Negócios

Brasil precisa de plano para expansão de data center, diz Gartner

Com a Internet das Coisas e as novas tecnologias, País terá que construir centros de dados fora do eixo São Paulo/Rio. Consultoria sugere que Ministério do Planejamento crie política para estimular essa indústria.

02 de Abril de 2014 - 18h16

Brasil vai precisar criar uma estratégia para aumentar a competitividade dos data centers no País e se preparar para Internet das Coisas e os novos serviços em nuvem que vão demandar processamento de grandes volumes de dados em tempo real. Esse foi um dos temas da Conferência Infraestrutura de TI, Operações e Data Center 2014, realizada pelo Gartner e que encerrou hoje em São Paulo.

O tema data center esteve entre os mais polêmicos do Marco Civil da Internet, aprovado na semana passada pelo Senado. Depois das denúncias de espionagem eletrônica, envolvendo a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), o governo brasileiro decidiu incluir no projeto obrigatoriedade de armazenamento local dos dados do País. 

Após muito protesto por parte das empresas do setor, a administração da presidente Dilma Rousseff cedeu. Entretanto, não se sabe ainda se essa exigência entrará na matéria que será apreciada pelos senadores. 

"Eu acho uma bobagem a obrigatoriedade de armazenamento local", opinou Henrique Cecci, diretor de pesquisas do Gartner e chairman da conferência, argumentando que o mundo hoje é hiper conectado e que essa exigência não faz muito sentido. Em sua opinião, o problema dos data centers é mais técnico e precisa de uma alternativa rápida para que essa indústria possa se preparar para suportar a economia digital. 

O analista do Gartner cita como urgência questões de alto custo dos serviços, preço da energia e a ampliação da localização geográfica das empresas. Ele observa que a concentração dos data centers no eixo São Paulo/Rio não vai dar conta do crescimento da economia digital. Muitas regiões do Brasil estão carentes desses serviços, como é o caso do Nordeste. 

Nos últimos meses as discussões sobre data centers estiveram muito concentradas nos Ministérios das Comunicações e Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI). O primeiro abordando mais a questão da obrigatoriedade do armazenamento local pelas multinacionais, como Google e Facebook. Já no MCTI, os temas estavam mais ligados a assuntos de regulamentação de cloud computing e formas de incentivos para o setor, que alega ser penalizado pelo alto custo de mão de obra, impostos e de energia elétrica, fazendo com que seus serviços sejam os mais caros da América Latina.

Para Cecci, esse tema deveria ser discutido é pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão como um projeto de macroeconomia. A Internet das Coisas, segundo ele, vai exigir que o dado esteja próximo do local onde é processado para que as informações possam ser trafegadas em tempo real, sem problema de latência. 

Com a tendência de nuvem hibridas, as companhias também vão demandar mais desses serviços, podendo contratá-los em outros mercados, caso o Brasil não seja competitivo.

Serviço vital para os negócios

Estudos da consultoria apontam que em o volume de dados vai crescer 800% nos próximos cinco anos, sendo que 80% serão informações não estruturadas. Ao mesmo, estudos com CIOs apontam que os departamentos de TI estão sofrendo pressão para que reduzam custos e entreguem infraestrutura que atenda com rapidez as necessidades dos negócios. 

"Os data centers se tornaram críticos e têm que estar preparados para atender os negócios", diz  Cecci. Ele afirma que as companhias serão obrigadas a investir em centros de dados mais inteligentes e fazer um planejamento do que continuará dentro de casa e o que será terceirizado, seguindo a tendência do processamento das aplicações em redes híbridas.

David Cappuccio, vice-presidente de pesquisas do Gartner, completa que essa pressão por corte de gastos obriga as companhias a rodarem aplicações em qualquer lugar do mundo. A tendência das empresas é manter o que é crítico para os negócios no modelo on-premise e os demais serviços em locais dentro do País ou exterior onde haja menos consumo de energia para redução dos gastos.

O analista do Gartner reforça a necessidade de as companhias investirem em data centers inteligentes e eficientes para atender a demanda de nuvem e as transformações dos negócios. Entre as características desses novos sites, ele recomenda que os espaços sejam virtualizados, modulares, apoiados em tecnologias que reduzam o consumo de energia e em sistemas automatizados.

Veja a seguir dez tendências para data center inteligente, segundo o Gartner: 

1-Software-defined X 

2-IT Service Continuity 

3-Integrated Systems 

4-Hyper Connectivity 

5-Bimodal IT 

6-The Internet of Things 

7-Open Source Hardware 

8-Shrinking Data Centers 

9-Continuous Demand 

10-Organizational Entrenchment and Disruptions