Negócios

Crise reduz meta anual de venda de PCs no Brasil

O resultado do primeiro semestre deste ano na área de PCs não é animador. Foram vendidos 1 milhão e 447 mil desktops no País. Se este ritmo for mantido, a IDC estima que, pela primeira vez, o Brasil poderá apresentar uma queda anual em suas vendas. Em 2001, foram comercializados 3 milhões e 200 mil microcomputadores.

14 de Agosto de 2002 - 19h01

Embora tenha apresentado um resultado superior ao do segundo trimestre do ano passado - quando o País foi atingido pelo racionamento de energia - o mercado de PCs no Brasil apresenta sinais claros que enfrenta uma crise.

De acordo com os dados da IDC Brasil, passados em primeira mão para o CW Online , foram vendidos no período, 803 mil PCs. Em relação ao primeiro trimestre, quando 844 mil microcomputadores foram comercializados, houve uma queda de 5%.

Segundo o analista da IDC Brasil, o resultado não segue o ritmo tradicional de negócios, já que o segundo trimestre, costuma apresentar um crescimento de pelo menos 10% em relação ao primeiro.

O baixo desempenho é explicado pela instabilidade econômica, pela flutação do dólar - que chegou a superar a casa dos R$ 3.30 - e pela greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que atrasou os cronogramas de fabricação local das indústrias instaladas no País.

No total, o primeiro semestre brasileiro teve um resultado abaixo do esperado. Foram comercializados 1 milhão 647 mil PCs. A queda é significativa, tanto que, pela primeira vez, a IDC Brasil, acredita que o Brasil poderá apresentar uma queda anual em suas vendas. Em 2001, foram vendidos 3 milhões e 200 mil PCs.

No primeiro semestre, informa ainda a IDC Brasil, o mercado corporativo não respondeu bem. As vendas foram apenas pontuais e ficaram abaixo do esperado.

No mercado doméstico, até abril, a venda foi satisfatória, mas com o acirramento da instabilidade econômica, houve uma queda significativa. O índice de inadimplência cresceu e houve uma redução do número de prestações para a aquisição de PCs por parte dos fabricantes. O mercado cinza, no qual um computador possui algum tipo de componente contrabandeado, mantém a sua presença. No primeiro trimestre, o índice estava em 60%.

A estimativa da IDC Brasil de haver uma queda anual nas vendas de PCs é preocupante, já que mesmo em 1999, quando houve a desvalorização do real e a crise no México, o mercado reagiu e fechou o ano com um crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.