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No Brasil, líder do IBM Watson traça rumos da computação cognitiva

David Kenny vê inteligência artificial como fundamental na formulação de “questões certas” para a solução de problemas complexos

16 de Maio de 2016 - 18h22

As transformações trazidas por máquinas inteligentes e algoritmos estão apenas no começo. Gigantes como Amazon, Facebook, Google, IBM e Microsoft apostam suas fichas na evolução do conceito, que deve ser um ponto de inflexão no horizonte da tecnologia da informação.

“O impacto anual gerado pelo desperdício de recursos no mundo é de US$ 2 trilhões. Olhando para isso, é inegável o potencial trazido por ferramentas de inteligência artificial na criação de negócios mais efetivos, reduzindo gastos e tornando estruturas mais eficientes”, comenta David Kenny, general manager responsável pelo Watson.

O executivo se uniu à Big Blue com a compra da Weather Company. Em visita ao país, ele reservou uma hora em sua agenda para conversar com Computerworld Brasil. Na entrevista, deu alguns direcionamentos com relação a sua visão de futuro para a computação cognitiva.

“O Watson não dará respostas, mas ajudará a formular as questões certas para que os humanos encontrem melhores soluções”, defende Kenny. “Ele vai ser parte do processo criativo”, projeta, sobre o que enxerga com relação ao futuro de sistemas de inteligência artificial.

Em outras palavras, o executivo não acredita que a tecnologia encontrará a cura do câncer, mas ajudará a economizar tempo e a direcionar as pesquisas dos cientistas. Com o uso da inteligência artificial, as pessoas terão tempo para ir mais a fundo em diversas disciplinas do conhecimento.

Mas isso pode acarretar na substituição de milhões de trabalhadores por robôs, não? Kenny reconhece que há uma responsabilidade de governos e fornecedores de tecnologia para encontrar o ritmo da revolução trazida pelas máquinas. “A tecnologia vai criar empregos mais intelectuais, mas é preciso ter cuidado com a velocidade da evolução”, afirma.

O diretor listou três frentes onde enxerga que o Watson tem grande potencial de disrupção. A primeira área é a de serviços que exigem interação com clientes, a exemplo do projeto que vem sendo tocado pelo Bradesco em sua área de call center. Outras empresas devem adotar a tecnologia no futuro, uma vez que o computador “não fica cansado, nunca dorme e não cobra por hora extra”, cita.

Outro segmento é de cumprimento de políticas e compliance, ajudando empresas a preparar e seguir regras pré-estabelecidas e evitar irregularidades. Por fim, o executivo afirma que há imenso potencial de aplicação da solução em temas relativas a analise de riscos, usando como base dados e variáveis para criar cenários preditivos.

Novo modelo

A IBM já possui diversos clientes para o Watson. No Brasil, a lista de casos públicos contempla nomes como Bradesco e Mecasei. Sem revelar detalhes, o diretor afirma que a empresa trabalha junto outras empresas em território nacional. Um dos planos é criar conhecimento em verticais para ajudar a disseminar a tecnologia.

Kenny afirma que muitas empresas analisam casos específicos para ver como a plataforma pode contribuir com seus negócios. “O momento é de ganhar tração”, sintetiza. Nesse processo, o executivo afirma que os líderes corporativos de TI precisam acompanhar de perto a tendência e assumir um papel de habilitador de novos conceitos.

“A inteligência artificial vai criar uma fusão maior entre tecnologia, negócios e clientes das empresas. Por isso, as decisões têm que ser conectadas e a tarefa do CIO é orquestrar esse processo de forma fluida de forma que coloque a companhia em posição de destaque na próxima revolução industrial”, conclui.