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Opinião: BraFIP deve acelerar desenvolvimento tecnológico no país

A BraFIP visa administrar o desenvolvimento de Plataformas Tecnológicas brasileiras na área de TIC voltadas para a Internet do Futuro

10 de Fevereiro de 2016 - 13h17

A cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação, baseada no conceito europeu de plataformas tecnológicas, pode ser uma saída para as empresas brasileiras melhorarem a competitividade.

O cenário de depressão econômica e a incerteza política não devem servir de justificativa para abandonarmos planos de longo prazo, em favor do país: desde 2011, após participação em audiência no Parlamento Europeu sobre a cooperação tecnológica entre a União Europeia e América Latina, surgiu um empenho na construção de uma plataforma tecnológica no Brasil.

Esse conceito nada tem a ver com o uso propriamente de algum tipo específico de tecnologia, mas foi cunhado na União Europeia como um modelo para auxiliar no rápido desenvolvimento tecnológico que era necessário nos países do Leste Europeu, logo após a entrada destes na Europa unificada.

Assim, estas plataformas tecnológicas se parecem mais com ‘clubes’ de empresas, universidades e centros de pesquisa, participantes de vários países, que se encontram regularmente com o objetivo de gerar sinergias que permitam o desenvolvimento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A regra europeia determina que participem empresas de pelo menos três países diferentes.

Esses projetos de pesquisa e desenvolvimento são submetidos, na maioria das vezes, às chamadas de inovação promovidas pela própria União Europeia, e que contam com um orçamento anual de dezenas de bilhões de euros, mesmo com a crise econômica que eles enfrentam há quase uma década. Cerca de dez por cento desse valor é aplicado em iniciativas relacionadas à Tecnologia da Informação.

Há quase dez anos, a Europa iniciou um movimento de inclusão de empresas de países não pertencentes à União Europeia nestes projetos de pesquisa e desenvolvimento, contanto que atuem em colaboração com empresas europeias. Em particular, empresas de países considerados pobres podem participar diretamente, sem qualquer contrapartida de seu país de origem. Para os países da América Latina, essa modalidade de participação encerrou-se em 2012 para Brasil e México.

É por isso que o esforço de criação de plataformas tecnológicas vem sendo trabalhado em muitos países da América Latina – além de Brasil e México, há iniciativas desse tipo na Argentina, Chile e Colômbia e, mais recentemente, no âmbito do Projeto CONECTA 2020 (www.conecta2020.eu) na Costa Rica, Peru e Uruguai.

Isso cria diversas novas oportunidades: além de cooperar com a Europa, podemos ter projetos a nível regional – alguns desses países já fizeram chamadas coordenadas entre dois países. Ainda, há trabalhos em andamento para diversificar as fontes de financiamento. Em todos os casos, se trata de criar sinergia para que a inovação ocorra mais rapidamente.

É nesse sentido que o Brasil deu no final de 2015 o primeiro passo na formalização da BraFIP, a plataforma tecnológica brasileira, com a participação de entidades empresariais (várias das quais atuarão como secretarias regionais em seus Estados), do meio acadêmico, por intermédio da Sociedade Brasileira de Computação e a presença de gestores públicos.

A participação na BraFIP é aberta a todas as empresas, universidades e instituições interessadas em trabalhar em prol de meios que permitam acelerar a inovação tecnológica. Pedidos de participação não possuem custo e devem ser encaminhados para o site oficial da BraFIP.

A BraFIP também tem por objetivo estabelecer alianças com entidades de outros setores (interessadas em acelerar a inovação em seus segmentos), buscando criar mais oportunidades para todos os envolvidos, e está aberta à colaboração de todos os interessados.

* Roberto Carlos Mayer é diretor da MBI, diretor de comunicação da Assespro Nacional e presidente da ALETI (Federação das Entidades de TI da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha.