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Prepare a carreira para uma nova dinâmica que afetará os empregos de TI

Empregos, no passado, acompanhavam a economia. Hoje, porém, seguem o fluxo da digitalização das organizações e a oferta de talentos

19 de Janeiro de 2016 - 08h35

Recentemente, a General Electric anunciou que mudaria sua sede de Fairfield County (Connecticut) para Boston (Massachusetts). O fato pode soar corriqueiro, mas precisa ser analisado com mais atenção. Afinal, nas palavras do CEO da gigante, Jeff Immelt, o movimento se deu devido ao fato de que a região onde ficará o novo headquarter abriga 55 colégios e universidades e ajudará a “atrair uma diversa e especializada” força de trabalho de tecnologia.

O movimento alinha-se a um anúncio feito pela companhia há alguns meses. Na ocasião, a empresa revelou que investiria nada menos que US$ 6 bilhões para criar uma nova divisão de negócios, focado em digital, que nascia com a ambição de ser uma das dez maiores provedoras de software do mundo até 2020. Para atingir tal objetivo, será fundamental contratar recursos capazes de desenvolver uma nova classe de produtos.

Situações desse tipo não ocorrem apenas com a General Electric. A busca e contratação de profissionais de tecnologia muda dramaticamente a partir de agora, saindo da valorização por conhecimento por infraestrutura e suporte, fenômeno puxado pelo avanço da contratação de serviços terceirizados e o advento da cloud.

“A GE está basicamente reinventando sua atividade e tentando se tornar líder na indústria de software”, resume Erik Dorr, vice-presidente de pesquisa da consultoria Hackett Group. No caso da gigante, esse movimento contempla a construção de uma plataforma que suporte novas tecnologias, que permita o surgimento de produtos que habilitem um ambiente repleto de produtos de Internet das Coisas. “E eles reconhecem que isso para isso precisarão ter acesso aos melhores talentos disponíveis”, adiciona.

Os empregos de TI, no passado, acompanhavam o fluxo da economia. Atualmente, porém, há uma transformação da indústria, que busca “digitalizar” sua atividade – acessando consumidores por meio de produtos conectados, adaptando sua operação a um contexto móvel e utilizando análise de grandes volumes de dados, robôs, etc. Isso ampliou a demanda por profissionais capazes de atuar em atividades de inovação.

Isso significa que a queda das ações do mercado imobiliário ou do preço do barril de petróleo tendem a impactar um tipo de profissionais, enquanto, na outra ponta, surge a demanda por pessoas capazes de desenvolverem novos produtos, abrirem mercados e criar experiências digitais que ajudem organizações a viverem em novos tempos.

As empresas “contratarão esses profissionais, independente do que acontecer em termos econômicos”, acredita David Foote, CEO da Foote Associates, empresa que realiza pesquisas sobre o mercado de trabalho. “Se essas companhias estão em um período ruim, provavelmente terão que trabalhar mais duro para atrair e manter pessoas com esse perfil”, afirma.

Trabalhos envolvendo tecnologia, agora, atravessam departamentos empresariais, e muitos CIOs sequer tem o controle sobre os gastos com TI. Apesar disso, eles ainda são responsáveis por uma parcela considerável do budget em recursos computacionais.

Estima-se que a média de novos trabalhos envolvendo TI criados nos Estados Unidos ao longo dos últimos doze meses passou de 125 mil para 180 mil em 2015. “E não vemos um cenário de demissões no horizonte”, indica Frank Scavo, presidente da empresa de pesquisas Computer Economics. “Não há uma explosão de empregos, mas um contexto aparentemente bastante saudável”, acrescenta.

A companhia liderada pelo executivo realiza pesquisas com líderes empresariais. Levantamentos recentes indicam um cenário onde apenas 7% dos entrevistados espera cortar equipe em 2016, enquanto 40% projeta contratar talentos ao longo do ano.

Mas Victor Janulaitis, CEO da Janco o Associates, acredita que a contratação de TI sofrerá impacto da turbulência dos mercados financeiros. “Penso que estamos vendo a primeira fase de uma nova desaceleração da economia”, avalia, esperando um cenário estável em termos de contratação de profissionais.

“O emprego de tecnologia cresce a um ritmo constante superior a média geral. Em algum momento, isso se estabilizará”, observa Mark Roberts, CEO da TechServe Alliance, que não vê um possível abrandamento nas contratações como reflexo apenas de declínio econômico.