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O que seria do Google sem machine learning?

Empresa apresenta novidades que reforçam uso de ML para entregar respostas mais intuitivas e relacionadas ao histórico de perguntas dos usuários

25 de Abril de 2018 - 11h05

Em evento realizado na última terça-feira (24/4), em São Paulo, o Google reuniu alguns engenheiros e executivos para relembrar um pouco da trajetória do seu principal serviço - o buscador - que completa duas décadas neste ano. Apesar da companhia ter expandido para diferentes projetos e outras apostas em tecnologias emergentes - carros autônomos, balões de internet, casas inteligentes -, o motor de buscas é ainda responsável por grande parte da receita da empresa - aproximadamente 80%.

O oráculo “que tudo sabe” passou por uma série de mudanças que incluem otimizações para uso em smartphones, pesquisa por voz e nos proporcionou um efeito colateral, provavelmente, irreversível, que diz muito sobre a nossa fragmentada memória - não lembra de determinado assunto, data ou nome? Pergunte ao Google.

Berthier Ribeiro-Neto, diretor de engenharia do Google para a América Latina, lembra que a história do smartphone é recente - data de 2007 - e impactou o cerne de nossas rotinas e o principal negócio do Google. Ao habilitar usuários para buscarem por informações e afins na palma de suas mãos, a companhia teve que pensar em novas formas para otimizar uso de dados, geolocalização, facilitar a busca por voz - digitar em telas diminutas não é fácil - e ainda entregar isso rápido - “O usuário ficou muito mais impaciente”, brinca Ribeiro-Neto.

Segundo o Google, mais de 200 sinais são utilizados pelo algoritmo de ranking. Modelos simples de machine learning são utilizados para determinar a importância e a forma como esses sinais são combinados. Tais sinais são cruciais na hora de “intuir” o que um usuário quer perguntar ao Google. Mas no final do dia, um terço das consultas feitas ao Google dizem respeito a temas populares, assuntos como Big Brother Brasil, séries atuais do Netflix, etc. Há ainda uma porcentagem significativa de novas perguntas feitas todos os dias. Segundo Bruno Pôssas, engenheiro-chefe de busca do Google em Belo Horizonte, 15% das buscas diárias dizem respeito a perguntas feitas pela primeira vez, apesar de uma boa porcentagem refletir erros de digitação do usuário.

Buscas por voz

Na evolução do motor de buscas, um dos principais destaques nos últimos anos se confunde com o Google Assistente. Aqui, o uso de machine learning também tem se mostrado fundamental para entregar conversas em linguagem natural. De acordo com a companhia, através do uso de machine learning conseguiu reduzir 50% a taxa de erro nas buscas por voz. No Brasil, de 5% a 10% das buscas totais são feitas por usuários que preferem, digamos, conversar com a assistente.

No mercado cada vez mais povoado de smart devices para a casa, o Google tem concentrado esforços para entregar mais valor ao seu Google Home, o alto-falante que compete com a Echo, da Amazon. Entretanto, questionado sobre quando o dispositivo chegaria ao mercado brasileiro - falando em português - a companhia ainda não arrisca colocar uma data no horizonte.

Novos recursos

O Google liberou três novos recursos para o seu buscador que visam enriquecer as respostas aos questionamentos de seus usuários e, de quebra, levar você a explorar mais o serviço. As novidades cobrem o que a companhia define como jornada em tópicos relacionados; o enriquecimento dos chamados snippets em destaque e o aprimoramento dos painéis de conhecimento. Os dois primeiros foram desenvolvidos no Centro de Engenharia do Google para a América Latina, localizado em Belo Horizonte. Apesar do desenvolvimento local, as habilidades da ferramenta foram, inicialmente, entregues nos Estados Unidos. Agora, elas chegam por aqui e outros mercados.

Mas o que muda na prática? Com o novo “jornada em tópicos relacionados”, ao buscar sobre um assunto em particular no Google, como jogadores de futebol para o próximo campeonato mundial, você será apresentado a sugestões de temas relacionados no topo da página, com respostas que recuperam a pesquisa anterior e as relaciona. Uma busca por Neymar, seguida por uma busca por Messi, apresentará sugestões de outros jogadores no topo. Caso você queira saber mais sobre a biografia de Chico Buarque e depois procurar pela trajetória de Gal Costa, por exemplo, o Google irá oferecer conteúdos relacionados a outros artistas da MPB. Este recurso já se encontra disponível para internautas brasileiros.

Já a novidade relacionada aos “snippets” - que começa a ser entregue a partir de maio - consegue resumir as respostas com uso de algoritmos. O time de engenheiros no Brasil adicionou imagens contextualizadas e “pesquisas relacionadas” dentro dos snippets em destaque, permitindo aprender mais sobre um tópico ou descobrir novas informações de interesse.

Os painéis de conhecimento do Google Search também foram aprimorados para conteúdo relacionado. Ao consultar conteúdo sobre esqui, você verá também pesquisas relacionadas a esportes como snowboard, diretamente dentro do resultado. Este recurso foi criado pelo time dos Estados Unidos e também já se encontra disponível no Brasil.