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Setor financeiro investiu R$ 21,5 bilhões em TIC no Brasil em 2014

Maior parte dos recursos (43%) destinou-se a hardware. Bancos respondem por 18% dos gastos com tecnologia no País

14 de Abril de 2015 - 14h16

Os principais bancos brasileiros desembolsaram R$ 21,5 bilhões em tecnologia da informação e telecomunicações ao longo de 2014. Segundo dados mais recentes da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o montante registrado mostra uma pequena evolução frente aos R$ 20,8 bilhões aplicados pelo setor no ano anterior. A indústria financeira mantém uma média de crescimento anual de 6% nos investimentos em TI.

A maior parte dos recursos (43%) destinaram-se a hardware, evolução de 4 pontos percentuais sobre o total aportado nessa frente em 2013. A representatividade reflete o impacto de grandes somas aportadas por bancos como Bradesco e Itaú na modernização de sua arquitetura e seus centros de processamento de dados. O crescimento dos gastos com equipamentos ficou na casa dos 6% no comparativo anual.

Mas a participação de recursos aplicados em hardware vem caindo frente aos gastos totais com tecnologia por instituições financeiras. Em 2010, o percentual destinado nessa frente chegou a representar 47% do total aportado pelos bancos em tecnologia da informação.

Software, por sua vez, segue rumo inverso. Ao longo dos últimos cinco anos, os investimentos em sistemas passaram de 29% para 39% (em 2014) do montante aplicado pelos bancos brasileiros em iniciativas de TI. “No ano passado, se investiu bastante em software”, comenta Gustavo Fosse, diretor setorial de tecnologia e automação da Febraban.

O total aportado em software cresceu 16% frente a 2013. O executivo justifica essa postura como uma resposta dos bancos em busca de entregarem soluções de negócio com mais agilidade.

Apesar de ser uma frente com maior taxa de crescimento anual, a participação do software no volume total de investimentos em tecnologia feito pelos bancos caiu 1 ponto percentual no intervalo de doze meses. O mesmo ocorreu com telecom, que viu sua participação no bolo cair de 18% para 17% em 2014.

O setor financeiro responde por 18% do total de gastos com TI no Brasil, percentual semelhante a países como Estados Unidos, França e Argentina; e um pouco abaixo de Inglaterra e Índia – onde a vertical responde por 19% dos gastos com tecnologia.

Mesmo ritmo de crescimento

Os últimos anos foram marcados por um período econômico fértil no País. Além disso, o setor financeiro passou por grandes ondas de investimentos. Nessa toada, o Bradesco tocou um projeto de modernização de sua arquitetura e o Itaú canalizou bilhões para construção de um novo data center, o que ajudou para que os investimentos em TI evoluíssem a uma média de 6% ao ano. 

Questionado se esse ritmo de expansão tende a mudar com a conclusão desses grandes projetos ou eventual retração econômica nacional, Fosse acredita que não. Na visão do diretor, os recursos só mudam de projeto. “Não vejo como os bancos podem diminuir os investimentos em TI. O que pode é variar um pouco nos blocos de onde o dinheiro será canalizado”, conclui.