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O que a indústria do esporte pode ensinar sobre cidades inteligentes?

E se a administração pública se envolvesse com os cidadãos como os times se envolvem com os torcedores?

04 de Fevereiro de 2016 - 07h00

Avaliada em US$ 100 bilhões, globalmente, a indústria do esporte é um dos negócios mais lucrativos do mundo. Não se trata apenas de dinheiro, mas também do engajamento de pessoas.

A tecnologia e as mídias sociais têm tido um profundo impacto nessa indústria. Times bem sucedidos funcionam como pequenas cidades nas quais os 'cidadãos' são os torcedores apaixonados. E se cidades e governos se envolvessem com os cidadãos da mesma forma que os times se envolvem com seus torcedores?

De acordo com Don Steele, chefe de desenvolvimento de públicos da empresa Tumblr, a expansão das mídias sociais ajudou a gerar duas mudanças no modo como as pessoas têm suas experiências com os esportes. Primeiro, está ocorrendo a globalização das torcidas e as pessoas não precisam mais viver em uma região específica para acompanhar seus times. Em segundo lugar, as plataformas de mídias sociais estão cada vez mais permitindo que os atletas construam relacionamentos individuais com torcedores e simpatizantes.

Essas duas mudanças podem ser exemplificadas nos três clubes de futebol europeus que são as equipes mais valiosas do mundo. Esses clubes são empresas de sucesso e dominam a arte de desenvolver torcidas maiores do que muitas cidades ou, mesmo, países. O Barcelona, por exemplo, possui mais de 100 milhões de seguidores no Facebook e no Twitter.

Clubes com visão usam as mídias sociais para expandir suas bases de torcedores. Agora, atletas e equipes podem se envolver diretamente com seus fãs, produzindo impactos em suas percepções.

O que o setor público pode aprender com a indústria do esporte?

Megatendências como a hiperconectividade, supercomputação e tecnologias inteligentes estão mudando todos os aspectos da sociedade e dos negócios. A área dos esportes é um negócio digital e está usando a tecnologia para mudar o jogo. Sensores e wearables (roupas com tecnologia) estão revolucionando o modo como as equipes se prepararam, competem, analisam e melhoram o desempenho e controlam os riscos de lesão de seus atletas. A análise de dados e outras ferramentas de última geração têm ajudado as equipes a gerenciar melhor suas operações, seus jogadores e seus torcedores para que possam se tornar mais rentáveis, mais eficazes e mais populares.

Essas mesmas tendências também estão gerando impactos nas cidades em grande proporção – como elas funcionam e se envolvem com seus cidadãos. Algumas cidades como Buenos Aires, Boston, Toronto e Birmingham, para citar apenas algumas, já estão usando tecnologias associadas à Internet das Coisas para tomar decisões inteligentes que afetarão as gerações futuras e ajudarão a gerenciar questões urbanas de forma mais sustentável. Algumas cidades também estão usando a tecnologia para se envolver com a população através de Portais de Cidadãos que permitem às pessoas fazer comentários e colaborar para que melhores serviços sejam oferecidos à comunidade.

No entanto, a maioria dos administradores das cidades ainda não encontrou uma maneira de capitalizar a paixão dos cidadãos por suas cidades, muito menos fazê-los com que se envolvam com elas assim como fazem com seus times de futebol.

Imagine se as entidades governamentais começarem a usar ferramentas e tecnologias para funcionar de modo mais simples, mais eficiente, mais como um negócio digital. Imagine se elas usarem essas ferramentas para saber o que é importante para seus cidadãos, com serviços e assistência para apoiar as pessoas e criar o lugar mais seguro e mais tranquilo para se viver.

Tecnologia como nossa força vital

Cidadãos e torcedores em todo o mundo querem abraçar as causas que melhorem suas vidas e a economia para que possam garantir um futuro melhor para si e para seus filhos.

A realidade na economia digital de hoje é que cada equipe esportiva, cidade e empresa - grande ou pequena - deve considerar o impacto da tecnologia e das mídias sociais em sua organização, seu compromisso com as pessoas e a eficácia de suas operações. Aquelas organizações que quiserem prosperar e não apenas sobreviver devem começar a pensar em si como uma empresa de tecnologia porque essa é a chave para um futuro sustentável.

*Rui Botelho é vice-presidente de Core Industries da SAP Brasil