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Quatro pilares fundamentais para a Transformação Digital na América Latina

Digitalização é o meio de alcançar objetivos e resultados de negócios, tornando as empresas mais produtivas, inovadoras e competitivas

28 de Março de 2016 - 10h57

O uso da tecnologia digital muda profundamente a sociedade. A cada instante surgem novas ferramentas, dispositivos e formas inovadoras para diferentes áreas da vida. As empresas não podem ignorar a mudança em curso, diante de um cenário de negócios em rápida transformação imposta pelo desafio de adaptar-se com grande velocidade ou ficar para trás e perecer.

O contexto atual força as empresas a repensar seus processos e encontrar, na utilização da tecnologia, a maneira ideal para alcançar melhorias significativas em suas operações e processos, criar novos modelos de negócios que podem trazer mais clientes através de experiências satisfatórias, com foco na manutenção da competitividade no mercado.

A Transformação Digital tornou-se uma questão-chave na agenda corporativa. Só na América Latina, 26% dos CIOs em empresas de grande porte começaram a trilhar o caminho "digital" em 2016. No entanto, não só os responsáveis por tecnologia na empresa estão envolvidos nesse sentido. Isto também é um grande problema para os líderes de negócios. O IDC afirmou que até 2017, um em cada três CEOs das 3 mil maiores empresas da América Latina colocaria a Transformação Digital como base de sua estratégia corporativa.

Transformação Digital não é apenas a adoção de novas tecnologias, mas também novas maneiras de tornar os negócios mais eficientes e competitivos. É a adoção de tecnologias digitais em todas as fases da cadeia de valor do negócio (da cadeia de abastecimento à fabricação e distribuição) a fim de aumentar a receita e produtividade. E deve ser combinada com a reorganização meticulosa de processos de trabalho, reestruturação do negócio e a formação de recursos humanos. É um dos desafios críticos para os negócios na América Latina nos próximos anos, porque apesar de seu alto nível de adoção, poucas empresas aproveitam o potencial deste modelo de negócio.

De acordo com o estudo do gA, "América Latina 4.0: A Transformação Digital na cadeia de valor", apesar do grau extremamente alto de adoção das tecnologias digitais (79 de 100 empresas em média) em vários setores industriais, sua assimilação junto ao processo de negócios é baixo. As com os maiores avanços na digitalização são as dos setores de serviços, especialmente saúde, finanças e telecomunicações; que atingiram um grau maior de sofisticação. Enquanto as indústrias extrativas, incluindo mineração, petróleo e gás e fabricação estão se movendo em um ritmo mais lento. Dados do estudo do gA revelam que enquanto a maioria das empresas (75%) têm algum tipo de estratégia digital, a prontidão média para implementar mal chega a 46%. Além disso, quase 50% dos executivos entrevistados admitiram que as iniciativas digitais encontram-se isoladas em silos.

As empresas pesquisadas dizem que a digitalização dos processos de produção é essencial para a competitividade, mas devem estar focadas em transformar o investimento em ganhos de produtividade. É necessário ter uma visão ampla empresarial em torno das vantagens competitivas que podem ser alcançadas com a digitalização. Trata-se de um modelo completo baseado em quatro pilares fundamentais:

– Gestão de Processos de Negócios: Implementar mecanismos robustos para gerenciar os processos de negócio da empresa. Centra-se sobre a forma de documento, definir, implementar e melhorar os processos de negócios com uma abordagem prática.

– Gestão de Pessoas e Mudanças: Uma gestão eficaz da mudança garante que as pessoas envolvidas no processo de transformação ou afetadas pelos seus resultados preparem-se para enfrentar os novos desafios nas áreas onde trabalham.

– Gestão de Valor: Aplicar técnicas qualitativas, incluindo indicadores quantitativos para planejar, no contexto de um caso de negócio, o valor econômico que a empresa obteria se pudesse melhorar estrategicamente os processos.

– Gestão de Tecnologia: Para adotar tecnologias tais como mobilidade, redes sociais, infraestrutura em nuvem, análise de dados e Internet das coisas, deve-se levar em conta a maneira como a empresa define seu modelo de negócios, gerencia suas operações e entrega seus produtos e serviços aos clientes. Portanto, eles devem ser alinhados.

A digitalização de negócios não é o objetivo em si mesmo, pelo contrário, é o meio de alcançar os objetivos e resultados de negócios que fornecem benefícios nos mercados, tornando as empresas mais produtivas, inovadoras e competitivas em troca.Neste ambiente econômico volátil, as empresas precisam mudar o jogo antes de seus concorrentes e aumentar sua vantagem competitiva na era digital, o que é possível graças à Transformação Digital. E a sua empresa, está pronta para mudar o jogo antes de seus concorrentes? Não fique para trás !

*Federico Tagliani é vice-presidente do gA (Grupo ASSA).