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Nenhuma grande empresa no Brasil está preparada para transformação digital, diz estudo

Pesquisa da ESG/Dell EMC revela que só 5% das organizações no mundo — nenhuma das 100 companhias consultadas no Brasil — têm ambientes de TI preparados para a transformação digital dos negócios

28 de Abril de 2017 - 14h20

Uma pesquisa recente da empresa de análises e pesquisas ESG (Enterprise Strategy Group), encomendada pela Dell EMC, revela que 21% das companhias que concluíram o processo de transformação da TI apresentam um diferencial competitivo e cerca de 34% entregam mais projetos de TI em relação às chamadas empresas legadas.

O estudo, batizado de “Curva de Maturidade na Transformação da TI”, segmentou as organizações consultadas em quatro grandes grupos — transformadas, em evolução, emergentes e legadas, de acordo com o estágio de maturidade de cada uma delas na transformação da TI.

O dado que chama atenção na pesquisa é que, apesar de a maioria das grandes empresas (71%) concordar que para se manter competitivas precisarão realizar uma transformação da TI, o levantamento constatou que só 5% dessas organizações ao redor do mundo já estão com o processo de digitalização dos negócios concluído para a transformação. A pesquisa, que entrevistou mil decisores de TI de empresas privadas e públicas nas Américas, Europa e Ásia, sendo 100 deles no Brasil, verificou que nenhuma companhia brasileira atingiu esse estágio.

O levantamento identificou que entre as grandes corporações que se encaixam no perfil de ‘transformadas’ estão empresas mais maduras e que implementaram infraestruturas, processos e alinhamentos organizacionais adequados às necessidades da transformação de TI. Por outro lado, 41% das empresas estão na fase de ‘em evolução’, na qual demonstram compromisso com essa transformação e têm alguns projetos de modernização das tecnologias do data center e nas metodologias de entrega da TI.

Ainda segundo o estudo, a maioria das organizações (42%) se encaixa no grupo de ‘emergentes’, com alguns progressos rumo à transformação de TI, mas com poucos projetos em andamento para modernização das tecnologias do data center. E, por fim, outros 12% das empresas se encaixam entre as ‘legadas’, com pouquíssimo — ou nenhum — avanço nas questões relacionadas à transformação de TI.

Para Giampaolo Michelucci, presidente de Enterprise da Dell Brasil, os resultados do estudo confirmam a percepção da companhia de que a TI deve ter um papel cada vez mais relevante nesse momento de transformação digital dos negócios. Ele chama atenção para um indicador de custos da pesquisa.

Quando solicitados a estimar a porcentagem que sua organização gasta com manutenção contínua do sistema existente na comparação com novos projetos ou iniciativas, os entrevistados de organizações transformadas disseram que 46% do seu orçamento, em média, é gasto em inovação, enquanto as legadas aplicam 34%”, exemplifica. Além disso, Michelucci ressalta que as organizações legadas gastam uma média dois terços (66%) do seu orçamento de TI na manutenção de sistemas existentes, na comparação com 54% das companhias transformadas.

O relatório mostra ainda que entre as empresas transformadas, 85% acreditam que estão em uma posição forte ou muito forte para competir e serem bem-sucedidas no mercado nos próximos anos, contra uma média de 43% entre as organizações menos maduras (legadas).

As organizações transformadas também reportam avanços significativos – se comparado às demais — na capacidade de ajudar as empresas a criar produtos inovadores e em um menor prazo, automatizar processos e tarefas manuais e permitir que a TI seja encarada como um centro de lucro, em vez de um centro de custos.