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Qualcomm e Broadcom se reúnem e avançam em possível acordo de compra

Produtora de semicondutores diz estar disposta a conversar em caso de proposta que reflita o 'verdadeiro valor' da companhia

19 de Fevereiro de 2018 - 10h43

A Broadcom parece ter, finalmente, despertado a atenção da Qualcomm depois de persistentes ofertas de compra da concorrente.

Na última sexta-feira (16/2), o próprio site da companhia traz uma carta pública assinada por Paul E. Jacobs, presidente do conselho da Qualcomm. O documento é direcionado ao presidente e CEO da Broadcom, Hock Tan.

Em resumo, Jacobs diz que o conselho da Qualcomm estaria aberto a discutir o que seria uma melhor oferta de aquisição pela Broadcom. No caso, uma que reflita o "verdadeiro valor" da companhia e que enderece melhor suas preocupações sobre potenciais obstáculos regulatórios ao acordo.

A carta da Qualcomm vem a público dois dias após as duas empresas se reunirem na quarta-feira (14). A Qualcomm classificou o encontro como "construtivo". Vale ressaltar que foi a primeira vez que ambas se encontraram para discutir a oferta existente de US$ 121 bilhões.

Entretanto, o conselho de diretores mantém sua posição de que a oferta, que representa um pagamento de US$ 82 por ação da Qualcomm, a desvaloriza e que oferece um risco "inaceitável" para a empresa. "Dessa forma, não reflete os melhores interesses dos acionistas da Qualcomm", escreveu o executivo.

O conselho também reforça que a Broadcom não comentou suas intenções para o futuro da divisão de licenças da Qualcomm.

Entenda

Em novembro do ano passado, a Broadcom ofereceu pagar 70 dólares por ação da Qualcomm, ou algo em torno de 103 bilhões de dólares, mas a diretoria da fabricante rejeitou a oferta. A Broadcom voltou atrás e aumentou a sua oferta para 82 dólares por ação e informou que seria sua oferta final.

Os chips das duas fabricantes estão presentes na maioria dos smartphones do mercado – e em muitos outros aparelhos encontrados em infraestrutura de TI, incluindo os setores de armazenamento e redes.

A própria Qualcomm está no meio de uma aquisição gigante no momento, ao tentar comprar a fabricante de chips NXP Semiconductors. Vale lembrar que a oferta final da Broadcom está condicionado à Qualcomm fechar esse negócio pelo valor atual, ou sair da transação. Ou seja, a Broadcom topa aumentar o seu lance, mas não quer que a sua empresa alvo gaste mais dinheiro.

A recente oferta da Broadcom pela Qualcomm nem se compara aos 5,5 bilhões de dólares que a primeira pagou para comprar a Brocade, uma fabricante de hardware de redes para data centers.