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Por que o Wi-Fi Halow poderá impulsionar o mercado de internet das coisas?

Novidade, baseada no padrão IEEE 802.11, o que acelera o desenvolvimento de produtos e possibilita a integração e a comunicação nativa com o vasto mundo IP

02 de Fevereiro de 2016 - 08h35

O Wi-Fi Halow é a resposta da Wi-Fi Alliance para a grande demanda no mercado de Internet das Coisas (IoT). Essa nova tecnologia segue o padrão IEEE 802.11ah e oferece conexões Wi-Fi na frequência de 900MHz. Entre suas inúmeras vantagens, está o uso de dispositivos com baixo consumo de energia/bateria (sensores de baixo consumo, como os corporais, smartwatches, automação residencial, câmeras de segurança etc), além de permitir grande alcance.

Vejo um erro comum na interpretação deste novo padrão: que ele é um Wi-Fi mais rápido que o atual 11ac de velocidade até 1.7Gbps. Pois, por ele ser voltado a pequenos dispositivos - cuja prioridade é prover grande área de cobertura e baixo consumo de energia – a sua taxa de transmissão de dados não é o fator mais importante, proporcionando velocidades mais baixas, entre 150Kbps e 18Mbps.

Como o Wi-Fi Halow opera na frequência de 900MHz – inferior aos padrões atuais de 802.11n (2.4GHz e 5GHz) e 802.11ac (5GHz) - essa tecnologia permite maior cobertura, sendo capaz de prover conexões para uma casa toda ou até mesmo fora dela, chegando a cobrir áreas como garagem, por exemplo. Esse maior alcance pode ser considerado uma vantagem em relação aos outros padrões atuais utilizados no mercado de IoT, como o Bluetooth e Zigbee de frequências em 2.4GHz.

Outro ponto forte dessa novidade é ser baseado no padrão IEEE 802.11, o que acelera o desenvolvimento de novos produtos por parte dos fabricantes e também possibilita a integração e a comunicação nativa com o vasto mundo IP.

Espera-se que essa tecnologia não demore a chegar no mercado local, porém isso dependerá da velocidade dos fabricantes para lançar os chipsets compatíveis. O custo será um fator muito importante já que o Bluetooth e Zigbee já alcançaram valores bastante acessíveis.

A Qualcomm, assim como demais players do mercado global, apoia a tecnologia, o que nos traz muito otimismo; e a Wi-Fi Alliance pretende iniciar a certificação dos produtos em 2018. Com esses movimentos a favor da implementação dessa tecnologia, estima-se para final deste ano o lançamento de produtos compatíveis. Acredito que os fabricantes lancem Access Points (Pontos de Acesso) com suporte a diversas tecnologias, o que aumentaria sensivelmente o número de rádios internos.

Se pensarmos no padrão 802.11ad que também é uma tendência, com conexões de até 7Gbps na frequência de 60GHz, podemos ver em breve APs com até 4 rádios baseados em tecnologias diversas.

O ideal seria que os APs fossem oferecidos com rádios programáveis, ou seja, ficaria a cargo do usuário escolher quais frequências ele gostaria de usar. Por exemplo, um AP com 3 rádios, um trabalhando com 11n, outro com 11ac (padrões mais comuns) e o terceiro poderia ser configurado entre 11ah e 11ad, dependendo da aplicação que o usuário precisa. Na escolha do padrão 11ah, alguns access points poderiam oferecer conectividade aos dispositivos IoT ou, a opção do padrão 11ad, seria indicada, por exemplo, a salas de reunião com uma área de cobertura limitada, porém, com altíssima velocidade. Outra vantagem do rádio programável é que os fabricantes poderiam desligar por software a frequência de 900MHz, utilizada pelo Wi-Fi Halow, para países onde a mesma é licenciada, e não pode ser usada livremente, deste modo permitindo a fabricação em escala dos APs.

Casas, veículos e cidades inteligentes, aparelhos vestíveis (wearables) e outros produtos que ainda estão por vir são todos mercados-alvo para esta nova tecnologia devido às suas características de alta performance (robusto), grande alcance, por vazar paredes e poupar bateria. Cada vez mais, caminhamos para a convergência de tecnologias, para ampliação do ecossistema IP e, consequentemente, para aplicação da internet em quase todas as coisas.

*Leonardo Mezzanotti é analista de pré-vendas do Grupo Binário.