com aplicações mobile ou home banking, ter um canal digital para permitir aos clientes apenas solicitar os produtos ou algum tipo de serviço não significa oferecer uma experiência de fato digital.

Pensando em décadas de evolução tecnológica, os bancos, os lojistas e todo o segmento de serviços construíram seus legados sem muito pensar no tempo de resposta e na experiência que deveriam oferecer aos seus clientes no futuro. O desafio, portanto, é transformar seu negócio rápido para promover repostas ágeis. Ou seja, passar por uma reinvenção digital.

Os executivos vêm reformulando suas estratégias para continuar a trazer valor aos seus negócios e, cada vez mais, criam soluções e metodologias que permitem esta transformação, colocando-as como prioridade nos projetos das diversas empresas. Exemplos? Infraestrutura flexível e uso extensivo de nuvem, que permitem a escalabilidade de suas aplicações. E mais: criar experiências personalizadas, substituir o tratamento segmentado “cara a cara” pelo tratamento digitalizado individualizado (a partir do uso do dado em profundidade com soluções preditivas e cognitivas) e o desenvolvimento de sistemas no método “Agile”, dando velocidade à criação das “APIs” (microsserviços), que são disponibilizadas nos canais digitais.

Os estudos de “open banking” e blockchain também estão presentes nas estratégias dos bancos, com o foco na promoção de novos modelos de negócios e metodologias que utilizam a colaboração como meio de desenvolver todo um ecossistema. Isso mesmo, trata-se de ser colaborativo em um mercado competitivo. Segundo a pesquisa publicada pela IBM Institute for Business Value, 45% dos executivos entrevistados ao redor do mundo em 2017 acreditam que terão que participar de plataformas de negócios criadas por outros, nos próximos 3 anos.

O fato é que os bancos sempre terão espaço no mercado, ao contrário do que muitos pensam, mas manter seus clientes fieis e satisfeitos é o principal desafio. Para isso, as novas tecnologias estão à disposição em larga escala e ajudam a facilitar a tão falada reinvenção digital. Além disso, os reguladores estão cada vez mais se atualizando para permitir esses novos modelos de negócios. Só no Brasil, ao longo de 2018, tivemos acontecimentos importantes neste aspecto.

Em 26 de Abril o BACEN divulgou a Resolução 4.658/2018, sobre política cibernética e uso de cloud, a qual estabelece condições para uso destes serviços pelas instituições financeiras. O Conselho Monetário Nacional aprovou no mesmo dia a Resolução 4.656/2018, que permite que as fintechs concedam crédito sem a intermediação de um banco. Ainda este ano entra em vigor em sua totalidade a Resolução 3.765/2015, que abre ainda mais o mercado de pagamentos.

Acelerar a inovação é promover a reinvenção digital, e este é o caminho para garantir os negócios no futuro. Não apenas para por reter seus clientes, mas também para ganhar escala, eficiência operacional e, claro, para maximizar as margens dos negócios, os tornando sustentáveis em meio a tantas transformações.

*Mirian Cruz é líder de soluções para a indústria financeira da IBM Brasil