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Previsões de IoT e Manufatura de Processos em 2016: explorar e aprender

Em 2016, veremos cada vez mais empresas coletando dados transacionais e explorando a Internet das Coisas para aumentar a rastreabilidade

22 de Fevereiro de 2016 - 08h00

A Internet das Coisas (ou IoT - do inglês Internet of Things) ainda é um processo relativamente novo e, de fato, algumas coisas não acontecerão da noite para o dia. Em 2016, veremos um aumento significativo de empresas de manufatura de processos coletando dados transacionais e explorando a IoT para aumentar a rastreabilidade. 

O ano de 2016 será mais um ano para a indústria de processos observar e aprender. Há corporações liderando os investimentos, particularmente a indústria farmacêutica, que precisa se preparar para o EU Falsified Medicines Directive (Diretiva da União Europeia que visa evitar Falsificação de Medicamentos) que deve valer a partir de 2018.

As tecnologias serão fundamentais para permitir à indústria farmacêutica atender a esta obrigatoriedade, particularmente em rastreabilidade, e 2016 será o ano para estudar e adquirir estas tecnologias com o objetivo de assegurar que possam ser implementadas em toda a cadeia global de suplementos no prazo determinado.

A coleta de dados via sensores e balanças não é novidade para a indústria de processos. Na realidade, companhias que executam processos de ativos-intensivos em larga escala já fazem isso há décadas. No entanto, historicamente, a habilidade de coletar dados veio somada a um alto custo. A Internet das Coisas (IoT) anuncia uma nova era no aumento do nível de rastreabilidade, que não é mais no reino das grandes corporações, mas que abre as portas para negócios menores.

Agora todas as coisas têm sensores e podem ser rastreadas, desde empilhadeiras até a localização de armazenamento, e dos paletes até caminhões. Cerca de 25% de nossos clientes estão coletando dados transacionais atualmente. Acreditamos em um aumento neste dado para cerca de 80% nos próximos cinco anos, isso por conta do aumento de disponibilidade desta tecnologia e diminuição do custo de entrada.

A Revolução Robótica impactará a Indústria de Manufatura de Processos

As máquinas inteligentes, ou robôs, como são conhecidas popularmente, estão cada vez mais ativos da indústria de processos, com a expectativa que realizem muitas das tarefas na manufatura e no armazenamento.

O Gartner prevê que até 2018, 50% das empresas em crescimento acelerado terão menos funcionários do que máquinas inteligentes. Para a IFS, isso acontecerá não apenas com máquinas que fabricam carros, como em propagandas, mas com máquinas inteligentes altamente autônomas e capazes de tomar suas próprias decisões. Por exemplo, um robô que pegará uma ordem de um cliente irá decidir qual a rota mais eficiente e fazer prioridades de alocação dos produtos em caso de baixo estoque.

Atualmente, essas decisões são tomadas por humanos, frequentemente na base de recomendações de WMS ou sistemas de ERP. As empresas já estão começando a experimentar e veremos uma maior adoção de máquinas inteligentes em 2016.

Essa adoção também irá liderar mudanças em soluções de ERP. Interfaces vão mudar, elas precisarão lidar com mais dados transacionais e, acima de tudo, precisarão fornecer informações necessárias para tomada de decisões, ao invés de tomar a decisão dentro do ERP.

Com a adoção generalizada continuando a crescer, 2016 será o ano onde as indústrias de manufatura de processos aumentarão seus investimentos em máquinas inteligentes para alcançar um nível de eficiência. No entanto, a complexidade da cadeia de suprimentos e os processos de manufatura significam que uma adoção em larga escala por toda a cadeia de fornecimento levará mais do que 12 meses.

Clientes querem rastreabilidade em mais indústrias

Com o aumento de adoção de serviços de nuvem públicas (public cloud) como plataforma para gerenciar os dados produzidos por rastreabilidade, clientes terão a capacidade de escanear o código de barras em seus bifes de lombo no supermercado e rastrear a jornada desde a fazenda até a prateleira do supermercado.

Isso só será possível através da rastreabilidade na cadeia de suprimentos - desde o fabricante, que irá registrar os bens captados pela empresa de transporte que pode catalogar o peso, desde os quilômetros de distâncias dirigido e até a temperatura do veículo, até a loja que irá registrar a chegada e registro no sistema e assim em diante.

O nível de rastreabilidade está se tornando cada vez maior e mais importante para fabricantes de alimentos, para os quais a confiança da marca é crucial. Desde o famoso escândalo da carne de cavalo que impactou a indústria de alimentos há alguns anos atrás, essas empresas farão qualquer coisa para assegurar que os produtos que vendem estejam absolutamente perfeitos.

A implementação em larga escala deste nível de rastreabilidade ainda está um pouco longe da realidade, mas não estamos falando de milhões de milhas, portanto, as empresas terão que usar 2016 para inserir a estratégia para a implantação desta tecnologia.

* Jakob Bijourklund é global director para indústria de processos da IFS