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Prisão de herdeiro da Samsung não deve afetar negócio de smartphones, dizem analistas

O vice-presidente de pesquisa de dispositivos da IDC, Bryan Ma, diz que o negócio está mais sujeito a fatores do mercado de smartphone do que à prisão de Lee

17 de Fevereiro de 2017 - 21h19

A prisão do vice-presidente e herdeiro da Samsung Electronics, Lee Jae-yong, na quinta-feira,16, na Coreia do Sul, acusado de corrupção, fraude e perjúrio no caso conhecido como "Rasputina", que provocou o impeachment da presidente da República Park Geun-hye, em dezembro do ano passado, pode não ter um impacto direto nos negócios do grupo, incluindo a sua unidade de smartphones, de acordo com analistas.

O executivo, que também é conhecido como Jay. Y. Lee, havia sido promovido em 2012 para sua atual posição na Samsung Electronics, embora seja visto como o líder de fato do grupo Samsung.

"Eu não esperaria muita interrupção [nos negócios] da Samsung Electronics no curto prazo, dada a [competência] da liderança e das equipes operacionais locais", disse Bryan Ma, vice-presidente de pesquisa de dispositivos da IDC. "O negócio está mais sujeito a fatores do mercado de smartphone, bem como à oferta e a procura de componentes como memórias, do que à prisão de Lee", acrescentou.

Patrick Moorhead, presidente e principal analista da Moor Insights & Strategy, disse à CNBC Squawk Box que também não vê qualquer impacto à empresa no curto prazo. “Lee não é o rosto global da marca e não está envolvido no dia a dia da empresa", ressaltou ele.

No longo prazo, porém, a prisão de Lee pode trazer impacto, sim, às operações da empresa. "Pode ser mais sobre as perspectivas no longo prazo, incluindo sua direção estratégica, gestão, planejamento sucessório e seu esforço para criar uma cultura corporativa mais ágil, o impacto da prisão", disse Ma, da IDC.

A detenção de Lee ocorre num momento ruim para a Samsung, que em setembro do ano passado teve que suspender as vendas e interromper a produção do Galaxy Note 7, após relatos de problemas com a bateria do smartphone. Isso levou ao recall de aproximadamente 3 milhões de aparelhos, tornando o caso embaraçoso e caro.

A empresa informou que a receita no terceiro trimestre de sua divisão de TI e comunicações móveis foi 15% menor do que a registrada no mesmo período do ano anterior, totalizando 22,5 trilhões de wons (o equivalente a US$ 19,8 bilhões). O lucro operacional da divisão também caiu, 95%, pata 100 bilhões de wons, como resultado a descontinuação da produção do Note7, que obrigou a empresa a fazer o recall duas vezes. A empresa culpou dois fornecedores pelos problemas com as baterias do smartphone.

A Samsung Electronics não se pronunciou sobre a prisão de Lee.