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Nokia faz oferta pela Comptel, fabricante de software de gestão de rede

Segundo a fabricante finlandesa, o negócio, cujo valor não foi revelado, irá ajudá-la na estratégia de se tornar uma empresa de software forte e independente

12 de Fevereiro de 2017 - 17h07

Em busca de novos mercados, diante do fato de os equipamentos de rede estarem se tornando cada vez mais comoditizados e da concorrência acirrada com players como Ericsson, Huawei e Cisco, que vendem equipamentos de rede, software e serviços para operadoras de telecomunicações e grandes empresas, a Nokia anunciou a compra da conterrânea finlandesa Comptel, fornecedora de serviços e software para gerenciamento de rede.

O valor da transação não foi revelado pelas empresas, mas a Nokia diz que o negócio irá valorizar a Comptel em cerca 347 milhões de euros (o equivalente a US$ 370 milhões) e ajudá-la na estratégia de se tornar uma companhia de software forte e independente.

“A aquisição é lance é um movimento lógico”, disse Sylvain Fabre, diretor de pesquisas do Gartner. "Os tempos de equipamentos de rede proprietários para infraestruturas de rede estão com os dias contados. “A infraestrutura será cada vez mais virtualizada e obtida pelas empresas de fornecedores alternativos, com foco em software e aplicações para funções de telecomunicações. Esse é o caminho que qualquer grande fornecedor que busca a longevidade deveria seguir.”

Uma parte crescente do negócio da Comptel é a virtualização de funções de rede (NFV), que permite às operadoras reaproveitar e reconfigurar o equipamento existente para executar novas funções, em vez de ter que comprar hardware adicional.

O software da empresa Flowone, por exemplo, permite que as operadoras façam a orquestração da computação, armazenamento e recursos de rede para atender aos requisitos de atendimento ao cliente, faturação, gestão de solicitações e outros sistemas de negócios.

A Comptel espera que todos as principais operadoras venham a adotar tais ferramentas de orquestração no futuro próximo. Em linhas gerais, orquestração é a capacidade dinâmica necessária para assegurar o gerenciamento dos recursos não compartilhados e compartilhados em uma rede no modelo de inovação aberta. Ela também oferece analytics para processamento de dados da rede, um sistema para ajudar as operadoras a decidir como cobrar por seus serviços e ferramentas e possibilita que ofereçam serviços personalizados para os consumidores.

Após a conclusão do negócio, a Comptel continuará a ser uma entidade jurídica separada, mas funcionará como parte do aplicativo da Nokia e da divisão de analytics empresarial. Essa unidade de negócios desenvolve sistemas de suporte a negócios e suporte a operações (BSS/OSS), plataformas de entrega de serviços, analytics e outras ferramentas para a segurança e Internet das Coisas. A Comptel compete no mercado com a Amdocs, IBM e Oracle.

Esta não é a primeira aquisição da Nokia na área de software de redes. Em dezembro do ano passado, ela comprou a Deepfield, desenvolvedora de software que permite às operadoras reconfigurar rapidamente suas redes para executar tarefas como desviar o tráfego de ataques DDoS (ataques distribuídos de negação de serviço).