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Oracle detalha roadmap de nuvem para enfrentar Amazon e Microsoft

Empresa vai abordar, na oferta de serviços, todas as três camadas de nuvem (IaaS, PaaS e SaaS) para tentar ganhar terreno dos concorrentes

19 de Janeiro de 2017 - 13h38

Executivos da Oracle revelaram os resultados de anos de esforços de engenharia e desenvolvimento de sua nuvem pública IaaS e anunciaram um novo serviço de servidor de banco de dados em nuvem e a expansão geográfica internacional desses serviços.

A Oracle normalmente não é considerada um player de nuvem pública IaaS, mas a empresa espera ser uma forte competidora no mercado, combinando seus serviços de infraestrutura — que focam nos serviços de banco de dados core — com um pacote de desenvolvimento de aplicações e software ofertado como serviço.

Durante seu evento mundial sobre nuvem, realizado nesta na quarta-feira, 18, em Nova York, os executivos expuseram a visão de como a empresa pretende enfrentar concorrentes como a Amazon Web Services, Microsoft Azure e Salesforce.com.

O fundador da Oracle e agora CTO, Larry Ellison, que chegou a questionar se a nuvem não era apenas hype, tem investido fortemente na contratação de talentos na área de engenharia para construir sua plataforma de nuvem e começou a liberar no mercado o que os analistas classificaram como um produto minimamente viável de nuvem pública IaaS.

No evento, a Oracle forneceu mais detalhes sobre sua oferta de nuvem e as áreas que ela irá contemplar.

No que diz respeito a infraestrutura em nuvem, a plataforma IaaS da Oracle será fornecida em três sabores: servidores físicos (o que significa não virtualizados) Linux ou Windows, com isolamento de cargas de trabalho ao cliente; servidores virtuais (em que o cliente compartilha recursos de infraestrutura com outros clientes) e servidor físico dedicado operando emcontêineres docker  que permite transportar tudo que constitui uma aplicação entre sistemas e máquinas, virtual ou física.

"Ninguém mais na nuvem pública oferece essa capacidade", disse o presidente de produtos da Oracle, Thomas Kurian, citando os servidores físicos da empresa, que ele diz fornecer isolamento de 100% das cargas de trabalho. A IBM oferece servidores físicos dedicados, também. A base de cálculo para a gama de ofertas de máquinas de baixo custo (US$ 0,10 por hora) é entre 32 e 44 processadores core Intel, 1 TB de dRAM e 29 TBs de armazenamento local, sendo que todos os caminhos até o armazenamento local de 60 TB são capazes de até 1 milhão de entradas e saídas por segundo (IOPS). Kurain afirma que esses servidores custam 20% menos que a AWS e com sete a dez vezes mais desempenho.

Em relação à rede, Kurian diz que a nuvem da Oracle é construída sobre uma rede virtualizada que isola o tráfego do cliente em redes virtuais, "totalmente encapsulado". Ele argumenta que isso fornece melhor qualidade de serviço — eliminando o problema da "vizinha barulhenta" dos recursos compartilhados – proporcionando uma melhor segurança.

No que diz respeito ao armazenamento, a nuvem de Oracle oferece sistemas de armazenamento de objetos, blocos e arquivos. Já no tocante aos bancos de dados, Kurian argumenta que estes são o maior diferencial da Oracle. A oferta de bancos de dados começa em US$ 175 por mês (nos EUA), com extensão para DBs com até 240 TBs de armazenamento e 246 núcleos físicos, até plataformas Exadata hospedadas. Todos têm a mesma API e linguagem SQL. Oracle também suporta mais de 500 projetos de código aberto em sua nuvem, segundo o executivo.

A oferta de PaaS da Oracle é dividida para atender dois perfis de desenvolvedor: o desenvolvedor profissional e o desenvolvedor de aplicativos de negócios, este último pode usar uma interface gráfica drag and drop (arrastar e soltar) para desenvolvimento de aplicativos simples. Enquanto isso, o portal de gerenciamento de nuvem da empresa pode ser usado para controlar sistemas on premises e outras plataformas de nuvem pública. Em relação aos serviços de SaaS, Kurian diz que a Oracle tem um forte conjunto de ferramentas, variando de CRM, ERP, HCM e aplicativos específicos para verticais da indústria.

A Oracle anunciou planos de abrir mais três data centers para suas ofertas em nuvem neste ano ­— na Virgínia (EUA), Turquia e Londres, o que totalizará 29 unidades ao redor do mundo.

"Oracle deve ser parabenizada por seu entusiasmo e a maneira proativa que está buscando o mercado de nuvem", disse Charles King, analista da Pund-IT, acrescentando que a empresa estava atrasada para o mercado. “A Oracle adotou uma abordagem similar à Microsoft e à IBM na oferta de serviços em todas as três camadas da nuvem: IaaS, PaaS e SaaS. Eles ainda têm uma base maciça de clientes que querem serviços de nuvem. A questão é saber se eles vão escolher a Oracle como seu fornecedor de nuvem ou optar por um outro mais estabelecido."