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Qualcomm: novo chipset Snapdragon X24 marcará transição para o 5G

Moden atinge velocidades de até 2Gbps por segundo. Fabricante também anunciou parcerias e demonstrou potencial do 5G para indústria 4.0

15 de Fevereiro de 2018 - 10h06

A Qualcomm anunciou nesta quarta-feira (14/2) um novo chipset que deve pavimentar o caminho em direção à quinta geração de telefonia móvel, o 5G. O chamado Snapdragon X24 é, segundo a fabricante, o primeiro chipset com modem 4G/LTE do mundo que consegue entregar uma velocidade de 2Gbps por segundo.

A companhia também revelou ter concluído uma série de testes que garantem o potencial do 5G para a indústria automotiva e a iminente indústria 4.0. Na última semana, acompanhamos demonstrações do 5G e do X24 da Qualcomm, em sua sede em San Diego, no evento “5G Day”. Tais anúncios seguiam sob embargo até esta quarta.

A previsão de que os primeiros aparelhos 5G cheguem para usuários no segundo semestre de 2019 foi novamente reforçada pela Qualcomm. Dois outros grandes anúncios, que também tomaram lugar na semana passada, sinalizam os esforços da companhia para não sair do prazo. No total, 19 OEMs (sigla em inglês para Original Equipment Manufacturers) e 18 operadoras globais se comprometeram em utilizar o Snapdragon X50 5G NR (New Radio) da Qualcomm. Entre as operadoras estão nomes como AT&T, Sprint, Verizon, TIM e Telstra. Já do lado das OEMs estão nomes familiares como Asus, Sony Mobile, Xiaomi, ZTE, LG e Vivo.

Um 4G mais veloz rumo ao 5G

A Qualcomm define o Snapdragon X24 como uma ponte entre os padrões 4G e 5G, isso porque permite velocidades de transferência mais altas do que os modems LTE anteriores. Dessa forma, o que se espera é que operadoras consigam oferecer velocidades gigabit a partir das redes LTE existentes como uma espécie de backup para o desdobramento do 5G.

Além disso, a Qualcomm reivindica outros títulos: o X24 é o primeiro chip construído em um processo de 7nm e sob a Categoria 20 LTE, o que permite ser duas vezes mais rápido que o seu antecessor. Segundo a fabricante, os aparelhos equipados com o X24 conseguirão se conectar a toda gama do espectro disponível hoje pelas operadoras, aumentando a performance dos aparelhos atuais.

A expectativa é que os primeiros smartphones com o Snapdragon X24 cheguem ao mercado até o final de 2018. O modem deve funcionar em conjunto ao lado do Snapdragon X50 5G NR em dispositivos multimodo 4G/5G quando as redes 5G começarem a ser lançadas em 2019.

Um novo idioma para a IoT

Durante seu keynote no "5G Day", o presidente da Qualcomm Incorporated, Cristiano Amon, ressaltou o potencial do 5G para impactar além da cadeia dos smartphones e que a indústria possui, hoje, um entendimento mais maduro do poder das tecnologias sem fio.

"A infraestrutura do 4G permitiu a criação de modelos de negócio diferentes. Não teríamos o Instagram ou WhatsApp não fosse pela infraestrutura móvel. Não haveria Uber e todo o conceito da economia compartilhada", reflete o executivo. "Avançamos para o dia de hoje e você olha para a China que com Baidu, Alibaba e Tencent, e com o WeChat desafia instituições financeiras. E o 5G fará o mesmo. Por isso temos tantas atividades suportando os esforços em 5G", completa. A projeção da Qualcomm é que o mercado para o 5G gere um impacto de 12 trilhões na economia global. Uma projeção que, segundo Amon, é modesta quando se compara a tudo que foi construído sobre a infraestrutura 4G.

Entre as demonstrações da Qualcomm exibidas em San Diego estava o exemplo de um chão de fábrica habitado por robôs industriais. Ao usarem um modem 5G, tais máquinas poderiam se livrar de uma massa de cabos ethernet e assim ganhar mobilidade para realizar múltiplas tarefas na mesma planta, ou seja, maior eficiência de um mesmo ativo.

Serviços de missão crítica também serão beneficiados. Vimos o exemplo da comunicação estabelecida entre um carro e uma ambulância conectados. Na demonstração, ao ver uma cena de acidente, um carro poderia compartilhar dados de vídeo e localização com uma ambulância. Ao mesmo tempo, a ambulância conseguiria calcular e seguir a melhor rota, solicitando até mesmo passe livre em sinais de trânsito e enviar avisos para outros carros quando se aproximar para socorrer vítimas.

De olho nesse potencial do 5G para a Internet das Coisas e cidades inteligentes, a Qualcomm anunciou um novo kit de desenvolvimento de software, o SDK LTE IoT para o modem Qualcomm MDM9206 LTE. O novo SDK deverá estar disponível no primeiro semestre deste ano e será demonstrado no Mobile World Congress em algumas semanas, assim como outros casos de uso do 5G, disse a companhia.

Eu terei de comprar um smartphone 5G?

O 5G promete ser, pelo menos, 10 vezes mais veloz que as atuais redes LTE e para se beneficiar dessa velocidade, você terá de comprar um smartphone compatível. Para Cristiano Amon, a própria natureza da indústria do smartphone impulsionará a adoção do 5G por parte dos consumidores finais. "O que torna a indústria muito animadora como é, é que todo mundo sabe que a cada ano vai ter uma atualização, um grande lançamento. Eu penso que você atualizará para um smartphone de 2Gbps e depois para um de 5G", diz Amon. "E isso será ótimo para a gente", brinca.

Dada a velocidade e capacidade do 5G, muitos defendem que a nova geração de internet móvel poderia, inclusive, substituir as redes Wi-Fi. O que levanta questões também sobre como as operadoras vão monetizar essa nova potência. Questionado sobre o tema, Amon diz que com o 5G as operadoras vão poder mudar seus modelos de negócio. Ao mesmo tempo, reconhece que o desdobramento do 5G vai de encontro com a neutralidade de rede. Nos Estados Unidos, a neutralidade de rede, que garantia que os dados fossem transmitidos pela internet de forma indiscriminada pelas operadoras, foi revogada em dezembro último. Na época, as operadoras disseram que não limitariam o acesso ao conteúdo legal, mas que poderiam se engajar em prioridades pagas.

Para Amon, muitas companhias devem ver valor na monetização de dados a medida que o machine learning impulsiona e transforma indústrias.

"A medida que mais fontes de receitas vêm de dados e você tem diferentes valores para esses dados, não é à toa que se tem essa discussão de neutralidade com o desdobramento do 5G. Mas acredito que é justo assumir que os modelos de negócios e as operadoras vão mudar e vão mudar em múltiplas direções. Você verá operadoras ficando mais diversificadas, operadoras comprando conteúdo e outras indo para cadeias de valores, acho que veremos isso nos próximos anos a medida que o 5g amadurece", conclui Amon.

*A jornalista viajou a San Diego a convite da Qualcomm