Gestão

Quer um ambiente de trabalho digital? Primeiro é preciso superar resistência

Apesar de a inércia ser encontrada em muitas forças de trabalho, certos grupos de colaboradores estão mais abertos a mudanças

28 de Junho de 2018 - 11h06

Conforme cresce o número de funcionários que pedem ferramentas de colaboração e mobilidade para trabalhar fora do escritório, muda drasticamente a forma como as empresas trabalham.

A variedade de tecnologias disponíveis para dar suporte a uma força de trabalho cada vez mais fragmentada, desde ferramentas de bate-papo da equipe até videoconferências e plataformas de colaboração de conteúdo, está evoluindo e crescendo a cada dia. Porém, embora os benefícios potenciais dessas ferramentas – como a maior produtividade entre as equipes não importa onde estejam – possam parecer óbvios, a adoção generalizada em grandes organizações pode ser problemática.

Uma pesquisa do Gartner com 3,1 mil colaboradores em sete países destacou o desejo das companhias de usar tecnologias novas e existentes para “melhores resultados de negócios” – o que elas chamam de “destreza digital”. Os critérios incluem uma inclinação para colaboração baseada em equipe, capacidade de trabalhar em qualquer lugar e um desejo de adotar novas tecnologias conforme elas surgem.

O Gartner entrevistou pessoas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Austrália, Cingapura e Japão para avaliar o que eles acham do atual ambiente de trabalho digital. Somente uma pequena parte dos usuários está realmente preparada para adotar produtos e serviços que suportam novas formas de trabalho – entre 7% e 18%, dependendo da região, setor e faixa etária.

A baixa adoção de novas tecnologias é um problema perene para os compradores de tecnologia, disse Craig Roth, vice-presidente de pesquisa do Gartner e autor do relatório, explicando que isso pode significar que as empresas perdem os benefícios de novas ferramentas.

“De certa forma, quando as pessoas olham para todas as tecnologias individualmente, elas parecem um benefício fantástico para qualquer organização. Por que alguém não gostaria de trabalhar junto no mesmo documento, ao invés de ter todas as versões distorcidas e ter que enviar por e-mail todas as vezes, por exemplo? E ainda é isso que as pessoas fazem”, exemplifica.

De acordo com a idade

Apesar de a inércia ser encontrada em muitas forças de trabalho, certos grupos de colaboradores estão mais abertos a mudanças.  A idade é um fator chave. As empresas geralmente assumem que os funcionários mais jovens estão dispostos a aceitar mudanças.

Isso foi confirmada pela pesquisa do Gartner: trabalhadores entre 18 e 24 anos de idade são mais receptivos a novas tecnologias e formas de trabalhar. Eles avaliaram a mais alta abertura para tecnologias de consumo, são os mais “tecnologicamente positivos” e estão mais abertos a trabalhar fora dos limites de um escritório.

Porém, os colaboradores entre 55 e 74 anos de idade classificaram-se com o segundo mais alto índice de destreza digital, embora por razões diferentes dos mais jovens. Essa faixa etária foi a mais bem avaliada em sua disposição de trabalhar em equipes e tende a gostar de mais tarefas não-rotineiras.

Aqueles em torno da “meia-idade” (entre 35 e 44 anos de idade) são os que mais lutam contra as novas tecnologias e maneiras de trabalhar. “Aqueles que realmente atrasam o processo tecnológico são as pessoas de meia-idade. Elas parecem estar na era do trabalho penoso”, comenta Roth.

Essa faixa etária é a que mais percebe o trabalho como “rotina” e estava menos inclinada a trabalhar fora de seu escritório. Eles também têm a visão menos positiva da tecnologia. Porém, a situação tende a mudar conforme os colaboradores envelhecem.

Outra área de variação pode ser vista em diferentes países. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha tiveram a classificação mais alta entre os países desenvolvidos, enquanto a Austrália e a França não se saíram tão bem. Há diversas razões para a disparidade. Por exemplo, pode ser menos atraente colaborar com colegas de um escritório em áreas mais densamente povoadas.

O tipo de indústria também pode indicar uma abertura para novas formas de trabalho. O pessoal do setor de varejo estava mais aberto a mudanças, enquanto setores altamente regulamentados, como governo e seguro, eram menos favoráveis. O tamanho da organização também pode influenciar, sendo que as maiores podem ter mais condições de arcar com o hardware, software e treinamento necessários para a mudança digital.

Superando a resistência

Não há nenhum “atalho” para incentivar os trabalhadores a adotarem as tecnologias, mas existem maneiras de aumentar a probabilidade de sucesso ao implantar novos aplicativos. “Há momentos em que o gestor pode chamar a atenção das pessoas e ter uma chance de mudar como elas pensam”, diz Roth.

Uma delas é ao contratar um novo funcionário. Eles ainda não foram doutrinados e provavelmente está mais inclinado a aceitar e gostar das novas tecnologias. Outra é apresentar vários aplicativos de uma vez como parte de um grande projeto de mudança. Isso pode significar a implantação de um pacote de produtividade, junto com a revisão da intranet e outras ferramentas.

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