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Bancos se unem a projeto da IBM para criar plataforma de blockchain de comércio exterior

Plataforma vai concentrar operações de trade finance (financiamento à exportação e importação) em todos os modos de comércio, quer os bens sejam transportados por via aérea, terrestre ou marítima

04 de Outubro de 2017 - 18h24

O Bank of Montreal (BMO), CaixaBank, Commerzbank e o Erste Group aderiram ao projeto lançado em 2016 pelo banco suíço UBS e IBM para construir uma plataforma de comércio exterior global baseada na tecnologia de blockchain. Denominada Batavia, a plataforma será construída para ser acessada abertamente por instituições de todos os tamanhos, em qualquer lugar do mundo, e concentrar operações de trade finance (financiamento à exportação e importação) em todos os modos de comércio, quer os bens sejam transportados por via aérea, terrestre ou marítima.

A Batavia é resultado do trabalho iniciado pela UBS e pela IBM para desenvolver uma plataforma de trade finance construída por meio da IBM Blockchain Platform, com o framework Hyperlocker Fabric Blockchain. O trabalho de desenvolvimento está sendo realizado em colaboração entre os cinco bancos e a IBM, e por meio de consulta a especialistas do setor de transportes, bem como as clientes dos bancos, para garantir que ela seja flexível e intuitiva e possa ser comercializada.

A previsão é que um teste piloto da Batavia com clientes seja realizado no início de 2018. Projetada para suportar transações mais eficientes, transparentes e econômicas, a plataforma, segundo as empresas, ajudará as organizações a construir redes de negociação transfronteiriças multi-party em todo o mundo. A Batavia permitirá que as partes envolvidas na transação acompanhem, por exemplo, o progresso da remessa de um produto a partir do momento em que sai do armazém e é embarcado em um avião, caminhão ou barco e chega à porta do cliente, liberando automaticamente os pagamentos de forma incremental ao longo de cada etapa do processo.

Ainda segundo as empresas, a Batavia ajudará a conectar os integrantes de uma rede comercial. Ou seja, devido à sua natureza aberta, a plataforma incentiva a participação de bancos, fornecedores e órgãos reguladores, devendo contribuir também na abertura de novos corredores comerciais.

Tradicionalmente, os parceiros comerciais, incluindo compradores, vendedores, bancos, transportadoras, inspetores e órgãos reguladores utilizam grandes volumes de documentação em papel para realizar transações. Esse processo, além de poder demorar semanas, incorre em custos, tornando os dados vulneráveis ​​a erros devido ao reprocessamento manual e à consolidação do capital. Os atrasos e a falta de transparência no comércio podem tornar difícil para as empresas acessar financiamento e limitar sua capacidade de negociar além-fronteiras e aumentar as receitas. A plataforma Batavia facilita, reduz e torna mais ágil o trâmite de documentos, permitindo que compradores, vendedores e seus bancos executem transações com alto grau de eficiência e transparência.

O blockchain permite maior transparência através da digitalização de contratos celebrados em um registro contábil permanente e imutável, em que todas as partes envolvidas numa transação comercial podem visualizar. O status de um contrato até seu cumprimento é atualizado automaticamente através dos dados de um sensor de IoT. Por isso, afirmar as empresas, a Batavia economizará tempo dos usuários e reduzirá os custos, assegurando a integridade dos dados à medida que ele muda de mãos, além de reduzir os processos de verificação e minimizar o potencial de erros, adulterações ou disputas.

“Nosso objetivo, com a entrada no consórcio, é oferecer soluções simples e eficientes baseadas em tecnologia que ofereça benefícios de custo, eficiência e risco aos nossos clientes e ao banco", disse Jeffrey Shell, diretor gerente e chefe de comércio global do BMO. "Estamos muito entusiasmados em participar desta iniciativa e sentir o desenvolvimento de resultados reais e positivos para nossos clientes na América do Norte e em todo o mundo. "

O Commerzbank AG, que processa cerca de 30% do comércio exterior alemão e uma parcela significativa das atividades de comércio exterior europeu, disse que a participação no consórcio o torna um parceiro forte no financiamento do comércio internacional e ajuda os clientes com a oferta de soluções premium, bem como na mitigação de riscos. "Com esta colaboração e a plataforma, nos esforçamos para estar na vanguarda da exploração da tecnologia moderna na transformação digital dos processos de financiamento do comércio internacional."