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O impacto positivo do blockchain nos negócios

Análises de especialistas sobre o impacto da tecnologia nas empresas mostram que as perdas financeiras podem ser reduzidas significativamente ou até mesmo eliminadas

10 de Março de 2017 - 15h42

Há séculos o comércio global tem sido o grande criador de riqueza na história da humanidade e a fricção financeira — quando desequilíbrio nas finanças, no processo de perda e ganho — é o principal obstáculo para a riqueza. Durante anos, os negócios têm superado múltiplas fontes de conflitos. Instituições e instrumentos de confiança e credibilidade surgiram para reduzir riscos nas transações comerciais. As inovações tecnológicas ajudaram a ultrapassar obstáculos. Ainda assim, muitas transações permanecem ineficientes, caras e vulneráveis.

Análises de especialistas sobre o impacto do blockchain nas empresas, “ecossistemas” e economias mostram que as perdas financeiras podem ser reduzidas significativamente ou até mesmo eliminadas. E o resultado deste movimento pode representar um aumento da confiança nas instituições financeiras, troca de valor e toda uma nova equação econômica para o mercado.

A tecnologia blockchain, que cria registros permanentes e transparentes das transações, tem o potencial de neutralizar inibidores de negócios. Conforme as fricções financeiras são eliminadas, surge uma nova ciência organizacional, impondo a reconfiguração das indústrias e empresas como conhecemos hoje. Com o aumento da transparência, cria-se uma sólida base de confiança e esta, por sua vez, torna-se o trampolim para a evolução profunda do ecossistema. Participantes e ativos, anteriormente, eliminados do mercado voltam ao jogo, desencadeando um acelerado fluxo de capital e abrindo oportunidades inimagináveis para a criação de riqueza.

Mas o que blockchain tem a ver com negócios? A tecnologia blockchain ganhou destaque primeiramente como uma plataforma para criptografia de moeda. Desde então, o volume de transações via blockchain, que não envolvem moeda, cresceu 1.600%, alcançando US$ 1,6 bilhãoo entre 2013 e 2016**. Mais do que um banco de dados moderno, trata-se de um sistema compartilhado de registros, verificações independentes e transmissão de dados que não dependem de um intermediário, seja ele um agente do governo ou uma instituição financeira.

O conceito é novo, mas há pioneiros já demonstrando seu poder em ultrapassar barreiras. Novas startups baseadas em blockchain estão atacando modelos de negócios até então considerados disruptivos, como o Uber. O La’Zooz, projeto piloto em Israel, eliminou o intermediário – neste caso o motorista profissional — e estabeleceu um sistema confiável que permite aos proprietários de automóveis a compartilhar corridas entre si. Já a Arcade City possibilita aos passageiros negociar as tarifas diretamente com os motoristas.

Outra área potencial para transformação por meio do uso de blockchain é a da logística e cadeia de suprimentos. Aqui, o impacto pode ser notado mesmo quando o uso da tecnologia ocorre em sub-áreas, como no processo de importação. Se os terminais de importação recebessem dados de listas de desembarque com antecedência no processo, eles poderiam planejar e executar de forma mais eficiente e sem preocupação com privacidade. Isso porque a tecnologia também permite controlar acesso a dados críticos – exemplo: pode tornar visíveis dados como horário de saída e peso dos containers, ao mesmo tempo em que torna inacessível a informação sobre proprietários e valor da carga. Além disso, o blockchain favorece a logística compartilhada, coordenando uma gama de atividades, desde o compartilhamento de espaço vago em um armazém até a otimização da frota de caminhões e remessas de containers.

Varejistas e fabricantes podem melhorar a previsão de demanda e estocar artigos para reposição. Instituições financeiras, municiadas com registros detalhados de confiabilidade de um fornecedor, por exemplo, podem ampliar a liberação de crédito para fomentar o comércio.

Seja por meio da capacidade de transacionar vendas de forma mais transparente e segura, reforçar a credibilidade de uma marca ou negócio, melhorar sortimento e reposição de produtos no varejo, ou até mesmo proporcionar a (r)evolução da experiência dos usuários com serviços disruptivos, o blockchain está trazendo um novo conceito de consumo de serviços, produtos e experiências aos indivíduos.

Acompanhar as inovações comerciais e comportamentais que o blockchain representa ajudará as empresas a correlacionar a evolução das expectativas dos clientes à dinâmica de mercado que começa a emergir. E, assim, traçar suas estratégias de posicionamento neste novo mercado.

*Andrea Nery é executiva de desenvolvimento de negócios para a unidade de analytics da IBM Brasil.

**Os dados mencionados neste artigo estão baseados no estudo “Fast Forward” realizado pelo IBM Institute for Business Value em parceria com The Economist Intelligence Unit Junho de 2016. Para baixar o sumário executivo das conclusões em torno de blockchain acesse: https://www.ibm.com/services/us/gbs/thoughtleadership/blockchain/