Gestão

CIOs brasileiros precisam correr mais riscos

Estudo da Deloitte indica que, na transição digital, líderes de tecnologia no País vivem o paradigma entre inovação e pressão por manter as luzes acesas

06 de Fevereiro de 2015 - 15h42

A transformação digital traz a promessa de que praticamente toda organização se tornará uma companhia de tecnologia. O contexto é animador por um lado. Por outro, contudo, impõe desafio a diversos executivos. Os líderes de TI estão nessa lista. Segundo um estudo da Deloitte, os CIOs encontram-se pressionados entre o desejo de participar mais ativamente de processos de inovação e a necessidade de manter as luzes acesas. A saída? 

“Os gestores de tecnologia precisam correr mais riscos, assumirem uma postura mais empreendedora e passar a oferecer uma TI voltada mais para fora do que para dentro”, comenta Claudio Soutto, sócio responsável no Brasil por uma pesquisa global que a consultoria realiza para compreender os desafios vivenciados pelas empresas nesse momento de ruptura trazida pelos recursos computacionais.  

O levantamento descobriu que 49% dos CIOs brasileiros (percentual levemente abaixo da média global de 52%) consideram inovação uma prioridade. De acordo com o relatório, porém, eles recebem pouco financiamento interno para o desenvolvimento de ações com esse perfil. Por outro lado, também, o estudo observa que mais da metade (55%) do orçamento nas mãos dos gestores de TI é voltado a serviços essenciais, sendo 22% atribuído ao crescimento dos negócios. 

“Os CIOs continuam a ver a entrega de resultados operacionais através de serviços de TI como sua principal responsabilidade. Isso faz sentido considerando seu papel na gestão de sistemas-chave, mas sugere que os CIOs poderiam fazer mais ao aplicar a tecnologia a fim de impulsionar o crescimento dos negócios”, estampa o documento da Deloitte.

Segundo a consultoria, os resultados da pesquisa indicam que os líderes de negócios nem sempre acreditam que responsáveis pelo departamento de tecnologia sejam a escolha natural para impulsionar a inovação tecnológica para o crescimento. “Ainda há uma cobrança forte por fazer o parque funcionar”, comenta Soutto. 

A principal prioridade dos CIOs que participaram da pesquisa reside em “suportar novas necessidades operacionais”. Nos pontos seguintes, em ordem, aparecem temas como “impulsionar a estratégia digital”, “fortalecer a segurança e a exposição ao risco” e, por fim, “reduzir os custos de TI”.

“As organizações do mundo todo voltam suas atenções para uma expansão acelerada e, para muitas delas, o investimento em tecnologia é claramente uma estratégia prioritária”, reforça o relatório. A pesquisa indica que o paradigma vivido em empresas mundo a fora parte do impacto trazido por três vetores que mudam consideravelmente as operações de negócio: digital, analytics e big data. 

Na visão de Soutto, os gestores de TI se veem pouco envolvidos nos investimentos de inovação. Contudo, à medida que outras áreas das empresas começam a desenvolver e adquirir suas próprias tecnologias, cabe ao CIO se aproximar mais desses novos líderes internos para conquistar uma participação mais efetiva nas iniciativas da empresa. 

Nova abordagem

A questão é que a dinâmica é cruel para operar no mesmo modelo usado pelas organizações até então. “Se as iniciativas de inovação entrarem na fila de projetos do departamento de TI, nunca estarão no patamar de prioridade, pois ainda se cobra bastante que o CIO consiga tocar a sustentação das operações. 

Os gestores de tecnologia, opina o executivo, só terão sucesso em entregar o que suas empresas necessitam através de uma mudança de abordagem, abrindo mais as atividades de menor valor agregado dos departamentos de tecnologia para parceiros estratégicos externos. “O CIO precisa ser o orquestrador”, avalia o especialista. 

Soutto acredita que um líder de TI dificilmente vai conseguir substituir um gestor de unidade de negócio. Contudo, seu perfil é fundamental na identificação de novos recursos e tecnologias, promover a visibilidade e adaptação dessas soluções, manter o padrão da arquitetura sistêmica, na coordenação de projetos e na promoção de conceitos (como o de crowdsourcing) para captar ideias.