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DevOps: O ano em que o Brasil descobriu a prática da automação de infraestrutura

Empresas arrojadas, que trabalham sob uma cultura rica de experimentação contínua, têm nítida vantagem competitiva sobre seus competidores

11 de Junho de 2015 - 08h20

A era do Digital Business traz com ela clientes mais bem informados e, contudo, com mais poder de decisão. Para atender este novo perfil de cliente, ser capaz de se reinventar sistematicamente pode ser determinante. Hoje em dia, as principais empresas estão se baseando de forma decisiva em aplicações de software para servir e reter estes clientes, criando uma excelente experiência conectada, independente do dispositivo que estejam utilizando.

Não resta dúvidas de que empresas arrojadas, que estão trabalhando sob uma cultura rica de experimentação contínua, capaz de entregar aplicações inovadoras de forma rápida, têm uma nítida vantagem competitiva sobre seus competidores.

Entretanto entregar aplicações dessa forma é algo bastante desafiador. Ambos os times de desenvolvimento e de operação estão sob forte pressão para aumentar a velocidade da entrega de software de alta qualidade. Para maximizar os resultados, nenhum dos times podem mais se dar ao luxo de caminhar sozinhos – eles precisam trabalhar juntos para encontrar processos e ferramentas comuns que ajude ambos os times. Esta é a essência do Movimento DevOps.

Automatizar atividades de infraestrutura é uma prática chave do DevOps e que beneficia os dois times. É o que andam chamando por ai de “infraestrutura como código” ou “infrastructure as code” quando em inglês ou ainda “IaC” para os mais chegados. É quando se escreve códigos/scripts para automatizar as atividades manuais que os times de infraestrutura e operação executam manualmente durante os processos de mudança. Estes códigos são então colocados no controle de versão, dando a capacidade de se executar estas mesmas instruções, de forma automatizada, em diversos ambientes de forma repetível e em larga escala.

Trabalhar com infraestrutura como código faz com que os desenvolvedores se envolvam mais nas questões de configurações de ambiente e as pessoas dos times de infraestrutura se envolvam mais cedo no processo de desenvolvimento.

Um número significante de falhas acontece nos processos de testes e deployment em função de diferenças nos ambientes de desenvolvimento, testes e produção. Padronizar as configurações destes ambientes, através de códigos que estão no controle de versão, fazendo deploy e configurando automaticamente os ambientes, produz benefícios imediatos na consistência, em economia de tempo, redução da taxa de falhas e auditoria.

IaC oferece resultados tangíveis e claros e estão ajudando empresas a melhorem a colaboração, os tempos em fila e a taxa de falhas, impactando diretamente o bottom line.

Um estudo da Forrester chamado “Infrastructure As Code: Fueling The Fire For Faster Application Delivery” aponta os 4 principais benefícios de se ter infraestrutura como código como uma prática ativa dos times:

1. IaC remove os atritos na promoção das aplicações entre os ambientes. Os times de Dev e Ops concordam: transitar aplicações entre os diversos ambientes é, sem dúvidas, um dos passos mais desafiadores da entrega de software. E eles podem ser vários, o de Desenvolvimento, para testes de integração, o de QA, normalmente para execução de testes funcionais, o de Homologação, para testes de aceitação com as áreas de negócio, o de Pré-Produção, para testes recorrentes de regressão e de carga e finalmente o ambiente de Produção, onde os usuários se deleitam.

A prática de infraestrutura como código remove os atritos na promoção das aplicações entre os ambientes, melhorando significantemente o tempo de entrega.

2. IaC promove mais colaboração entre os times de Dev e Ops, aumentando a eficiência e reduzindo os erros. Os times de Dev e Ops devem melhorar a colaboração entre si se quiserem aumentar sua eficiência, reduzir o tempo gasto com solução de problemas e o volume de erros introduzidos entre os ambientes no processo de promoção ao longo do ciclo de vida.

Até mesmo o menor dos erros de configuração, seja de aplicações ou de ambiente, pode resultar em grandes atrasos, sendo necessário ambos os times, de Dev e Ops, para identificar e resolver os problemas, aumentando, no final das contas, o tempo de entrega.

3. Ambos os times que já estão praticando IaC, quanto aqueles que ainda estão no começo da jornada, concordam com os benefícios desta prática e acreditam que ela melhora os resultados do negócio. Empresas que tem IaC como uma prática natural, reportaram uma melhora significativa na satisfação de seus clientes. Elas estão expandindo as capacidades de seus negócios, mantendo vantagem competitiva nos mercados em que atuam.

Tanto os times experientes em IaC, quanto os que planejam utilizar, acreditam na colaboração como principal benefício proporcionado pela prática de tratar infraestrutura como código.

4. Os times de Dev e Ops precisam estabelecer ferramentas comuns, mas isso é apenas o começo. Possuir uma linguagem de script comum é fator crítico para uma implantação efetiva de IaC. Porém, escolher as ferramentas certas é apenas parte da solução, já que é preciso ter também pessoas com as habilidades adequadas nos times para trabalhar com estas linguagens em uma cultura de alta colaboração entre Dev e Ops.

Este estudo confirmou o que a gente já sabia, que ferramenta por si só não é suficiente para extrair os benefícios esperados pela prática de infraestrutura como código. As empresas precisam garantir que elas tenham as pessoas, habilidades e processos certos, que suportem a prática, caso queiram alcançar os resultados mais amplos providos pela IaC.

Operação no Brasil

Os principais players deste mercado são a Puppet Labs que suporta, por exemplo, a infraestrutura do Google, e a Chef que suporta a infraestrutura do Facebook, dentre outras empresas. A Puppet Labs já levantou US$ 89 milhões, enquanto a Chef levantou US$ 65 milhões em rodadas de investimento.

Com toda essa onda de empresas brasileiras descobrindo, discutindo e planejando suas estratégias de DevOps, estes players já estão de olho MarketShare do Brasil e estão planejando o início de suas operações nas terras canarinhas ainda para o ano de 2015.

O Brasil é hoje a 7ª maior economia de TI no mundo com investimento de US$ 61,6 bilhões em 2014. Crescemos 10,1% nos investimentos de Software e Serviços em relação ao ano anterior. A expectativa de crescimento dos investimentos em TI (Hardware, Software e Serviços) do Brasil para 2015 é de 7,3%, mais que o dobro da média global que é de 3,43%. Se olharmos para a América Latina, a expectativa de crescimento é disparada a maior do mundo, com 8%. O crescimento esperado para a América do Norte é de 3,9% e 2,5% para a Europa, a menor taxa global. Ambas abaixo da média mundial que é de 4,3%.

Grandes players globais estão de olho no mercado nacional, não apenas os de Infraestrutura como código. Por exemplos: a IBM anunciou a construção de um datacenter no Brasil. A Oracle também anunciou investimentos no Brasil. A Amazon vem aumentando continuamente seus investimentos por aqui. Novos players globais como Rackspace também estão expandindo suas operações para a América Latina.

O segundo semestre deste ano promete ser bastante agitado na nossa indústria!

*Márcio Sete é entusiasta de DevOps, Kanban, pensamento Lean e culturas organizacionais. Atua como COO na especificacoes.com.