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O que fazer para tirar proveito das crescentes oportunidades em IoT

Com a IoT crítica evoluindo de modo a incluir aplicações em diversos mercados, não faltarão oportunidades para empresas inovadoras e dispostas a competir

04 de Maio de 2018 - 07h43

Imagine só. Um paciente portador de Alzheimer escapa discretamente de uma clínica sem que ninguém perceba. Ou uma criança pequena brincando no quintal sem ninguém tomando conta sai de casa e, em questão de minutos, desaparece. São situações assustadoras, que acontecem todos os dias no mundo inteiro. Somente na Coreia, 10 mil pacientes portadores de Alzheimer desaparecem todo ano.

No entanto, não precisa ser assim. Uma startup fabricante de rastreadores GPS recentemente incorporou a tecnologia wireless LoRa a uma pulseira internet das coisas (IoT) de baixo custo, criada especificamente para pacientes portadores de Alzheimer. Quando a pessoa sai de uma área previamente definida, o cuidador é alertado. Em apenas três meses de uso, 26 pacientes já foram salvos. Trata-se de um novo tipo de produto IoT crítico, e é apenas a ponta do iceberg.

Até 2028, praticamente tudo, em todo lugar, estará conectado. É o que os consumidores deverão esperar. Deverão ter também a expectativa de que essas “coisas” conectadas sejam críticas, quer dizer, funcionem conforme o esperado, sem falhas, o tempo todo.

Os produtos IoT, antes vistos como objetos de luxo para o mercado de consumo, vão evoluir, com maior autonomia de bateria e funcionalidades mais consistentes. Seu desempenho irá se tornar parte dessa nova IoT crítica. Da mesma forma, a IoT crítica, antes constituída de aplicativos cruciais para o atendimento médico, para a indústria e para os setores energéticos/de eletricidade, irá se expandir para incluir uma gama mais ampla de aplicativos nos segmentos de dispositivos vestíveis, casas inteligentes e cidades inteligentes, entre outros. Na verdade, isso já está acontecendo.

Essa evolução está criando novas oportunidades para os fabricantes de produtos no mundo inteiro. Levando em conta apenas o mercado da IoT industrial global (IIoT), o crescimento projetado deve superar US$ 1 trilhão até 2022, comparado aos cerca de US$ 407 bilhões faturados em 2016. À medida que a IoT crítica se expande para novos mercados, aumenta também o tamanho da oportunidade.

O desafio para as empresas que ainda não estão desenvolvendo produtos IoT crítica é a forma como irão fazer a transição. Não é tão simples quanto acordar um dia e resolver de repente comercializar um produto existente para uma aplicação crítica. Felizmente, existem três coisas que uma empresa pode fazer a partir de hoje para aumentar suas chances de sucesso.

Saiba quais são os seus requisitos

Os produtos e redes IoT críticos têm certos requisitos especializados ditados pelo setor no qual operam. Tais requisitos, em geral, giram em torno de um desempenho consistente, confiabilidade e segurança, e com muita razão. Uma falha em um marcapasso ou a interrupção de uma conexão de rede utilizada para enviar alertas críticos de um dispositivo médico vestível ao profissional de saúde encarregado podem resultar na morte do paciente.

Outros requisitos menos vitais podem caracterizar um produto IoT que precisa operar em uma localidade remota ou de difícil acesso, ou que é deixado sem supervisão por longos períodos de tempo. Nesse caso, uma bateria de longa duração (+ 10 anos) pode ser essencial. Mas quanto mais longa for a duração de uma bateria necessária, mais tempo e esforços serão despendidos na otimização do consumo de energia do produto. A cobertura de sinal também demanda atenção, já que, se for muito baixa, a bateria irá se esgotar muito mais rapidamente.

Entender plenamente esses requisitos e como eles afetam o projeto do produto é a forma mais rápida e fácil de evitar erros dispendiosos. Isso ajuda também a garantir que o produto e a rede IoT funcionem como o esperado, independentemente da localização ou do ambiente onde estão implantados.

Preste atenção às considerações do projeto

Projetar um produto é difícil. E torna-se ainda mais difícil se for destinado à IoT crítica. Eis por quê:

- A interferência eletromagnética (EMI) pode se tornar problemática em cenários como hospitais e instalações industriais, nos quais muitos produtos IoT operam simultaneamente e próximos uns aos outros. Para evitar problemas, a questão da interferência precisa ser resolvida no início do processo de criação, quando o conserto é mais fácil e mais barato.

- Em geral, os produtos IoT críticos precisam funcionar na presença de vários usuários e diversas tecnologias wireless que compartilham o mesmo espectro. Testar um produto para ver se poderá lidar com essa carga é crucial para garantir uma conectividade wireless consistente.

- Com tantos produtos IoT críticos chegando ao mercado, uma coexistência pacífica entre eles pode se revelar complicada. A situação é particularmente problemática nos hospitais, nos quais os dispositivos IoT de monitoramento compartilham a banda 2,4-GHz ISM com objetos como telefones sem fio, câmeras de vídeo wireless e fornos de micro-ondas. Certificar-se de que os produtos podem funcionar conforme o esperado nesse tipo de ambiente é essencial.

- Os produtos IoT críticos são compatíveis com uma ampla variedade de tecnologias wireless. As redes também precisam ser compatíveis com eles, em vários ambientes diferentes e localidades com condições variáveis de RF. Para evitar interrupções de rede e queda de qualidade ou desempenho, quaisquer problemas que possam impedir a total disponibilidade da rede devem ser identificados e eliminados.

- Cerca de 50% de todos os produtos IoT são provenientes de empresas com menos de três anos de funcionamento. Alguns deles foram rigorosamente testados, mas nem todos. Esses produtos podem se comportar de maneira errática e até mesmo permitir que agentes maliciosos derrubem uma rede. A garantia de que uma rede possa lidar com produtos erráticos e os problemas de segurança que eles acarretam deve ser a prioridade número um.

- São necessárias atualizações constantes dos equipamentos de rede para mantê-la operando. A questão da compatibilidade dos dispositivos de rede existentes com novos serviços é com frequência deixada ao acaso, o que torna essencial a verificação da confiabilidade e da capacidade das redes implementadas de oferecer uma elevada qualidade da experiência (QoE).

Construa uma base sólida de testes

Embora uma empresa possa ter a ideia mais inovadora que existe para um produto de IoT, a garantia de que ele irá atender aos requisitos da IoT crítica e funcionar conforme o esperado no mundo real só pode ser obtida através das medições e testes apropriados. Sem nenhum teste único que sirva para tudo em vista, os fabricantes de produtos, operadores de rede e prestadores de serviço devem exercer o bom senso na escolha da solução adequada. Seguem algumas dicas:

- Um equipamento de testes de precisão excepcional possibilitará uma maior otimização dos produtos e das redes.

- Soluções de rápida configuração e com agilidade nos testes podem encurtar o tempo até o lançamento, aumentar dramaticamente a produtividade da fabricação e, ao mesmo tempo, reduzir os custos de teste.

- Soluções com bandas mais largas, cobertura ampla e compatibilidade com a maioria dos padrões wireless podem possibilitar investimentos “à prova de futuro” e oferecer maior flexibilidade quando os testes precisarem ser alterados.

Surfando a onda da oportunidade

Com a IoT crítica evoluindo de modo a incluir aplicações em diversos mercados, não faltarão oportunidades para empresas inovadoras e dispostas a competir. Garantir que os produtos IoT preencham todos os requisitos aplicáveis, sejam projetados tendo em vista as questões comuns a todos os produtos críticos e testados usando as soluções certas é a melhor maneira de pavimentar o caminho para o sucesso.

*Cheryl Ajluni é chefe de soluções de IoT da Keysight Technologies