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Quer saber quantos anos faltam para seu emprego desaparecer?

A preocupação não é de todo ruim — quando implementada da maneira correta, a automação pode ser o catalisador que liberta as pessoas para fazer mais e não menos

10 de Outubro de 2017 - 18h43

Pesquisadores da Universidade de Oxford recentemente entrevistaram 352 especialistas em inteligência artificial (IA) para saber quando ela irá ultrapassar a inteligência humana. Os resultados são, no mínimo, preocupantes: há uma chance de 50% para que a IA seja capaz de nos alcançar em 45 anos.

Nós não iremos perder nossos empregos ao mesmo tempo, então não é necessário se preocupar em caçar uma nova carreira até 2053, mas as opções podem ser limitadas. Os empregados da área de varejo têm 15 anos sobrando, motoristas de caminhão somente dez e tradutores têm apenas sete anos antes de serem substituídos por um robô. Ironicamente, todos os pesquisadores irão ter 85 anos para descobrir antes que a IA tome conta por si mesma.

Existe uma grande e compreensível preocupação, mas é mais importante lembrar que máquinas que assumam trabalhos de humanos não é novidade. Em 1620, reguladores de temperatura foram substituídos por um termostato revolucionário. Mais recentemente, houve um grande debate na década de 1920 sobre o "desemprego tecnológico" no setor agrícola na sequência de invenções como o trator e outras tecnologias avançadas.

Houve um tempo em que a agricultura representava cerca de 90% dos empregos na economia. Outras indústrias foram criadas e muitas evoluíram na era moderna. À medida que a Lei de Moore, que dizia que o poder de processamento dos computadores dobraria a cada 18 meses, começa a atingir seu pico e conceitos como de IA se aproximam da realidade, a automação passa a acontecer a um ritmo mais rápido do que nunca, daí o aumento da preocupação. Mas não é de todo ruim — quando implementada da maneira correta, a automação pode ser o catalisador que liberta as pessoas para fazer mais e não menos.

David Autor, economista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), defende que a automação é uma tarefa particular para baratear ou rapidamente aumentar a demanda por trabalhadores a fazerem outras tarefas que não foram automatizadas. Na Austrália, por exemplo, uma pesquisa da Deloitte mostra que a região necessita criar 81 mil novas posições em TI até 2022 e este é um grande desafio, visto que o número de graduações na área é menor a 4 mil.

Por sua natureza, a TI está com a automação em uma escala maior que em muitas indústrias e, segundo a teoria de Autor, a automação frequentemente remove tarefas repetitivas e cansativas para liberar os colaboradores para serviços e projetos que contribuem de forma mais importante para o negócio em questão.   

Antigamente, equipes de TI passavam horas, e às vezes dias, apagando incêndios e ficando acordados a noite toda para instalar upgrades e rezando, para nada dar errado. As pessoas nesses papéis não foram demitidas diante das inovações. A nuvem corporativa e a nuvem pública fizeram com que eles se adaptassem. Agora estes profissionais podem focar seu talento na criação de novos serviços digitais para clientes e funcionários. Em vez de monitorar redes, eles podem observar tecnologias emergentes como, exemplo, a hiperconvergência que concentra processamento e armazenamento e os data centers modulares que permitem maior eficácia de gestão, menor consumo de energia elétrica e redução de custos operacionais, contribuindo para implementar infraestruturas e estratégias corretas para maximizar os negócios.

Os chamados Millenials, também conhecidos como geração Y, representados por homens e mulheres nascidos entre 1977 e 2000, já têm uma atitude diferente. Eles buscam mais dinamismo em sua vida profissional e, à medida que a geração Z entra no mix, passamos a conviver com as gerações que aceitarão mais a necessidade de se adaptar e ser flexível para um mundo de automação.

A automação e, em particular, a automação relacionada com a IA, colocará alguns trabalhos no bloco de corte e as próximas décadas serão perturbadoras nesse sentido. Mas nem tudo é melancolia, e se a história nos ensinou alguma coisa, é que a tecnologia pode nos permitir fazer mais se a usarmos com sabedoria e criarmos novas indústrias para nos levar adiante.

*Leonel Oliveira é gerente geral da Nutanix no Brasil.