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Principais desafios para a indústria automobolística

Com a rápida evolução tecnológica, os fabricantes de automóveis terão que se adaptar a inovações e ao novo perfil do consumidor

02 de Fevereiro de 2017 - 17h19

A indústria automobilística está passando por um período de ruptura e transformação. A relação cada vez mais próxima entre empresas de tecnologia e fabricantes de automóveis contribui para expandir os limites do mercado tradicional. Os clientes estão mudando, evoluindo e, aos poucos, trocando a mentalidade de consumo impulsivo por mais qualidade dos serviços.

Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, que analisa as Indústrias em Transformação, de 2016, os consumidores de hoje esperam que produtos e serviços estejam disponíveis quando e onde eles precisam, 24 horas por dia. O transporte para eles não é apenas uma forma de chegar a algum lugar, mas uma experiência, formada por um conjunto ilimitado de mídias sociais e serviços de entretenimento.

Tendo em vista este cenário, existem alguns desafios que a indústria automobilística deverá encarar a partir deste ano:

1. O aumento da globalização significa maior complexidade e risco. Mudanças críticas nas fontes globais de suprimento, combinadas com estratégias direcionadas para mercados emergentes, trazem novos desafios relacionados ao comércio global e ao cumprimento de padrões de logística internacional de veículos prontos.

2. As indústrias automotivas estão desgastadas e precisam encontrar novos caminhos para eficiência e crescimento. A maioria dos principais OEMs e fornecedores de nível 1 têm se concentrado em eficiência operacional, fabricação enxuta, melhorias contínuas e esforços de aumento da qualidade há mais de 20 anos. Por isso, hoje, há espaço limitado nessas áreas para economias e rendimentos adicionais.

3. Soluções de supply chain já reduzem os custos de produção. E não há dúvidas de que as tecnologias de supply chain estão no centro dessa transformação digital na indústria automotiva, pois são capazes de minimizar os custos de produção por meio de soluções para análise de performance e de execução no chão de fábrica.

4. O carro conectado e a popularização do Uber estão levando à ruptura e inovação. O mercado automotivo está deixando de ser exclusivo das montadoras, e um novo ecossistema de fornecedores, OEMs, concessionárias e serviços complementares está chegando. Saber integrar as novidades tecnológicas no ambiente automotivo será fundamental para uma estratégia eficaz e bem-sucedida.

5. Os consumidores estão se afastando da necessidade de possuir um carro próprio. A indústria está evoluindo para uma mentalidade focada em serviços de transporte, ao invés da entrega de veículos. A Ford, por exemplo, anunciou recentemente seus planos de se posicionar como líder em serviços de transporte, em adição à venda de automóveis. E, veremos, cada vez mais, o modelo ‘Uber’ na indústria, que apoiará o transporte como serviço.

6. A inovação é necessária para melhor atender às necessidades dos clientes. Há uma crescente demanda por personalização e maior intimidade com o cliente. As indústrias automotivas são desafiadas a encontrar novas maneiras de se aproximar do consumidor, ao mesmo tempo em que mantêm a lucratividade.

Ainda de acordo com o Fórum Econômico Mundial, a transformação digital no ambiente automotivo está impactando as áreas de pesquisa e desenvolvimento, aquisição, montagem, marketing, peças e serviços. O relatório afirma que no segmento de peças, 10% a 15% de toda a receita global será gerada online até 2025, e para o varejo de peças e serviços, a China será o mercado mais atraente para o crescimento da receita em digitalização. Além disso, a Business Insider estima que mais de 380 milhões dos carros conectados estarão em circulação em 2021.

Não há dúvidas de que 2017 será o ano em que a indústria automotiva precisará se preparar para o futuro do setor. Hoje, os proprietários de veículos estão atentos às manutenções preventivas de acordo com a quantidade de quilômetros rodados, mas em breve o próprio veículo poderá se comunicar com a concessionária, e até mesmo agendar a troca de óleo, pneus e até sensores.

Segundo a McKinsey, o pool de rendimento do mercado automotivo vai aumentar e se diversificar significativamente em direção a serviços de mobilidade sob demanda e orientados por dados. Isso pode gerar até US$ 1,5 trilhão — ou 30% a mais — em potencial de receita adicional em 2030, em comparação com cerca de US$ 5,2 trilhões de vendas de carros tradicionais e produtos/serviços de pós-venda, um aumento de 50% de cerca de US$ 3,5 trilhões em 2015. A McKinsey também estima que o crescimento das vendas globais cairá de 3,6% para 2% até 2030. Muito disso será impulsionado pelo compartilhamento de automóveis e outros serviços de mobilidade.

Com o surgimento de veículos autônomos e carros conectados, a indústria será muito diferente nos próximos cinco a dez anos. Será essencial que elas encontrem formas de apoiar novas estratégias de crescimento, ao mesmo tempo em que mantêm custo benefício e rentabilidade. Por outro lado, a segurança também será um ponto sensível, e caberá à indústria superar muitos desafios tecnológicos e regulatórios para que veículos não sejam hackeados e controlados à distância, colocando a vida das pessoas em risco. Por enquanto, os que começarem a implementar estratégias de transformação digital estarão no caminho certo para o sucesso.

*Gabriel Lobitsky é diretor de vendas para Sul da América Latina da Infor.