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Prevenção a fraudes com análises avançadas de dados

Ainda que o uso de novas tecnologias esteja apenas começando, os avanços já são significativos e a evolução futura ocorrerá em velocidade bem maior

16 de Fevereiro de 2018 - 16h11

É incrível como as coisas mudam rapidamente hoje em dia. Avançamos cada vez mais rápido, seis meses em um, dez anos em um, e muito em breve, 100 anos em um. É a exponencialidade gerada pela velocidade de criação e armazenamento de informações e dados, rebatendo o conceito comum de linearidade. E quem melhor expressa esta tendência que o Jarvis, o supercomputador de inteligência artificial do Homem de Ferro?

Como bem diz Peter Diamandis, co-fundador da Singularity University e incentivador de inúmeros projetos de tecnologia, em um futuro próximo, muitos de nós terão o seu próprio Jarvis com quem conversaremos sobre o tempo, o trânsito, as notícias de jornal, sobre lugares a visitar, ciência natural, e uma infinidade de outros temas. Detalhe, tudo online!

Mesmo parecendo previsões futuristas, hoje já temos várias evidências de como a tecnologia cognitiva está presente em nossa rotina. Já contribuem no auxílio em detecção e tratamento de doenças – câncer principalmente –, atendimento eletrônico a clientes, na transcrição de voz para texto, na análise de dados em e- mails, redes sociais e fotos, carros autônomos e até na avaliação de risco de crédito. Você pode ainda não ter um Jarvis para chamar de seu, mas as crianças já contam com o Dino, um brinquedo cognitivo que ajuda no desenvolvimento delas.

E como aproveitamos esta tecnologia em atividades de Compliance? Alguns bancos britânicos já iniciaram trabalhos para utilização da plataforma IBM Watson para complementar seus processos de Know Your Customer (KYC) e prevenção à lavagem de dinheiro, tornando-os assim mais eficientes e menos custosos. Como isso foi possível? A eficiência vem da capacidade de analisar com profundidade e sem influência ou viés pessoal, um maior número de eventos.

É fundamental, ao investigar transações e comportamentos de clientes, incluir dados estruturados e não estruturados; algo que nós humanos não conseguimos acompanhar dado o volume de dadosna velocidade exigida. A redução de custos vem da reconciliação de dados mais rápidos, o que possibilita respostas objetivas e narrativas mais completas para os eventos que realmente necessitam um julgamento humano.

A plataforma precisa, entretanto, de ajuda para fazer este trabalho pesado de análise e seleção de casos para os humanos avaliarem, e esta ajuda vem exatamente dos colaboradores do banco. O Watson consegue absorver o melhor das pessoas, que são seus curadores ou “professores”, e utiliza este conhecimento compartilhado para resolver os problemas que lhe são direcionados. Cada resposta apresenta um nível de confiança, ou assertividade, que somente será entregue quando ultrapassar o limite mínimo estabelecido por um especialista.

Como o processo é continuo e ininterrupto, com o tempo a plataforma melhora sua amplitude de respostas e também sua assertividade, identificando assim, somente os casos que realmente necessitam de revisão humana, ou seja, aumento contínuo da eficiência do processo decisório. O maior valor da plataforma reside exatamente neste processo de aprendizagem, para que o banco possa entregar a seus clientes e acionistas o maior benefício: evitar fraudes.

O resultado é um número menor de alertas do tipo 'falsos positivos', eliminando o tempo desperdiçado dos analistas em uma investigação que terá certamente o descarte. Com isso, o tempo dos analistas fica exclusivamente dedicado ao aumento expressivo de clientes analisados devido ao maior número de alertas 'verdadeiros positivos'. Outra vantagem é que a plataforma também provê uma narrativa mais completa, poupando o tempo dos analistas em complementar a análise deste tipo de alerta. O ajuste constante do modelo automatizado de análise garante um maior tempo para análises e estudos de maior valor agregado.

Ainda que o uso e aprendizado de novas tecnologias esteja apenas começando, os avanços já são significativos, e a evolução futura ocorrerá, sem sombra de dúvida, em uma velocidade bem maior. Nos próximos anos, ficará cada vez mais difícil aplicar golpes!

*Paulo Lowndes Dale é IBM Associate Partner e líder da prática de Riscos no Brasil