Internet

Provedores preparam "blacklist colaborativa" para reduzir taxa de spam no Brasil

Abrahosting lidera iniciativa, que visa economizar milhões de reais para o setor de hospedagem

05 de Abril de 2018 - 15h34

Provedores de internet, representados pela Abrahosting (Associação Brasileira das Empresas de Infraestrutura de Hospedagem na Internet) estão concluindo a criação de uma "blacklist colaborativa", unindo os maiores provedores de hospedagem dentro e fora da sua base no Brasil. O foco da iniciativa é reduzir a taxa de spam no tráfego de e-mail e promover economia de milhões de reais para o setor de hospedagem.

Juntos, os associados da Abrahosting são responsáveis por suportar cerca de 60% do tráfego da internet no Brasil e estão entre as principais vítimas operacionais do grande tráfego de spam, hoje representando 97% das mensagens que atingem as bordas dos provedores locais.

A entidade explica que a iniciativa é um cadastro unificado de remetentes e de domínios de e-mail que são classificados como "não seguros" pelos sistemas de controle cibernético de cada provedor envolvido, criando uma base unificada on-line de reputação dessas origens para otimizar a eficiência das políticas de bloqueio.

Gustavo Morgado, diretor de operações da Abrahosting, explica que, atualmente, os provedores brasileiros trabalham com blacklists próprias, não compartilhadas, o que gera conflitos entre eles na avaliação da origem das mensagens, dificultando as políticas de controle do spam.

O novo sistema de reputação será baseado em uma solução em nuvem de múltiplas checagens, e com capacidade de individualizar a reputação de cada remetente inseguro. Um recurso que se aplica mesmo quando este usuário estiver fazendo uso de um IP compartilhado, empregando recursos de remetente aleatório ou usando múltiplos servidores de origem para tentar mascarar o spam.

"O modelo que estamos criando adota um novo tipo de ferramenta de código aberto em nuvem que avalia o DNS e o SPF de forma simultânea e permite técnicas bem mais refinadas de definição de bloqueio", comenta o diretor da Abrahosting. Entre as soluções já em estudo pela Abrahosting está o sistema brasileiro SPFBL, que propicia a criação de uma comunicação P2P entre provedores de modo a manter uma blacklist dinâmica e com múltiplos parâmetros.

Entre estes parâmetros de restrição, Gustavo Morgado elenca o bloqueio a IP único ou ranges de IP, e-mail de remetente, domínio de remetente, nome do servidor de email, endereço de retorno ("regex") de remetente, ID e CNPJ/CPF registrados no Whois do Registro.br, entre outros.